sábado, 30 de dezembro de 2017

A depressão como fenômeno social no capitalismo



 Um texto que amplia nosso olhar sobre a situação de adolescentes e jovens nos dias de hoje. Colabora para organizar melhor o cuidado e a luta por um novo sistema econômico e social que inclua pessoas e não um sistema que em depressão mata, de modo particular os e as jovens.
Deixe seu comentário sobre o texto em nosso blog. 

A depressão como fenômeno social no capitalismo
Atualmente, o termo “depressão” tem se igualado à noção de tristeza e pouco se entende sobre seu fator social, já que as tendências da psiquiatria abordam a doença a partir de um ponto de vista biológico e individual
quarta-feira 20 de dezembro| Edição do dia




Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), calcula-se que a depressão afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, que cerca de 800.000 pessoas se suicidam a cada ano, que 78% dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda, e que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
A depressão inclui sintomas como perda do sentido da vida, inibição, desesperança, sentimentos de vazio, infelicidade, um mal estar indefinível e generalizado, desinteresse pelo cuidado pessoal e por atividades que antes eram gratificantes, insônia ou hipersônia, fatiga ou perda de energia, dores de cabeça, transtornos alimentares, diminuição do desejo sexual, dificuldade de raciocínio e concentração, ansiedade, sentimentos de culpa, inutilidade e de um profundo e incontrolável sofrimento.
Algumas de suas consequências são o abandono do trabalho ou dos estudos, conflitos conjugais e/ou familiares, alcoolismo e dependência de drogas; do mesmo modo, a depressão não equivale a suicídio, mas este é uma possibilidade em casos graves. O nível depressivo – leve, moderado ou grave – dependerá do histórico psíquico de cada sujeito e dos recursos com os quais possa contar, como as redes de apoio de familiares e amigos.
No México, os índices de suicídio aumentaram catastroficamente, já que no ano de 1994 foram registrados 2.603 suicídios, e em 2016 estes números cresceram aproximadamente 200%, com 6.370 suicídios registrados. De acordo com dados do órgão mexicano Instituto Nacional de Estadística y Geografía (INEGI 2017), 41,3% destas mortes correspondem a jovens de 15 a 29 anos e 3,7% correspondem a adolescentes de 10 a 14 anos de idade.




Fonte: INEGI Estatísticas de mortalidade]

Além disso, é importante destacar que 8 a cada 10 suicídios no México foram cometidos no interior de domicílios particulares (76,2%), segundo dados do INEGI.
O tabu da depressão e seu fator social
Parece um paradoxo que, por um lado, o termo “depressão” seja cada vez mais utilizado e igualado à tristeza ocasional, mas por outro siga sendo um tabu que “deve” ser enfrentado em segredo e de maneira individual – como se sua aparição fosse um traço unicamente individual! Tal tabu transforma a depressão em sinônimo de suicídio, o que se torna um risco para os que dela padecem e são vistos com empatia.
No entanto, não é coincidência que a depressão e suas consequências, como o suicídio, tenham se transformado em uma das principais “doenças do século 21” e uma das principais causas de morte – ou que será num futuro próximo –, em especial para um amplo setor da juventude trabalhadora que vê quebradas suas esperanças de ter uma vida digna, já que as condições de trabalho em que os jovens se inserem a cada dia são mais golpeadas.
A depressão tem múltiplos elementos que não podem ser generalizados porque dependem de cada sujeito, como seu histórico familiar e psíquico; contudo, o fator social é determinante no seu desencadeamento e permanência. Como explica Ana María Fernandez em seu livro Jóvenes de vidas grises (“Jovens com vidas cinzas”), não se pode isolar o contexto social que impossibilita à juventude um planejamento de seu futuro, como têm feito as economias neoliberais que instituem na subjetividade uma quebra de esperança coletiva, o que corresponde a “toda uma estratégia biopolítica de vulnerabilização”.
Tais condições não podem ser explicadas sem se compreender o modo de produção capitalista que a cada dia é mais voraz, que busca aumentar seus lucros precarizando e empobrecendo a vida da classe trabalhadora de conjunto – somente no México há mais de 50 milhões de pessoas em situação de pobreza. E é neste cenário que a juventude se insere num mundo competitivo e a cada vez mais individualista – este setor representa um amplo exército de reserva no mundo do trabalho e enfrenta cada vez maiores dificuldades para estudar, já que possui as piores condições de trabalho e menos de 15% dos que prestam vestibulares para a universidade têm acesso à educação.
O transtorno depressivo e seu crescimento brutal parecem mais ser um sintoma de uma época que reflete a pouca esperança em relação ao futuro, causada pelas condições cada vez mais insustentáveis nas quais vive a classe trabalhadora. Não é de se espantar que este setor sinta um profundo desânimo e tenda à depressão crônica ou ao suicídio.
Como mostram os dados, a maioria dos suicídios ocorre no âmbito privado, mas também existem casos em que claramente se nota o determinante social, como aconteceu em 2012 com Dimitris Christoulas, o aposentado de 77 anos que se suicidou em frente ao parlamento grego. Em parte da carta encontrada nos bolsos do idoso que pôs fim à sua vida, se lia:
“O Governo de Tsolakoglou aniquilou qualquer possibilidade de sobrevivência para mim, que se baseava em uma pensão de aposentadoria muito digna que eu havia pagado por conta própria sem nenhuma ajuda do Estado durante 35 anos. E, dado que minha idade avançada não me permite reagir de outra maneira (ainda que, se um compatriota grego sacasse um kalashnikov [tipo de fuzil], eu o apoiaria), não vejo outra solução que não seja pôr fim à minha vida desta forma digna para que não tenha que acabar revirando lixeiras para poder sobreviver. Creio que os jovens sem futuro algum dia sacarão as armas e as apontarão boca abaixo aos traidores deste país na praça Syntagma, como os italianos fizeram com Mussollini em 1945.”
O capitalismo mostra a mais profunda barbárie contra o conjunto da classe trabalhadora a nível internacional. Por tal razão, dizemos: nossas vidas valem mais que seus lucros!
Sobre a individualização da depressão e a saída realmente necessária
Dentro do modelo hegemônico da psiquiatria, a depressão é encarada a partir do ponto de vista biológico, individual, a-histórico e associal, que pressupõe uma alteração bioquímica no cérebro, como o desequilíbrio dos neurotransmissores serotonina e norepinefrina.
Esta concepção contribui para que quem sofre desta doença não identifique claramente o que se passa, sofra em silêncio e se isole do mundo externo; além disso, fortalece a ideia de que seja um problema individual, e não social.
No geral, o tratamento para essa problemática consiste na medicação prescrita em um discurso individual e que garante os lucros da indústria farmacêutica. Estas medidas apenas buscam tapar o sol com a peneira e dão uma solução paliativa para os sintomas, mas não chegam à raiz do problema. Cada vez é mais frequente a medicação em idade precoce, seja em quadros infantis de depressão, insônia ou “hiperatividade”, o que faz com que os sujeitos sejam transformados em seres dóceis e produtivos. Se a pergunta é como a medicação beneficia o capitalismo...aí está a resposta.

É necessário construir e fortalecer os laços familiares e sociais que se veem fragilizados pela competitividade, como podem ser os laços de solidariedade entre os(as) trabalhadores(as), para que os sujeitos estejam melhor armados anímica e psiquicamente para enfrentar estas condições. Qualquer solução que não busque a transformação radical da sociedade será impotente, frente à problemática que se desencadeia a partir da precarização da vida e que nos arranca o desejo e o sentido de viver.
Fontes:

Ana Ma. Fernández, Jóvenes de vidas grises: psicoanálisis y biopolíticas
Lilia Esther Vargas (comp.), Lecturas de la depresión.
Tradução: Laura Scisci

O texto está publicado em

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Projeto de Vida pessoal, comunitário e social um desafio para o acompanhamento das juventudes


Pedidos do material clique aqui


O tema do Projeto de Vida hoje tem sido assimilado pelo neoliberalismo e suas instituições.  Basta visitar algumas escolas que tem parceria com bancos que oferece subsídios sobre o projeto de vida e empreendedorismo. Pensar o projeto de vida significa inserir-se neste modelo econômico capitalista que tem lugar reservado para à juventude empobrecida. Basta verificar os cursos oferecidos para jovens pobres.

Também, exige olhar o discurso que se repete contra o Estatuto da Criança e do Adolescente e as leis de proteção à criança e o adolescente. Se repete sempre que devem trabalhar cedo porque o trabalho garante caráter, amor pelo trabalho... Só este discurso se repete para jovens empobrecidos, não vemos ninguém defendendo que rico trabalhe como adolescentes porque estes estão aprendendo línguas, balé, esportes ou fazendo visitas e até mesmo intercâmbio internacional para aprendizados de línguas ou ampliação da cultura. Por isto, o discurso precisa ser problematizado.

A Proposta de elaborar Projetos de Vida em nível pessoal, comunitário ou planetário visa ampliar a visão de adolescentes e jovens sobre o seu futuro, criar possibilidades novas, formar sujeitos autônomos e capazes de fazer escolhas pessoais e comunitárias em favor da vida em plenitude.

Construir projetos de vida com objetivo de libertar os/as jovens da prisão no presente que está localizado, não tem passado e nem futuro, não tem história e por isto, não é fazendor/a de histórias novas com direitos respeitados.

O projeto de vida quer motivar a juventude a exercitar, a escrever seus projetos para superar e criar outros caminhos com horizontes.

O material oferecido é simples, um roteiro para ser elaborado e pode ser partilhado em pequenos grupos de jovens, com acompanhamento de pessoas adultas que desejam jovens autônomos.

Este material está bem divulgado e tem muitas experiências do seu uso: em grupos de jovens, em grupos vocacionais, entre outros. Você conhece este material? Pode compartilhar como foi o uso dele em seu grupo ou pelo seu acompanhamento? Você já elaborou o seu projeto de vida tendo este material como referência.

Publicamos mais uma edição com a parceria da Congregação Nossa Senhora, as Cônegas de Santo Agostinho. Nós do Cajueiro agradecemos a presença das irmãs junto aos jovens e em acreditar no trabalho do Cajueiro assumindo a parceria com este e outros projetos.

Façam seus pedidos em nossa loja você pode fazer os pedidos para o email livraria@cajueiro.org.br ou pelo WhatsApp do Cajueiro - (62) 991349793 (informações).
A pessoa responsável pela livraria é a Marisa Feliciano podem falar com ela no horário das 8h - 17h. Fone para falar com  Marisa - (62) 32186895 (fixo)

Rodas de Conversas - uma metodologia para facilitar o diálogo com jovens

 Pedidos das Rodas de Conversas Clique Aqui

As rodas de conversas A juventude quer Viver foi produzida  partir de 2017, teve como inspiração as metodologias sugeridas pelo Conselho Nacional de Juventude, neste período Lourival Rodrigues da Silva, representava a Casa da Juventude, na Câmara de Formação.

A ideia inicial foi produzir uma metodologia para que provocasse o diálogo entre jovens sobre o tema da defesa da vida. Foi produzida inicialmente para ser um material da Campanha da Fraternidade de 2008, porém não foi aprovada pela coordenação da Campanha. Com esta decisão a equipe de pesquisa resolveu fazer uma revisão no material e criar uma metodologia para a escuta da jovens.

Neste período recebemos a aprovação pela FAPEG de uma pesquisa sobre a Juventude quer viver, a situação da campanha criada em 2003. A ideia era saber do envolvimento dos/as envolvidos em algumas cidades do Estado de Goiás. O desejo era conhecer quem são os/as jovens. Foram aplicadas três rodas: Como é ser jovem? Como é ser jovem na comunidade? Como é ser jovem na sociedade?

As rodas foram aplicadas por outros/as jovens e a escuta dos/as pesquisadores/as do grupo de pesquisa sobre a Condição Juvenil. Este esforço de escutar à juventude e cuidar da vida.  Este material pode ajudar na escuta da juventude. Quem desejar este material ainda temos poucos materiais. Veja que pode usar na escola, grupos, espaços comunitários, etc. Este material é bem acessível para aproximar e escutar os adolescentes e jovens.


Esta segunda Roda de Conversa trabalha o Diálogo na Construção dos Direitos. Tem como objetivo  dialogar sobre a participação e o controle social  das Políticas Públicas de Juventude. Este material está organizado em quatro rodas. Ele foi aplicado por uns cinco anos antes de sua publicação. Não publicamos antes por falta de financiamento. Resolvemos incluir como uma das publicações da pesquisa do FAPEG sobre a Condição Juvenil II.  Esta Roda de Conversa teve como mentor Lourival que se juntou com uma equipe para a produção da mesma. Uma equipe que fez a revisão e a inclusão dentro do tema da pesquisa sobre religião, educação e violência.  As Rodas de Conversas estão vinculadas a Campanha "A Juventude quer Viver".  Este roteiro com 4 rodas pode ser utilizado em escolas, grupos de jovens, grupos comunitários. É urgente o tema das políticas públicas em uma sociedade que os direitos estão ameaçados.
Cada roda tem um roteiro de capacitação para educadores/as que irão aplicar.

Esta Roda Juventudes em Diálogos com a Educação, Violência e Religião pela construção dos direitos. Retoma o objetivo de conversar com a juventudes nos diversos espaços comunitários, o temas para o dialogo é educação, religião e violência com dinâmicas para estas conversas entre os jovens. Estes temas foram frutos da escuta realizada pela pesquisa apoiada pela FAPEG uma iniciativa de um grupo de profissionais vinculados a UFG/ Faculdade de Educação e Ciências Sociais; UEG, Centro de Juventude Cajueiro.  Por isto, este material com muito boa qualidade pode lhe ajudar no acompanhamento do trabalho com adolescentes e jovens.

Este material é inspirado nos Círculos de Cultura de Paulo Freire, a ideia é exercitar em nossa prática a educação popular e seus princípios.

A livraria do Centro de Juventude Cajueiro está disponibilizando este material, pelo preço de R$ 7,00 (sete reais) não está incluído o preço do frete.
Veja aí como fazer os pedidos. Ajudem a compartilhar as noticias da livraria do Cajueiro para que o material possa ser conhecido. Quem conhece e usa o material pode partilhar as experiências. Assim, vamos criando espaço para o trabalho com qualidade.


sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Leitura do Levantamento sobre a dimensão técnica - Curso virtual da Rede Caminho de Esperança




Como trabalhar a capacitação técnica
ou a metodologia no grupo de jovens?

            O levantamento foi realizado de setembro, outubro e novembro de 2017 com o objetivo de escutar jovens e pessoas adultas que atuam com jovens nos diversos ambientes e atividades eclesiais para a revisão do programa de formação de lideranças “Caminho de Esperança” realizado de modo virtual pelo Cajueiro e parceiros.

            Respostas
Responderam 145 pessoas de 19 Estados e DF e de quatro países de língua espanhola (México, Colômbia, Equador e Paraguai).  É uma amostra que auxiliará para rever o curso de capacitação técnica que situada no lugar Bíblico Emaús. As pessoas que responderam são: AC (7), AM (9), BA (2), CE (8), DF (9), ES (4), GO (28), MA (6), MG (3), MT (5), PA (7), PE (3), PR(1), RJ(3), RO(4), RS(5), SC(23), SE(1), SP(9). Não tivemos participação dos Estados: AP, RR, MS, TO, RN, PB, AL, PI. Das 27 unidades, 19 responderam e 8 não participaram. Podemos dizer que há uma ausência das regiões nordeste e norte.

            Faixa etária
As pessoas que responderam ao levantamento estão organizadas pela seguinte faixa etária:
15 a 18 anos –  5,5%, sendo 8 respostas, 19 a 24 anos – 17,9%; sendo 26 respostas; 25-29 anos 17,9 sendo 26 respostas; 30 - 40 anos, 26,9%, sendo 39 respostas; 40 – 50 anos - 22,8% sendo 33 respostas; mais de 50 anos, foram 9% sendo 13 respostas. 60 das respostas vieram de pessoas abaixo de 29 anos e 85 das respostas das pessoas acima de 30 anos.  A ideia era escutar jovens e adultos das diversas faixas etária, a amostra de cada grupo é significativa.

            Trabalho com jovens
Nas experiências de trabalho com a juventude, o levantamento conseguiu escutar grupos significativos. A pessoa poderia marcar mais de uma opção em sua resposta. Com experiências em Pastorais de Juventudes foram 103 pessoas, 71,5%; Pastoral Vocacional ou Serviço de Animação Vocacional foram 22 pessoas, 15,2%. Grupo de Jovens foram 83 pessoas, 57%; Crisma foram 43 pessoas, 26%; jovens nas comunidades, 51 pessoas, 35,4%; juventude missionária, 8 pessoas, 5,6%. Outros grupos: MEJ, Articulação das Juventudes Salesianas, Caminho Catecumenal, Catequistas, Secretaria Regional da Pastoral Juvenil, Jovenes en situaciones críticas, PJMP, CRAS, Curso de Teologia Pastoral, Escola Bíblica, Escola Pública, Escola Diocesana, Pequenos Agricultores/Assentados da reforma agrária (3), Grêmio Estudantil, Maristas, Pastoral Juvenil Marista, Coordenação de Comunidades, Coletivos Jovens Com Vida, Centro de Convivência, Movimentos Jovens, Universitário e Setor Juventude. Nas experiências de trabalho com a juventude nota-se um acento das Pastorais de Juventudes e dos grupos de jovens; porém as diversidades de presença em vários espaços dão um colorido especial para este levantamento.
            Tempo de inserção
Quando o grupo foi perguntado sobre o tempo de trabalho com a juventude, 109 afirmaram que tem mais de 5 anos de trabalho; alguns indicaram 20 anos, 25 e até 50 anos, sendo 70%, até 5 anos (9 pessoas);3%; 4 anos, significando 7 pessoas, 4,9%; 3 anos 9 pessoas, 6,3; 2 anos - 4 pessoas, 2,8%; 1 ano, 5 pessoas, 3,5% e menos de 1 ano 2 pessoas, 1,4%. O tempo de trabalho com a juventude e sua organização pode ter duas situações: a primeira é que a experiência pode nos ajudar com as questões trazidas, porém o tempo pode ajudar também, na repetição sem buscar algo novo. É sempre um risco porque a realidade é sempre carregada destas possibilidades. Ler estes dados exigirá atenção e cuidado para que possamos compreender as necessidades da juventude e, também, as práticas pedagógicas exercidas pelas pessoas que buscam a formação.

            Funções exercidas
As respostas sobre a função que exercem as pessoas que responderam qualificam o resultado pela variedade do grupo, garantindo a diversidade das tarefas e dos grupos que acompanham jovens e suas organizações. Vejam as suas funções: coordenação de grupo (30), Coordenação Diocesana (17), Coordenação Regional (15), Coordenação do trabalho com juventude nas congregações (3), Assessoria diocesana/Regional (23), Animação Vocacional ou Serviço de Animação Vocacional (12), Animação da Juventude Missionária (5), Coordenação Pastoral Escolar (1), Instituto de Juventude (1), Secretaria Regional da Pastoral Juvenil (1), Diretor de Escola Católica (1), Animação do CEBI, Catequista de crisma, Coordenação da CRB/Regional, Acompanhamento, Animadora de projetos, Acompanhamento de grupo de mulheres, Militantes, membro do grupo de jovens, Membro da RACJ, acompanhamento vocacional, Educador socioambiental, professor, animação paroquial, Referência da PJ Diocesana, Catequista, Coordenação Nacional, Coordenação pedagógica, assessoria da área missionária, assessoria de formação,  assessoria de paróquia. Espaços distintos desde o grupo de jovens, espaços de serviços de coordenação e assessoria, assim como acompanhamento e atuação em grupos variados de jovens.

            Dificuldades
Na pergunta sobre as dificuldades no serviço com a juventude as pessoas que responderam apontam: Cuidar da formação integral (74) 51, 4%; Trabalhar a motivação para evitar a evasão do grupo de jovens (68) 47,2%; Acompanhar as questões pessoais (42) 29,2%; Planejar as ações que envolvam os participantes (41) 28,5%; Tratar temas em uma sequência (26) 18,1%; Saber coordenar (18) 12,5; Tratar tema do interesse dos jovens (32) 22,2%; saber como coordenação e com assessorar o trabalho (17) 11,8%; Planejar as ações (24) 16,7%; Trabalhar o tema do Projeto de Vida e Vocacional (20) 13,9%; tratar o tema da Missão (9) 6,3%; e ainda, a proximidade com a realidade juvenil, trabalhar a afetividade e sexualidade, formar para a militância, coordenar e compreender o papel da assessoria; resistência ao modelo eclesial clerical; acompanhar as contínuas mudanças, compreender a sistemática  campanha contra  a identidade e organização da PJ; trabalhar o diálogo entre as expressões juvenis. O que significa que as dificuldades apontam as preocupações para a formação? Como atender todas estas dificuldades?

            Dúvidas
Quanto às dúvidas sobre o tema a ser tratado o grupo apontou  o papel da assessoria/animação vocacional/missionária (60) 50,4%; Diferença entre Coordenação e Assessoria(38) 31,9%; papel da Coordenação (12) 10,1% e, ainda nas respostas abertas: como animar os grupos constituídos em ambiente escolar, como coordenar sem tirar a responsabilidade dos demais, como a CRB pode acompanhar a formação inicial a partir dos interesses da juventude, como trabalhar o conjunto, como trabalhar as demandas pessoais e realizar um caminho integral de formação, trabalhar temas a partir do interesse dos jovens, lidar com as mudanças, manter o acompanhamento e integrar família, sociedade e Igreja, trabalho com a juventude indígena, ministério da assessoria. Aqui nas dúvidas o acento está maior para a questão da assessoria e a preocupação com a diferença entre este dois papeis, porém, há uma preocupação em acompanhar à juventude nos diversos ambientes.

            Instrumentos
A pergunta que fala dos instrumentos a serem trabalhados no Curso pergunta pelo que deve conter esta proposta: textos de orientações e reflexões (107) 73,8%; videos com depoimentos de jovens e assessores (68) 46,9%; vídeo-aulas (48) 33,1%; apresentação de eslaides (30) 20,7% e, ainda: atividades missionárias, trabalhar a realidade, trabalhar a escuta, rodas de conversas (2), música, acompanhar as atividades diocesanas, bibliografia, dinâmicas (6), intercâmbio de experiências (3), dinâmicas bíblicas, trabalho em grupo, visitas, vivências, teatro do oprimido, oficinas de escuta da realidade.
            Nome
Como deve ser chamado este curso de capacitação técnica? As respostas foram: Escola de Juventude Emaús (49) 34%; Caminho de Emaús (47) 32%; Escola de Coordenadores e assessores (29) 20,1% e nas respostas abertas foram: Escola de Formação Juvenil – caminho de Emaús, Escola do Caminho, Entrando no Caminho de Emaús, Formação técnica para o trabalho com a juventude, Escola Peregrina de Emaús, Curso de capacitação caminho de Emaús, Herramientas para el acompañamiento, CCJUVS – Caminhada da Capacitação da Juventude, Redes de Saberes, Emaús escuta da juventude, Caminho de Emaús- Curso de capacitação técnica,  Formação em metodologia para facilitar os coletivos jovens, formação de lideranças de juventudes- caminho de Emaús, formação de lideranças – caminho de Emaús, Escola de Formação de formadores jovens, comunidade de jovens Emaús, Escola de Aprendizagens do Caminho.
            Material a usar
As pessoas que responderam ao levantamento usam que tipo de material na coordenação e assessoria? Respostas: Textos em geral (87) 61,3%, Na Trilha do Grupo de Jovens (70)49,3%, Material produzido pela CNBB, Regionais e Diocese (70) 49,3%, \Nenhum deste citados (8) 5,6% e ainda, apontaram outros na questão aberta: Material do CEBI (3), exploração do lúdico, material do RICA e Liturgia, Bíblia (3), ODJ (2), Metodogia y espiritualid de la revisión de vida, Sou Igreja Jovem, CDL I e II, Educação da Fé, Materiais das PJs, CAJU, Vídeos bíblicos, textos das questões ambientais, natureza, símbolos e cores, cartas a Neotéfilo e outros livros, por uma cultura de paz da justiça restaurativa, uso estes materiais adaptados.

            Participação
Na pergunta se já participou de formação o “sim” (133) 92,4% e o “não” (10) 7,6% e na questão aberta sobre como contribuiu no trabalho responderam 114 pessoas : despertou para o trabalho com a juventude no acompanhamento aos grupos nos vários âmbitos (grupo, paróquia, diocese e regional), a experiência de quem fala e o testemunho dão sentido ao trabalho e animo para o caminho, a formação integral colabora na integração da fé e da vida e colabora para o amadurecimento da fé comprometida;  aponta para maior aprofundamento e novas leituras,  a questão juventude aparece várias vezes (a sua realidade, aproximar da suas linguagens, as suas demandas, os desafios do dia a dia, aproxima mais da juventude, melhora a escuta) também, falam da juventude e seu engajamento: CEBs, grupo de jovens, Pastorais da Juventude, catequese, do CEBI, IPJ, CAJU, Cajueiro). Há um destaque para o grupo de jovens (cuidado, espaço de crescimento, espaço de articulação com outras instancias, dia a dia da realidade) assim como das estratégias do acompanhamento como a escuta, a acolhida, o respeito ao caminho feito pelo jovem a partir de sua realidade, amizade, das experiências comunitárias, para as dinâmicas, leitura crítica da realidade, a questão do compromisso cristão engajado e missionário, de catequeses mais dinâmicas e envolvendo melhor os jovens, a compreensão da formação integral aparece pela a ideia da pessoa mais realizada, integrada na fé, comprometida na transformação, na percepção da diversidade da cultura juvenil, do planejamento, vida em grupo, articulação dos grupos, acompanhamento. A questão da formação de outras pessoas. Pode-se dizer que participar de uma formação abre novas perguntas e o grupo que respondeu está atento ao público destinatário porque a repetição da palavra juventude, grupo, formação integral. O que indica que o caminho da formação a partir da integralidade, da opção pela educação popular, que parte da realidade, das questões trazidas pelos participantes é um caminho a ser aprimorado na revisão do material.

            Cursos virtuais
Quando perguntado sobre a participação em cursos virtuais 70 pessoas disseram que sim (50%) e outras 70 disseram que não (50%). Sobre a questão da participação temos a metade do grupo que não participou e as pessoas que participaram das respostas foram 98, claro que algumas delas para dizer que não têm nenhuma observação ou que não participaram. As facilidades estão no tempo do curso, no uso do tempo de modo flexível, na praticidade, nos conteúdos sucintos, na organização do estudo dentro do tempo pessoal, na qualificação da ação; o tempo poupado pelo deslocamentos, facilidade de acesso de mais pessoas, o curso é prático e relevante para a capacitação de pessoas, o acesso em qualquer lugar e hora, a possibilidade de organizar o estudo e a exigência de disciplina e a comunicação entre as pessoas e com outras de lugares diferenciados, a possibilidade de ampliar o conhecimento de outros grupos, unir a juventude. Estas facilidades se repetem e o que mais aparece é a questão do tempo como fato importante para a formação.
Enquanto que as dificuldades a avalição traz a troca de ideias, o acesso à internet (computador ou lentidão ou ausência de conexão com a rede), a disciplina em organizar o tempo para o estudo e a harmonização  do trabalho, o estudo acadêmico e aponta como um dos fatores negativos a falta de disciplina para o estudo, provocada pela dinâmica da realidade, pela capacidade de leitura e pela interpretação ou a dificuldade de construir argumentos dentro do debate,  gerando desânimo ou medo de se expor; muitas desistências dos participantes, ausência de um debate que envolva os participantes, ou de um horário para que o grupo possa se encontrar no espaço virtual, pessoas para o acompanhamento com capacidade de atender as dúvidas e necessidades do participantes, manter o tempo do curso  segundo  as demandas e atividades, manter a motivação para o estudo solitário, falta a mística do encontro com as pessoas. Nas dificuldades, a questão do tempo retorna pelo acúmulo de tarefas ou pela falta de organização do mesmo; há dificuldades que são operacionais de acesso com qualidade ao curso e, também, pela falta de hábitos de leitura e estudos pessoais, pelas dificuldades decorrentes do sistema escolar e, também, em agregar novas formas de formação a seus hábitos já constituídos.
            Na questão sobre a organização de formação para outras pessoas a resposta “sim” oi de 113 e 79% de não, com 21% que não respondeu.
Nas sugestões apontadas para a revisão há uma insistência na modalidade semipresencial, em uma maior divulgação e envolvimento dos jovens e dos grupos responsáveis pelo projeto de formação, manter uma comunicação em outros meios para motivar e lembrar a participação no curso, trabalhar o fortalecimento dos grupos de jovens, manter em cada texto uma bibliografia e sugestões de textos para o aprofundamento, inserir vídeos, depoimentos e links de estudos, que sejam plurais, integrais e dinâmicos, insistir no fortalecimento e na criação de grupos e seu acompanhamento e não somente em instâncias mais amplas, que seja leve e prazeroso, tenha um espaço somente para dúvidas, explicitar bem a diferença entre assessoria, animação e coordenação, indicar os momentos que a assessoria pode e deve intervir e momentos que precisam estar na escuta e na sistematização, que seja possível uma organização de uma formação local a partir da proposta da formação virtual,  realizar congresso para aprofundamento, criar um espaço e conteúdo que possam gerar interatividade entre os participantes, disponibilizar o material para ser impresso pelos participantes ou organizar o material impresso do curso, organizar equipes locais para trabalhar de modo presencial a proposta do conteúdo, capacitar melhor as coordenações das pastorais, estudar um caminho para inserir nos cursos as pessoas que não tem condições financeiras de contribuir com a plataforma, propor ações comuns para sentir-se unidos, ficar atentos a diversidade de participantes buscando incluir a diversidade da juventude, confeccionar alguns materiais em oficinas com a juventude e na elaboração estar atentos a formação integral com suas dimensões e processos.
Outras questões
Na última questão, aberta para outras sugestões, 60 pessoas responderam e as questões trazidas foram agregar as realidades do campo e da cidade, despertar para a participação nas questões políticas e sociais, contemplar as diversas realidade (jovens em conflito com a lei, jovens que estão fora do ambiente eclesial, entre outros), trabalhar dinâmicas de grupo, construir um aplicativo para facilitar o acesso, trabalhar a questão da responsabilidade e o compromisso com o curso pela dificuldade apresentada nos cursos virtuais, que a linguagem seja para a diversidade das juventudes. Nestas sugestões pode-se notar uma preocupação com a juventude nos diversos ambientes e com a linguagem. Também, aponta para ficar atento às expressões juvenis e termos que tem sido explorado na dinâmica do trabalho com a juventude.


Conclusão
Ao ler todo o levantamento sobre as questões referentes à formação integral com foco na dimensão técnica ou metodológica, pode-se formular várias questões. Quais tipos de leitura de textos você aponta? A capacidade de coordenar e de acompanhar grupos nos diversos ambientes, tanto eclesial, social ou político tem sido prática dos grupos e instituições? Há um discurso recorrente sobre o protagonismo, ou seja, formar sujeitos históricos capazes de intervir em sua realidade e espalhar o bem, a vida, ou seja, cuidar do bem comum. Ao ler as respostas tanto fechadas como abertas pode-se dizer que há um desejo desta formação, porém a pergunta que permanece para os grupos e instituições se refere ao interesse em preparar sujeitos críticos e capazes de ler a realidade e posicionar-se nela tendo como referência os princípios evangélicos, ou seja, expressar pela vida e pela prática os sinais do Reino?
Há uma diferença entre capacitação que envolve conceitos, compreensão dos termos aplicados pelas propostas de trabalho com a juventude que podem ocorrer de modo presencial ou virtual e outros modelos de encontros que se perdem nos seus objetivos e ficam somente em tempos para encontros, passeios ou festas, não que tudo isto não seja importante. Nesta dinâmica da vida algumas situações são justificadas como pauta única. Como trabalhar o estudo pessoal, a leitura, o debate em grupo de temas que tocam a vida dos jovens, ou a ação pastoral, social ou política?
O levantamento aponta várias possibilidades de revisão do conteúdo do curso oferecido e sugere metodologias inovadoras. Aponta problemas já percebidos na execução do curso como a questão do tempo, tanto no aspecto que favorece a formação, como no que dificulta a organização da formação virtual. Aponta para a questão presencial como constituído de mística e de fortalecimento de vínculos e indica que deve ser em localidades mais próximas como fruto do trabalho dos que estão inseridos no curso virtual. Há muito que aprofundar neste caminho a ser construído por esta Rede Caminho de Esperança.

Texto construído por Carmem Lucia Teixeira, pesquisadora do Cajueiro, professora de escola pública, e Hilário Dick, pesquisador de juventude, padre jesuíta.
08 de dezembro de 2017.