quinta-feira, 5 de maio de 2016

Desde domingo... Pedro Caixeta




Domingo pela manhã, não consegui rezar. O hábito de ao acordar já pegar o celular, me fez ainda deitado, saber da notícia que relutava em imaginar...

Lourival, querido. Demoro escrever aqui por que tem me doído muito mexer nas lembranças... tenho proferido racionalizar. Isso me afasta a dor.

Sua imagem para mim foi, é e será sempre de um guerreiro fiel, forte!!! Não conseguia te imaginar debilitado, assim... nem se fala! Mas você é daquelas pessoas que transcende o espaço-tempo, você transcende!!!

Dar conta da sua ausência física mexe muito comigo, as lágrimas ainda insistem em escorrer pelos olhos, e acho que ainda vai ser assim por um bom tempo. Eu comigo mesmo, eu e você. Já te disse uma vez que tem muito de você em mim, brincava que tive overdose de Lourival: acompanhando meu instrumento de preparação da Escola de Educadores/as, na assessoria da CRPJ RCO, na coordenação da Escola Bíblica para Jovens, na assessoria nacional da PJ, na coordenação da pós graduação em Adolescência e Juventude no mundo contemporâneo...

Mas não foi só nisso, foi na vida... foi no fazer e comemorar aniversários juntos, foi no conversar sobre a vida e sobre os sonhos, sobre as dificuldades, foi nas broncas de quem ama e quer ser com a gente fraterno e sincero...

Desde que soube, lembrava desta imagem sua... que agora resgato aqui... você será sempre meu coringa!!! Quando crescer quero ser como você... Disto tudo aqui, meu desejo é que humildemente eu possa contribuir na sua Ressurreição... Que eu tenha a juventude por causa, como você teve, o Reino como utopia, o desejo de saber, a força para lutar e o mundo para deixar sua marca....

Desde domingo dizia, que agora você se juntou com Gisley. Meus amigos, de onde vocês estiverem, olhem por mim, olhem por nós... nos inspirem e ajudai-nos... Eu já escolhi com quem me apegar... Mande lembranças para tantos outros camaradas que por aí estão...

Gratidão...

Uma palavra de amorisidade da PJ do Regional Centro Oeste na Páscoa de Lourival





#‎PascoaLourival‬

Olá povo cerratense, do cajú, dos ipês, do pequí... é com muitos sentimentos, ainda misturados que nós do Regional Centro Oeste viemos fazer parte dessa grande partilha, memória e lembranças da #PascoaLourival

Então...O que dizer de uma referência? A primeira coisa que nos vem a mente, neste momento, é uma música, e como Lourival gostava tanto de música, porque não começar a dizer dele com uma?
"Debulhar o trigo recolher cada bago do trigo, forjar do trigo o milagre do pão e se fartar de pão...Decepar a cana, recolher a garapa da cana, tirar da cana a doçura do mel,se lambuzar de mel...Afagar a terra, conhecer os desejos da terra, cio da terra propicia estação e fecundar o chão..."

Lori foi um homem que deixou em nós a vontade de plantar, de conhecer o milagre, os mistérios da vida, que por sua dedicação e fé na juventude nos instiga ao trabalho árduo de construir um outro mundo possível... Que pela sua criatividade e encanto nos mostrou que neste trabalho árduo encontramos a doçura do mel nas vivências, nas festanças da vida, na arte, nas pessoas que também acreditam nos nossos sonhos, assim, nos lambuzamos de alegria de amor, um amor que nos une de forma tão singela, um amor cuidante... Lori homem do nosso cerrado, sabia que cuidar da terra era primordial, conheceu e viveu os anseios da juventude, se capacitou, estudou, superou, lutou,acreditou, sentiu, amou... Esteve conosco na Pastoral da Juventude em vários momentos de capacitação, formação de lideranças, nos materiais escritos, nos projetos da CAJU, no CAJUEIRO, no Regional Centro Oeste...

Cajueiro que só nasceu porque essa gente cerradeira, pejoteira, cajueira não é de desistir de sonhar e fazer acontecer. Lá foi esse homem sonhador, com amigos e amigas, construir um novo projeto que continuasse garantindo vida digna para a juventude, um projeto que ajuda a juventude a se reconhecer como protagonista de sua vida. Com este projeto o CAJUEIRO, construído com mãos amigas, Lourival fecundou o chão, olhou pro horizonte, viveu a utopia...e na certeza de que este chão é terra boa, os frutos virāo, continuarão se espalhando com os/as jovens cerradeiros/as e por onde mais seu nome ecoar nessa América Latina como prova de testemunho do reino...

Quanto a esse Regional, que não foi e nem será o mesmo depois de sua presença por aqui, gratidão Lourival, por afagar as terras desse regional, conhecer os desejos, perceber o momento certo de plantio e fecundar o nosso chão de amor. Não se preocupe se uma lágrima rolar nos momentos de saudades de você, “é que a gente corre o risco de deixar cair algumas lagrimas quando se deixa cativar” e você nos cativou, nos cuidou, o que fica é o amor que nos deixa em comunhão. E tem ainda uma outra música que a gente gosta tanto e diz tanto de nós, que diz da sua mística e nos ajuda a fazer memória, na certeza da Páscoa e do reencontro...

“o espírito é vento incessante que nada a de prender, ele sopra até no absurdo que a gente não quer ver, muito tempo não dura a verdade, nessas margens estreitas de mais, Deus criou o infinito pra vida ser sempre mais”...

Lourival, até que nos tornemos a nos encontrar, Deus te guarde no calor de seu abraço.
Fique em paz.

"olha pro céu meu amor, vê como ele está lindo"

https://youtu.be/G0QzL01oRu0

O cenário que se desenha hoje - Pedro A. Ribeiro de Oliveira*


 – IHU, 26 de abril de 2106**
            Exponho meu pensamento de modo afirmativo, mas deixo claro que a tese que o perpassa – a derrota do projeto nacional-desenvolvimentista brasileiro – é somente uma hipótese. Hipótese pessimista, mas capaz de abrir uma perspectiva otimista para a ação, como recomendava o mestre Gramsci.
            Temos que decifrar o que está acontecendo por detrás dos jogos de cena onde aparecem os agentes visíveis (políticos, policiais, juízes, comunicadores, líderes sociais, agentes religiosos, etc), porque eles e elas estão a serviço de alguma classe social. E o que conta na estrutura social são os projetos e a visão que cada classe procura impor como se fossem de toda a sociedade. Dessa análise devem resultar pistas adequadas para levar adiante um projeto para o mundo, porque não há neutralidade possível nesse jogo/luta pelo poder. Esta análise só tem sentido se for útil às classes dominadas e grupos oprimidos.
            Meu ponto de partida é a consideração da crise mundial do capitalismo, porque o Brasil está na periferia do sistema capitalista mundial e, como sempre acontece, é sobre a periferia que recai o ônus maior da crise mundial. A crise de 2008 não terminou. A financeirização do capital é sintoma de crise de longa duração, como mostra a história de 5 séculos de capitalismo. Durante todo esse tempo o capitalismo só consegue superar suas crises de superprodução por meio da “destruição criativa” = guerra de onde emergirá o polo dinâmico do novo ciclo de acumulação. Do norte da Itália (s. 15) para Amsterdã (s. 16-17), depois Londres (18-19), atualmente N. Iorque e no futuro talvez Pequim. Hoje existe nova forma de guerra: a “guerra não-convencional” que pode destruir um país sem recorrer à força das armas, porque usa instrumentos políticos, policiais e judiciais amparados por intensa desinformação midiática (TVs, rádios, jornais e principalmente redes sociais operadas por agentes treinados para a provocação). É só lembrar os que os EUA fizeram no Afeganistão, Iraque, Líbia, Egito e Síria, bem como os golpes dados em Honduras e Paraguai. Isso, quando não conseguem vencer a eleição e colocar seu agente no governo (Macri, na Argentina). A política externa de Lula e Dilma, de aproximar-se da China e favorecer a integração sul-americana certamente contraria os interesses geopolíticos dos EUA.
            O objetivo dessa operação de “guerra não-convencional” é quebrar a espinha dorsal do capitalismo brasileiro (BNDES, bancos e empresas estatais, grandes empreiteiras) e passar seu controle às megaempresas mundiais. As classes dominantes do Brasil – não mais de 100.000 famílias – aceitam esse projeto porque são, desde a colonização portuguesa, o sócio minoritário do capital externo. Embora elas tenham sido beneficiadas pelo modelo nacional-desenvolvimentista financiado pelo Estado, agora renunciam a esse modelo e submetem-se docilmente ao neoliberalismo imposto pelos grandes conglomerados corporativos transnacionais que mandam no mundo. A política de equilíbrio fiscal por eles imposta reduz drasticamente a capacidade de intervenção do Estado na economia, deixando que ela seja regulada apenas pelo mercado. O 2º governo Dilma curvou-se a essa política de equilíbrio fiscal, mas conseguiu manter políticas sociais que protegem as classes economicamente desprotegidas. Agora as classes dominantes mostram sua decisão de acabar até com essa pequena proteção do Estado aos pobres.
            Nesse quadro mais amplo fica claro o papel desempenhado (intencionalmente ou não) por Temer, Cunha, Bolsonaro, Moro, Gilmar Mendes, Serra, FHC e outros atores que tomaram a frente do processo de aniquilamento do PT e do esvaziamento de suas lideranças. Trata-se de colocar o País de joelhos diante das megaempresas que virão completar o processo de colonização da nossa economia, com a aprovação das classes dominantes. O problema é grave porque os governos Lula e Dilma jogaram toda sua força na política nos programas que tiraram quase 50 milhões de pessoas da miséria, expandiram a demanda, estimularam investimentos e aumentaram muito o nível de emprego, mas não foram acompanhadas pelo aumento da organização política popular nem pela tributação das classes dominantes, que continuam a concentrar a renda e a riqueza. Hoje as classes populares têm menos meios de expressão e de representação de seus interesses no espaço público do que tiveram durante a década de 1980. Já as classes dominantes romperam unilateralmente o pacto social que está na base da Constituição de 1988, esvaziando-a de direitos sociais conquistados. O atual golpe de 2015-16 vem completar esse processo de cassação de direitos de cidadania para as classes subalternas. As grandes manifestações de 2013 deixaram isso evidente: amplos setores incluídos no mercado de consumo, mas excluídos da cidadania, como a juventude, foram às ruas protestar. Como seu protesto não foi atendido, a insatisfação das novas gerações tem crescido, como mostram as ocupações de escolas públicas. Novos e antigos movimentos – os Sem-Teto, Povos indígenas, MST, movimentos contra barragens, ambientais, LGBT e outros – expressam essa insatisfação social que busca uma solução que não passa pelo canal das eleições.
            Por tudo isso, é importante resistir ao golpe. Estão sendo preparadas manifestações populares no 1º de maio e quem defende a democracia não poderá faltar. Mas devemos pensar a possibilidade de êxito do golpe e a consequente conquista do Estado brasileiro por grupos alinhados com as megaempresas. Seria imprudente jogar todas as forças na resistência ao golpe, pois correríamos o risco de sofrer uma derrota atrás da outra até o completo aniquilamento. Há que se pensar uma estratégia de retirada que preserve pelo menos parte de nossas forças para lutar contra a devastação social, econômica, moral e ambiental que se anuncia. Com o realismo de Darci Ribeiro – que no final da vida disse “perdi muitas batalhas, mas nunca quis me colocar ao lado dos vencedores” – deveremos reconhecer a derrota política das classes populares para traçar uma estratégia inteiramente nova.
            Para isso precisamos levar em conta um fator até hoje pouco considerado em nossas análises de conjuntura social, política e econômica: o fator ambiental. Tudo indica que o ano de 2014 marca o início do período de rápido aquecimento global. A reunião mundial da COP-21, em Paris, reconheceu haver risco de agravar-se o aquecimento, mas ficou nas boas intenções. (Se o aquecimento global fosse levado a sério as corridas de automóveis já estariam proibidas). Provavelmente antes de 2050 enfrentaremos uma situação calamitosa: num verão quente, haverá escassez de água, de eletricidade e de alimentos. O que acontecerá nas médias e grandes cidades? O Estado já desmantelado não terá meios para controlar o mercado e impor um sistema de distribuição de bens escassos. Provavelmente sua ação se limitará a reprimir os protestos populares. O que esperar, senão o caos social?
Ainda não vislumbramos uma estratégia eficaz para enfrentar e superar essa crise social e ambiental que se anuncia em âmbito planetário. A lógica do capital, apoiada na tecnociência, despreza os limites ambientais e se considera invencível, como se a Terra também reconhecesse o valor do dinheiro. Essa lógica fará o mercado capitalista (talvez conduzido pela China) devorar todos os bens do Planeta, transformando-os em objeto de compra e venda, até o esgotamento dos recursos que por tantos milênios favoreceram o desenvolvimento da vida. Exausta, a Terra deixará de ser nossa casa comum e vai tornar-se um planeta inóspito para a espécie humana. É ainda possível impedir que isso ocorra?
Já está em curso essa busca de um outro modo de produção e consumo, mas é necessário acelerar seu ritmo e dar-lhe alcance planetário para que ela seja capaz de evitar a catástrofe. Mais importante do que saber se ainda há tempo para reverter o processo, é fundar desde já as bases de uma sociedade alternativa. Se ela se consolidar a tempo de salvar a humanidade, melhor; mas se o tempo não for suficiente para isso, os sobreviventes terão pelo menos as bases sobre as quais construir uma forma de sociabilidade respeitosa da Terra, onde a espécie homo sapiens viva em paz consigo mesma e com as demais espécies. O pior, de fato, seria a inação: por descrença na possibilidade de conversão da humanidade, legar à futura geração um Planeta devastado e com parcas condições de vida.
Penso que hoje é imperioso desenvolver a espiritualidade política libertadora como a forma de espiritualidade cristã (e também de outras tradições religiosas) mais necessária para o mundo. Não sei avaliar até que ponto as Igrejas cristãs serão capazes de nos ajudar a vivenciar essa forma de espiritualidade, porque parecem só se ocupar de felicidade depois da morte. Mas se, com Pedro Casaldáliga, afirmamos que “queremos terra na Terra, já temos terra no Céu”, temos que buscar uma espiritualidade terrenal, uma espiritualidade que anime as lutas pela vida da Terra como casa comum que abriga a humanidade e todas as espécies vivas. Os Direitos da Mãe Terra e o Direito dos Animais não podem ser descartados como ocorre hoje. A espiritualidade política deve inspirar uma outra visão de mundo, onde a humanidade se integre na grande comunidade de vida do Planeta. Este é, em síntese, o propósito do Bem-viver: mais do que utopia, é verdadeira Sabedoria de Vida.
**http://www.ihu.unisinos.br/noticias/554129-o-cenario-que-se-desenha-hoje


Elementos para uma análise de conjuntura política

 Maio 2016

I.          Contexto Histórico

1.      Depois de derrotarmos o neoliberalismo, e passarmos dez anos de neodesenvolvimentismo, houve um esgotamento desse modelo.
2.      Há uma crise histórica e profunda de natureza: Econômica, Política, Social, Ambiental e de valores.
3.      Há uma crise do modo capitalista internacional – eles não têm saída a curto prazo. E a economia brasileira, periférica, subordinada a eles, é utilizada para aumentar a exploração dos trabalhadores e espoliação das riquezas naturais.
4.      As saídas serão prolongadas e conflitivas, pois dependem de articulação de um novo projeto a ser articulado pelas forças sociais.
5.      O capital internacional e nacional vão disputar todas as possibilidades de acumular capital no Brasil. E suas prioridades serão apropriar-se do petróleo (representa uma renda extraordinária de 200 bi de reais por ano); minérios; previdência social (mercantilizá-la para se apoderar da poupança dos trabalhadores); energia elétrica (pois várias hidrelétricas poderão ser privatizadas com renda extraordinária) e ainda privatização de diversas empresas e bancos públicos transformando-as em sociedades anônimas e por último privatizar serviços públicos que podem dar lucro na educação: saúde,etc).
6.      Para que o capital retome suas taxas de lucro e volte a acumular, só tem o caminho de diminuir o custo do trabalho, ou seja, retirar direitos dos trabalhadores, diminuir salários, etc.
7.      A médio prazo, a classe trabalhadora só poderá conter a volta do neoliberalismo e  construir seu próprio projeto com amplas mobilizações de massa e com o reascenso do movimento de massas em geral.

II.    O enfrentamento atual na luta de classes

1.       A Luta de Classes se acirrou na sociedade
a) Há disputa política e ideológica em cada espaço.
b) Acabou a posição de centro e com ele a política de conciliação de classes, que o PT/PcdoB e o governo aplicaram nos últimos anos.
c) A extrema direita ganhou espaços de influência ideológica na atual conjuntura, seja nas manifestações e nas redes (Bolsonaro, etc.), porém tem influência maior entre os mais ricos e não em toda sociedade.
d) Nas últimas semanas brotaram inúmeros atos, manifestos de setores influentes da sociedade, como energias progressistas, que estão enfrentando a hegemonia da Globo. E a votação do dia 17 de abril despertou entre a maioria da sociedade um sentimento de indignação contra o golpe legislativo-judiciário.
e) O futuro governo Temer-Cunha é um enigma, pois por mais que tenha conseguido aglutinar o poder econômico, a mídia e os parlamentares, tem apenas 8% de apoio na sociedade. Vai aplicar um programa neoliberal. Reunificou todas as forças partidárias conservadoras, reeditando o velho centrão que vem desde a constituinte. Mas ninguém sabe como serão as reações da população, que eles não controlam.


2.       Objetivos da direita/dos capitalistas
a) Recolocar o projeto neoliberal e subordinar nossa economia aos EUA. (Isso significa recompor as taxas de lucros, reduzir direitos dos trabalhadores, se apropriar de recursos públicos, privatizar mais empresas publicas, etc. Ou seja, colocar a exploração do trabalho em novo patamar para eles poderem sair da crise e voltarem a acumular. Para isso, será necessário:
b) Derrotar o governo Dilma.
c) Impedir a possibilidade de ter Lula como candidato em 2018, (pela via da desmoralização, ou mesmo transformá-lo em ficha suja, por alguma prisão fajuta)
d) Derrotar o PT e a Esquerda como proposta política alternativa de sociedade frente à crise do capitalismo.
e) E nesse contexto ir implementando as medidas neoliberais na sociedade, via Congresso, Judiciário, mídia.  Criar uma nova hegemonia ideológica na sociedade.

3.       A Direita está dividida na sua direção política entre os seguintes pólos, que podem se aglutinar ou disputarem entre si:
a) Frente Partidária - PMDB/PSDB/DEM, mas os partidos não tem representatividade na sociedade, apenas controlam as máquinas institucionais. E todos eles estão envolvidos também na corrupção e na operação lava-jato.
b) O Poder econômico – das empresas (têm também varias frações entre eles, alguns defendem o neoliberalismo e o golpe, outros sonham com neodesenvolvimentismo e outros não sabem para onde ir).
c) Núcleo ideológico: MPF + PF + Moro + Globo (agem por motivação político-ideológica e sem articulação com as demais frentes).
Nos próximos embates, podem emergir muitas contradições entre as três frentes de comando político deles, que precisamos explorar.

4.       Desfechos possíveis
a) As divisões nas articulações da direita podem levar ainda a diferentes desfechos.   Mesmo com a retirada da Presidenta Dilma, teremos 120 dias de muita disputa e ninguém sabe o que vai acontecer até as eleições de 2018.
b) Eles não podem jogar a operação lava-jato debaixo do tapete. E ela pode impugnar mais de cem parlamentares e vários dirigentes expressivos da direita e inviabilizar diversas empresas.
c) É possível que haja uma desmoralização geral da política. E se houver mobilizações e reascenso do movimento de massas, os temas da reforma política, da Assembleia Constituinte e da realização de novas eleições gerais, podem ganhar força política na sociedade.
d) Há duvidas se o governo Temer terá coragem de criminalizar os movimentos  populares, começando pelo MST. Pois será também um governo de crise permanente até as eleições de 2018, já que é um governo ilegítimo. O mais provável é que mescle medidas econômicas neoliberais, como pequenos agrados aos mais pobres.
e) E em relação aos movimentos organizados da classe trabalhadora, a criminalização virá pela mídia, pelo legislativo (com CPIs do Incra, da UNE da CUT)  e liberando as forças direitistas nos estados para realizarem a repressão, numa mescla da PM com os setores truculentos da burguesia e seus capangas (como já deram sinais no Paraná).

III- DESAFIOS e Necessidades da classe trabalhadorapara enfrentar a luta de classes :

1.        Debater na FBP (Frente Brasil popular) e com todos setores da classe e  aliados a necessidade de avançar nas paralisações, greves e mobilizações para enfrentar o capital. E, explicar para o povo a natureza do golpe e porque eles precisam a volta ao neoliberalismo.
2.        Enfrentar e denunciar a rede Globo, que é hoje o centro da direção político-ideológica da direita.
3.  A classe trabalhadora/FBP precisa ter uma pauta mais clara, um Plano de Emergência para além da defesa da legalidade do Governo, para dialogar com as massas, explicar a disputa de projetos entre: a volta do neoliberalismo ou avançar mais além do neodesenvolvimentismo.  Precisamos construir uma CARTA DO POVO BRASILEIRO para a sociedade, com dez, doze pontos bem claros.
4.  Melhorar as formas de se comunicar com as massas. Denunciando a corrupção de todos os políticos e mostrando a necessidade de uma reforma política, exigindo mudanças na política econômica e nas políticas publicas para melhorar as condições de vida da população. Defender a soberania nacional, ou seja, que as riquezas naturais (petróleo, minérios, energia) sejam para resolver os problemas do povo e não apenas para lucro máximo das empresas.
5.        Construir novos métodos e novas formas de condução e de fazer política.
Sem hegemonismos, protagonismos, vanguardismos, com democracia participativa, etc.
6.             Construir um Projeto Popular para o Brasil, como programa estratégico que contribua na construção do socialismo.
a) Formar um grupo com representante de diversos setores, como intelectuais orgânicos, dirigentes para sistematizar o acúmulo que existe na classe e na sociedade.
b) Praticar a Pedagogia de massas, usando o projeto para construir com a base social, corrigi-lo e motivar as massas a lutarem.
7.             Retomar a formação política e a consciência soccial para avaliar a Luta de Classes corretamente.





quarta-feira, 4 de maio de 2016

Lutou pelo bom, pelo belo e pelo justo - William Bonfim


Temos difíceis. Tempos de luto pessoal e coletivo. Domingo, 1º de maio de 2016, recebi nas primeiras horas a notícia da morte física do Lourival Rodrigues da Silva, 49 anos. Este homem/amigo é parte da minha estória, da estória de tantos outros/as pessoas e da história de um país. Sem modéstia. Nas ruas, manifestações no Dia do Trabalhador denunciaram a falácia do processo de impeachement de uma presidente - democraticamente eleita pelo povo brasileiro - conduzido por homens de conduta questionável. Tempos de morte de um projeto de nação, cujo um dos eixos centrais foram a inclusão social e a distribuição de renda, sonhado e construído por milhares de mãos.

Tempo em que o fascimo dá as caras no Congresso Nacional, nos púlpitos, nas redes sociais e até mesmo na atitude de pessoas próximas. Tempo em que o conservadorismo ganha expressão no comportamento de pessoas aparentemente “esclarecidas”. Tempo em que a disputa pelo poder valida as estratégias mais rasteiras e mesquinhas: roubar, matar, fazer o outro menor, não enxergar o bem coletivo. Tempo no qual isto é aceito e justificado sob a proteção da “legalidade”, com o aval de instituições que deveriam zelar pela ética e pelo bem comum. Tempo em que as igrejas, que deveriam promover a paz, estão preocupadas em fazer valer seus projetos de poder.

Como, em meio a tudo isto, não lembrar de você Louri que foi, simultaneamente, trilhando e sendo trilhado por um itinerário que anuncia valores de amizade, de afetos e partilha, de acolhida das diferenças, de superação de desafios, de utopia de um mundo melhor, sem divisões e com novas relações, de estética e beleza. Uma trilha na qual não há perdedores e nem vencedores, mas irmãos e irmãs, caminhantes do bem viver. Um caminho onde a mesa da “comensalidade”, do comer juntos, do partilhar a comida e o pão da vida, é o lugar central e sagrado, onde a amizade se refaz dos cansaços da estrada e se realimenta de estórias e esperanças e os projetos se costuram e enfeitam de beleza, estratégias e concretude...

Desde a sua carroça, primeiro instrumento de trabalho nas ruas do setor Fimsocial, bairro pobre da periferia de Goiânia, projetou e empreendeu sonhos e caminhos, individuais e coletivos. Você, junto a tantos/as buscadores da paz, deu bases e ajudou a edificar a Pastoral da Juventude de São Luis de Montes Belos, de Goiânia, do Centro Oeste, do Brasil e da América Latina. Você deu fundamento ao que conhecemos por Casa da Juventude Pe. Burnier. Você sistematizou e publicou tantas experiências que vivenciamos. Você deu vida a uma pós-graduação e pesquisas sobre a realidade juvenil... Você empreendeu lutas no campo das políticas públicas, pelos direitos das crianças, adolescentes e da juventude. Você plantou e colheu, em vida, o Cajueiro. Fomos com você e com tantos e tantas irmãos/as colaborando, de diferentes formas e em diferentes lugares, na costura deste projeto.

Você não se furtou a comprar uma boa briga pelo que considerava ser justo. Nunca fugiu a nenhum desafio. Enfrentava-os como se enfrenta a um touro bravo, encarando-o frente a frente, fitando-o profundamente no olho, segurando-o pelo chifre, superando-o com a doação do seu melhor conhecimento, capacidade de trabalho e entregas de resultados efetivos. Você soube conjugar o verbo amar, o trabalho coletivo e cuidado essencial das relações, da amizade... Tinha o dom de nos questionar sempre e nos tirar sempre da nossa “zona de conforto”. De nos fazer pensar sobre o sentido de nossas vidas e nosso projetos. Como disse a Shirlaine Valeriano, em seu velório: “O Louri foi o ser que mais me compreendeu”. E certamente, como a mim, também a tantos/as outros/as.
Tua passagem me faz pensar e refletir sobre o câncer. Na sociedade na qual estamos mergulhados, como bem lembrou outra amiga Eliane Martins, do Rio Grande do Sul, estamos todos na fila desta doença. Mais cedo ou mais tarde nos defrontaremos com câncer, nosso ou de amigos e familiares. Afinal, o que está errado é este modo de vida forjado pelo capitalismo, que devemos combater e denunciar: alimentação inadequada, cheia de venenos e agrotóxicos, estresse provocado por trabalho desumanizante, falta de tempo para cultivar o que é essencial e processar as emoções, medos e angústias. Me fez também pensar nas mágoas que vamos guardando e que possuem uma imensa capacidade tóxica de fazer mal ao nosso corpo e à nossa saúde. Me fez pensar na necessidade do perdão. O perdão ensinado por Jesus Cristo que pede que perdoemos até mesmo os nossos inimigos.

Um homem, uma mulher não se tecem sozinhos. A esperança também não. Uma manhã precisa de vários galos para ser anunciada, como bem nos lembrou o poeta João Cabral de Melo Neto. Vivemos um luto coletivo de um projeto de sociedade e da perda de um grande amigo. Que tenhamos a capacidade de nos perdoar, de perdoar e de ser perdoados. Que cuidemos uns dos outros, repensemos nossa forma de viver e alimentar, cuidemos da nossa casa comum. Entrelacemos redes de solidariedade e afeto. Compartilhemos o pão, as dores e alegrias. Avancemos, com gestos concretos, para a utopia do bem viver.

À sombra de uma árvore, à luz de um belo entardecer, aos pés do Santuário do Divino Pai Eterno e rodeado de gente querida seu corpo físico, Louri, desceu ao barro. Mas sua vida e exemplos transcendem o tempo e o espaço. Amigos e inimigos, afetos e desafetos, de perto e de longe, vieram-lhe render uma última homenagem. Prá mim sua grandeza se reflete nisto. E afinal é isto que importa. O que você amou. Os que o amaram. Tudo o mais são penduricalhos de vidas que não conseguem enxergar além de si mesmas, que se fiam na perspectiva egoísta e na falsa ideia de que se bastam e que podem prescindir de lutar pelo que é belo, bom e justo, como você sempre fez.

Willian Bonfim

O dia e o tempo Pascal exige uma carta: Querido Lourival - Luis Duarte





Querido Lourival,

O dia e o tempo pascal que vivemos me convida a te escrever. Confesso que é estranho pensar que irei ao CAJUEIRO e não te encontrarei mais. É estranho ter que aprender a lidar com sua ausência física. É claro, você nunca morrerá em nós e nas causas que assumimos. Mas, preciso dizer que sua ausência é sentida.

Sei que sabes, mas quero lhe contar algumas coisas que vivemos ontem em seu velório, na grande festa da ressurreição. De fato, por mais estranho que pareça, vivemos uma festa. A grande festa da ressurreição. A grande festa das causas e da doação.

Depois de ficar sabendo de sua páscoa, entre vários amigos que avisei, falei com o mano Jean. E meu dia foi marcado pela presença e amor do mano que me cuidou e me ajudou a organizar o ODJ. Um gesto simples para ajudar os grupos de jovens a rezarem sua Páscoa para que a missão siga sempre mais viva e forte.  Logo em seguida, partimos daqui de Rio Verde, em meio de choros e abraços, eu, Karlos, Hellen, Alessandro, Edina, Luiz Rogério e Júlio. Foi uma viagem cheia de silêncios, memórias e partilhas.

Já na chegada era impressionante o número de amigos/as ali reunidos/as. Foi uma festa com tanta gente... De tantos lugares... Com tantas histórias... Sua vida e sua doação reuniu tantos/as amigos/as e familiares na despedida e envio. Até a Vanildes, lutando forte contra o câncer, estava. Sei que a abracei e chorei junto. A Flor, uma das mais novas em nosso meio, estava com seu sorriso e seu olhar carregado de horizonte. A Quel em olhar longe, carregado de memória... Quim, lembrando que você sempre questionava o projeto de vida... A Alessandra, a quem você tanto incentivou e cuidou, mesmo com a perna machucada estava lá... Até a Edina, vindo da missão na África... É claro que faltou muita gente que estava longe, mas muito perto e próximo. Hilário, do RS, nosso mestre e avô, dizendo-nos em meio de choros e rezas que sua vida é uma surra de esperança... Sei que o avô chorou. Ainda bem que a mana Pati estava lá cuidando dele. Mirim e Mercedes lá em São Félix sonhando e organizando a  Romaria dos Mártires.. O Guigo, recordando sua ajuda no ICJ e sua amizade... O povo da PJ espalhado pelo país todo... Seus inúmeros alunos/as e tantos/as jovens assessorados por você... Todos/as num amor sem tamanho, celebrando junto a doação de sua vida...

Em meio aos choros e abraços, sua memória nos unia e nos comprometia. Você jamais morrerá em nós. Porque, muito do que somos se deve a você. Na recordação da vida, foi impressionante (e fez todo mundo chorar) o número de pessoas que narravam as memórias que guardavam de você.  Foi de arrepiar escutar uma vovozinha dizendo de como você foi importante na vida de seus netos e filhos e que por isso ela estava ali com o coração agradecido.

Todos choraram quando a Cida disse forte: “o Lourival me ensinou a ser gente. Com ele, eu aprendi a ser gente”. Como negar sua contribuição para que centenas de nós nos tornássemos autônomos/as e felizes?

Como negar o bem que sua vida fez na Pastoral da Juventude? Foi muito forte a presença de seu grupo de jovens RUACC. Impressionante a presença, a fala, o choro... Forte demais a presença dos amigos/as do Floris e Frutos... O choro de Azézio era o choro de tantos/as amigos/as que fizeste na PJ...

Na Eucaristia, presidida por Geraldo e Célio, junto de duas pastoras, todos/as comungamos do AMOR, na certeza da vida que rompe a morte. O choro de Geraldo e de Célio.  Entre cantos e choros, sua memória nos animava. Não dei conta de segurar as lágrimas com Claudinha, que tanto lhe cuidou, contando que você dizia: “Deus está me chamando para dormir!”. Como não chorar com a oferta de Rosas a ti, ao Ciron (seu amor e companheiro, que lhe cuidou e amou) e a sua mãe, Dona Abigair, que nos ofertou você...

Você pensou em tudo e todos/as... Escolheu a bata que desejava usar, reafirmando mais uma vez sua pertença ao povo latino, sendo sempre um goiano de pé rachado.  Escolheu os pés do Divino Pai eterno para acolher seu descanso eterno. É uma volta ao amor da infância... Até o por do sol foi lindo: um presente seu para nós. E um presente do Gisley, Floris, Albano, Wal, Raimundo, Deusdete, Julciene que te precederam no martírio e na eternidade amorosa. Sei que teve bonita festa no céu para te acolher. Eles também estavam na Eucaristia. Os senti.

O carroceiro que virou pesquisador (Miriam) .... O pobre que derrotou o capitalismo (Rezende)... O homem que me acolheu e sempre acolheu todos (alguém disse)... Gratidão, gratidão, gratidão (disse a Kelli)... E como não se emocionar com Marlúcia, sua irmã, falando?

Impressionante como sempre falavam de você, de Carmem e de Rezende juntos/as... Vocês marcaram a vida de tantos/as... Não posso deixar de mencionar esses dois amigos, mestres e amados/as. O coração doía ao ver as lágrimas dos dois... Também da Vanildes. Na verdade, doía demais ver o choro de todos. Mas, dizer de Carmem, Rezende e Vanildes é dizer de três pessoas imensamente amadas por ti e que te amavam demais... Mas, é dizer de como e do quanto vocês fizeram juntos/as... É claro, que juntos deles estão Edina, Alessandra, Marcelo, Willian, Berg, Geraldo, Claudinha, Arilene, Ciron, Kelli e tantos/as outros/as...

Abraçado no Marcelo, nos perguntamos: “e agora?” E agora? O que faremos? O que faremos sem o Lourival? Com o Berg conversei a mesma coisa, também no carro com o povo de Rio Verde... Já estávamos sem Wal, Floris, Albano e Gisley... O que faremos sem você? Você que sempre cuidou de todos/as nós também pensou nisso... Na véspera de sua Páscoa, pediu que seu sobrinho, um jovem, chamasse e Carmem. E você disse a ela, dizendo a todos/as e cada um/a de nós: “o projeto”. Sim Lourival, amigo e assessor, mestre e amigo, seguiremos com o projeto. Carmem escutou em nosso nome e respondeu em nosso nome: “o projeto vai continuar!”. O CAJUEIRO vai crescer e dar mais frutos. A causa da vida da juventude mais vez é assumida e re-assumida por todos/as nós. Você não morrerá meu amigo, porque sua vida que foi toda doação será sempre eternidade...

Em meio de mantras, que cantamos várias vezes ao longo do dia, devolvemos teu corpo à terra. As palavras ainda não mensuram tudo que sinto e sentimos. Sei que você não morrerá em nós amigo. Sei que a causa jamais terá fim! De minha parte, ainda preciso agradecer tudo que você foi e é em minha vida e em meu processo. Tanto poderia e devo dizer. Mas, deixo isso para a próxima carta. Não faltarão cartas amigo. Te amo. Te amamos! Ajude-nos a cuidar da juventude. Beije o Wal, o Gisley e o Floris por mim.

Beijos e abraços,

Luis Duarte

Mensagem da Áustria - DKA envia mensagem pela Páscoa de Lourival



Tudo que você ama
Você eventualmente perderá
Mas no fim
O amor retornará
Em uma forma diferente   
Franz Kafka

Recebam antes de tudo um abraço recheado de carinho, memórias e saudades. 
Nestas horas não é fácil encontrar palavras que possam ser capazes de expressar o que sentimos - saudades, muitas saudades de todos vocês e saudades do Lourival!! É difícil entender que Lourival partiu para a outra forma de ser e acompanhar isso a distancia parece mais difícil ainda. 
Queríamos unir a vocês e celebrar a Pascoa do Lourival junto a vocês. Acompanhamos pelo face as mensagens de solidariedade e carinho para com ele, não esperávamos que partisse tão cedo.
 Ano passado ainda nos escreveu sobre a situação do Brasil e a dele cheio de esperança as seguintes palavras que são proféticas e sabias: “... um pensamento punitivo de olho por olho e dente por dente e fazer justiça com as próprias mãos nos assusta. Neste contexto ainda sofremos para trazer a esperança e construir um outro modelo de sociedade. Temos sentido uma falta de lideranças com horizontes para a defesa da vida, da justiça e do seguimento a Jesus. Mas estamos de pé acreditando, investindo e buscando caminhos para dar nossa contribuição para um pensamento diferente... a todo momento é necessário buscar pistas e animar a caminhada.”
 Muita gratidão pela vida de Lourival, pelo exemplo dele, pela partilha e a comunhão com ele nos vários  intercâmbios e nas visitas que fizemos ao CAJU e CAJUEIRO.
Desejamos força e coragem para tod@s vocês que estão seguindo no caminho, na trilha com as juventudes, buscando a defesa da vida, da justiça e o seguimento de Jesus. Os nossos sinceros pêsames em nome de toda equipe de DKA neste momento, estamos unidos apesar da distancia que nos separa geograficamente.
Lourival, presente hoje e sempre!
Abraços de coração a cada um/a de vocês e à família do Lourival.
Angela, Clemens, Karin em nome de toda equipe da DKA






terça-feira, 3 de maio de 2016

A bandeira dos povos originários da América Latina vai pro meu amigo Louvial ... Diane Valdez

A bandeira dos povos originários da América Latina vai pro meu amigo Lourival...

 Fiz parte da coordenação de um encontro do JUBRA (Simpósio Internacional Sobre a Juventude Brasileira), uma década atrás e tinha uma mesa com o tema: "A juventude no Brasil e na América Latina". Tive uma síncope, com meu jeito sempre meigo, esbravejei, bati o pé, falei que Brasil fazia parte da A. Latina, que nós tínhamos que assumir isso, que eu ficava com vergonha dos colegas de outros países, etc etc... Todos me escutaram, fingindo não escutar, achando que isso era insignificante. 

Lourival, meu amigo de décadas, ia coordenar esta mesa e ele abriu os trabalhos com esta bandeira na mesa e com uma fala linda sobre ser latino americano. Chorei. Ele me escutou. Depois disso, toda vez que via essa bandeira, eu o abraçava nela. 

Toda vez que eu pensava em gente cristã com buniteza, eu abraçava o Lori. Toda vez que eu pensava em gente que amo sem barreiras, pensava nele. Lori foi embora hoje, e eu não consigo parar de pensar no meu egoísmo de achar que ele não tinha que morrer, pois eu o queria perto de mim. Eu o queria aqui 'bem meu vizinho', no prédio atrás do meu, onde ele tinha uma foto nossa no porta retrato. 

Eu o queria aqui, com essa gente que chamo de Casa da Juventude, que sempre disse ser o meu único lado cristão. Eu o queria aqui perto de mim, fazendo troça do meu ateísmo e ignorando minha ignorância sem fé. 

Lori é um dos meus amores que perdi. Se ele estivesse aqui diria "...Deixa de ser boba, quem a gente ama, não perde...". Mas eu o perdi. Na minha descrença com a fé, eu perdi, não só eu, todos nós que acreditamos em um mundo melhor e não fazemos esforço para tentar colocar em prática. Eu perdi... E a dor é grande demais...
Te amo para sempre Lori... meu amor!