quarta-feira, 27 de maio de 2015

O mundo – por Eduardo Galeano



Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.

— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.

Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.


 Eduardo Galeano, escritor uruguaio.
Publicado no Livro dos Abraços, editora LPM, 1991.

imagem
desenho dos Alunos do oitavo e nono ano EMEF Guaracy Barroso Marinho, Passo Fundo, interpretando o conto "O mundo", de Galeano.

Publicado no blog do Nei Alberto Pies

terça-feira, 26 de maio de 2015

Defesa do doutorado de Walderes é notícia no Jornal O POPULAR


Queremos reforçar o convite para você participar da homenagem que será prestada ao Walderes Brito, jornalista, que fez sua tese de doutorado, com sanduíche no Canadá. Em dezembro de 2013, faleceu antes de fazer a defesa da sua tese.
A Universidade fará uma cerimônia de homenagem a este grande homem. 

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Formação organizada em parceria - Instituto JMJ com o Cajueiro - Centro de Juventude





Inicia hoje a aventura de formação das irmãs, leigos e clero do Instituto Jesus Maria e José que será um acampamento em Nazaré. Serão dois meses para cultivar a mística deste lugar e, para aprofundar sobre a afetividade e a sexualidade no trabalho com a juventude.

Esta aventura tem como objetivo aprofundar  o conhecimento sobre nós e a elaboração de projetos de vida. Somente pessoas com projetos de vida claro são capazes de acompanhar outras pessoas em seus processos grupais e pessoais. Esta aventura que acontece em Nazaré tem como inspiração Jesus que entra na Sinagoga em Nazaré para proclamar quem Ele é e qual é o Projeto que ele tem para viver.

O grupo do Instituto está organizado em 55 pessoas. Sendo pessoas dos Estados - DF, Goiás, Mato Grosso,Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e uma pessoa da África - Cabo Verde. Um grupo distinto e com muitas riquezas por sua diversidade de lugar.

Uma turma de mulheres e com a presença de cinco homens, sendo 18 pessoas leigas e uma pessoa do clero e 36 religiosas. Uma variedade de vocações no serviço da Igreja para aprofundar o ministério do acompanhamento aos adolescentes e jovens.

 Os grupos vão desde o Instituto JMJ com suas organizações internas, colégios, pastoral da criança, pastoral familiar, pastoral juvenil, pastoral vocacional, catequese...

O caminho de formação que oferecemos neste curso tem uma perspectiva INTEGRAL portanto, de trabalhar todas as dimensões da pessoa. É um projeto que tem referência no documento de Evangelização da Juventude da CNBB, do Marco de Referência da Pastoral da Juventude Latino Americana - Civilização do Amor - Projeto e Missão e na coleção Na Trilha do Grupo de Jovens.

Esta Iniciativa de formação é do Centro de Juventude Cajueiro em parceria com vários outros grupos. Se deseja também organizar a sua turma, da sua congregação ou diocese, paróquia, etc estamos a disposição em virtual@cajueiro.org.br

Se você deseja apoiar financeiramente esta iniciativa para que outras pessoas possam fazer pode ser um doador/a CLIQUE AQUI E SAIBA COMO APOIAR




terça-feira, 19 de maio de 2015

IV ENCONTRO DIOCESANO DE FORMAÇÃO DE ASSESSORES/AS /// ENCONTRO REGIONAL DE FORMAÇÃO ASSESSORES/AS







Queridos/as Assessores/as,
Prezados agentes de Pastoral,

                Sabemos da importância e da necessidade do acompanhamento aos grupos de jovens e aos jovens. Este acompanhamento denominamos de Assessoria. O/A Assessor/a é aquela pessoa chamada ao serviço do acompanhamento da juventude na sua formação integral.

            No plano de ação da nossa Pastoral assumimos a realização de um Encontro anual de Formação de Assessores Adultos e de adultos que desejam assumir este ministério.  Teremos então o IV ECONTRO DIOCESANO DE FORMAÇÃO DE ASSESSORES/AS.

Quando? 30 e 31 de maio, começando sábado as 8 horas e encerrando, domingo com almoço as 13 horas;


- Onde? Centro Diocesano de Pastoral – CDP – Cidade de Goias;

-   Para quem? Assessores/as dos grupos de jovens, catequistas de jovens e adultos que desejam acompanhar os jovens.

- Quem vai assessorar: Padre Geraldo Nascimento, Cajueiro,  Jesuita,  hoje participa do Centro de Juventude Cajueiro, comissão pela verdade e muitos anos trabalha com a fraternidade dos doentes e deficientes.

- Como participar? Fazer inscrição em anexo  e enviar para João Marcos: joaomarcospikarid@hotmail.com 62 9375 5783 e  Pe. Wellington Pain: wellingtonpain@hotmail.com 62 8592 7171   até o dia 25 de maio.  

- Valor da contribuição?  R$ 50,00.
            Pedimos os agentes de Pastoral que incentivem a participação dos adultos nesta formação.

            Um forte abraço.

João Marcos                                                            Pe. Wellington Pain
Coordenador Diocesano da PJ                        Assessor Diocesano da PJ

domingo, 17 de maio de 2015

Homenagem póstuma à Walderes Brito - Entrega do Título de Doutor




Nós do Centro de Juventude Cajueiro convidamos todas as pessoas para prestar a homenagem a Walderes Brito, amigo e companheiro, na luta pelos direitos e no trabalho com a juventude. 

A homenagem é organizada pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da UFG realizará no dia 28 de maio, quinta-feira, a partir das 19 horas no Miniauditório Luiz Palacin (Faculdade de Ciências Sociais/CAMPUS II), uma homenagem ao nosso aluno Walderes Lima Brito.

Trata-se de uma sessão de entrega de título simbólico de doutorado ao aluno que veio a falecer meses antes da defesa de tese.

Na sessão estão previstos os seguintes momentos: apresentação biográfica (Rezende Bruno Avelar); apresentação da Tese (Heloisa Dias Bezerra); apresentação de Cordel sobre a vida do Walderes (Simone Oliveira); projeção de vídeo e fotos; falas dos participantes.

Portanto, tod@s estão convidad@s a participarem deste momento de celebração da memória deste personagem que marcou a história do PPGS.

Abraços

Atividade: Sessão em homenagem à Walderes Lima de Brito
Data: 28/08, quinta-feira
Hora: 19 horas
Local: Miniauditório (FCS/CAMPUS II)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Construindo um Espaço de Formação para Juventude!




 “Tu vens, Tu Vens, Eu já escuto teus sinais”.

Sou Emanuel Costa, membro da Rede de Assessores/as e Cuidantes da Juventude (RACJ) e quero compartilhar um sonho com todos vocês, jovens e assessores. É que a gente quer construir um Centro de Formação da Juventude.

Como vocês devem saber, a RACJ teve início a partir de uma situação de desarticulação dos assessores na Arquidiocese de Manaus e por iniciativa dos jovens da Equipe de Animação da PJ tivemos um encontro com o guru Pe. Hilário Dick. Isso aconteceu durante o evento chamado “Semana do Jovem Líder, no início de 2011. Os jovens sentiram a necessidade de serem acompanhados e convidaram pessoas adultas para este encontro, ocorrido de 05 a 06 de fevereiro. Foi um encontro rico, especial e marcante para os jovens e assessores que comparecerem ao evento e fortaleceu a chama de todos/as para o trabalho missionário com a juventude. Pe. Hilário chamou nossa atenção “Vocês irão deixar os jovens abandonados?”.

Sentimos a necessidade de um outro encontro com a presença de religiosos e adultos que apoiavam a caminhada da juventude na Igreja, queríamos chamar para a partilha do serviço e agendamos o Encontro para o dia 27/02/11 na Casa dos Irmãos Maristas, no bairro D. Pedro. Neste dia retomamos o conteúdo do encontro do Pe. Hilário Dick, ressaltando que a juventude é o espaço sagrado de Deus e o nosso espaço de missão. Tivemos a participação de mais de trinta pessoas. Partilhamos um pouco da realidade da Equipe de Animação da Pastoral, do árduo trabalho na realização de eventos para a juventude. A partir das reflexões feitas, decidimos pela criação formal da Rede de Assessore/as e Cuidantes da Juventude na Arquidiocese de Manaus, para acompanhar a caminhada dos jovens.

Em janeiro de 2012 realizamos o 1º. Fórum de Assessores, Assessoras e Cuidantes da Juventude - 1º. FAAC com o objetivo de “fomentar a vivência da espiritualidade, a animação do ministério da assessoria e a capacitação técnica dos assessores e cuidantes da juventude da Arquidiocese de Manaus”. O mesmo foi realizado no Centro São Vicente Palotti (Setor 4). Neste encontro, bonito e rico, onde participaram vários assessores/as, cuidantes e lideranças jovens, tivemos a presença ilustre de Pe. José Benedito (SDB), o nosso querido Pe. Bené e tratamos sobre o Ministério da Assessoria.

Desde lá vimos acompanhando a caminha da juventude, especialmente a PJ Arquidiocesana, que como uma linda criança “cresceu em tamanho e graça, diante de Deus e da comunidade”. Realizaram-se as IX e X AAPJ (Assembleia da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Manaus), com a participação de cerca de 170 pessoas. Percebemos um imenso crescimento pastoral e hoje sentimos a necessidade de irmos para águas mais profundas, intensificarmos nosso cuidado a outros jovens e estamos sonhando com um espaço de formação, cuidadora, escuta, arte, espiritualidade, participação política para os jovens em suas diversas realidades. Estamos sonhando com a criação de um Centro de Formação da Juventude.

Sim, queridos/as, queremos ampliar nossa ação proporcionar formação e acompanhamento na área cultural e artística; Cidadania; Espiritualidade e Liturgia. Apoiar a Missão Jovem, e continuar com a nossa Rede de Assessores e Cuidantes de Jovens. Essas ações entrelaçadas, darão corpo ao Centro de Formação da Juventude, que por enquanto não tem nome, mas têm propostas, de acordo com nossa cultura amazônica.

Sonhamos com um espaço onde os jovens, assessores e cuidantes possam ser acolhidos, ouvidos, valorizados em suas vidas. Será um lugar sagrado, onde todos se sintam a vontade, um cantinho de amor e ternura. Ao mesmo tempo queremos ir ao encontro dos jovens: assessorar retiros, cursos, oficinas, apoiar atividades. Vamos sonhar juntos? Como vocês acham que poderia funcionar o Espaço do Centro de Formação da Juventude? Como vocês poderiam se envolver neste projeto? Qual nome vocês sugerem?

Ele já está vindo, alegre, saltitante, como uma criança. Seremos felizes juntos. Lá vem nosso Centro de Juventude, lá vem! Já escutamos seus sinais!!!

Com carinho! Emanuel Costa

domingo, 10 de maio de 2015

Notícias de uma Comunidade Artística - uma experiência de acompanhamento da juventude empobrecida




Quero contar para vocês, em forma de relato, o que meus olhos viram: cuidado com a vida da juventude onde ela está e com atenção a seus gritos e necessidades.

Estive em Manaus nos dias 1 a 6 de maio. Foram vários encontros. Aqui quero partilhar o encontro com Jonatas Vicente, o Jon. Eu o conheci em Imperatriz/MA foi um tempo de partilha da vida e dos sonhos. Ele me contou do esforço de ser coerente, de não entrar na onda do consumismo, de não comprar coisas que estão apresentadas pelo sistema como fundamentais. Na época não tinha celular, nem computador. Ele jovem pobre poderia fazer um esforço e ter, porém assumiu viver com o mínimo.

Eu, Emanuel, Andreia e Lidiane fomos visitar sua casa na periferia de Manaus/AM. Ele pela manhã cuida da mãe que está enferma. Se dedica a estar com ela como uma missão e cuidado. Estava fazendo o almoço. Combinamos voltar a tarde.Encontramos falamos dele, da saúde da mãe, da vida...

Quando voltamos a tarde, deixamos a Lidiane na Universidade para seus estudos de Mestrado e, estávamos com Nelcy, uma religiosa que viveu quase 10 anos em Manaus, trabalhando com juventude, e agora quase 20 anos depois volta para atuar em uma comunidade. Fomos guiados por Andreia até uma das periferias bem distantes de cidades grandes.

Paramos em uma rua paralela e adentramos na Comunidade Artística. Lá dentro uma riqueza impressionante, produzidas por jovens da periferia, maltratados pelos sistema, gente da margem. Espaço uma sala e uma cozinha. Parece pouco. O lugar é um ponto. Onde se encontra uma resistência revolucionária que diz não aos sistema capitalista e diz sim a vida e a diversidade da juventude com sua criatividade.

Jon inicia nos mostrando cada objeto, diz do jovem que está atrás da obra, fala com conhecimento, diz da vida e dos desejos desta pessoa. Conta detalhes de cada pessoa que frequenta o espaço. E dos desejos que querem realizar. Conta-nos que neste espaço sem nenhum financiamento eles se organizam – produzem música, produzem artes gráficas – desenhos mais nativos e expressões do hip hop e outros desenhos. Arte em camiseta, produção de pinturas, construção de CD com as músicas autoral.... E fala do esforço de viver da arte e como entre eles compartilha e realizam em forma de solidariedade.

Escutamos, ficamos nos perguntando sobre aquele espaço. Uma pessoa determinada em cuidar da vida da juventude, enxerga um adolescente de uns 11/12 anos que desce do ônibus carregado de um feixe de cabos de vassouras. Percebe que o peso é demais, aproxima carrega e conversa para saber de que se trata e descobre que é a forma que o neto mantém a vida dele e da avó. E nos diz deste esforço de manter a vida.

Conta-nos de sua opção e fala da sua estética corporal e da estética dos jovens. Diz esta estética exclui dos ambientes comunitários, das Igrejas. E que aproxima ele dos jovens, até mesmo do jovens que vivem nas malocas e no tráfico de drogas, dizendo que este aproximam sem medo para partilhar seus dramas.

Tinha muita coisa para ver e outras tantas  para escutar. Claro foi um pouco mais de uma hora. O tempo é muito pouco. Fomos embora, deixamos Andreia e logo após a Nelcy. Emauel e eu fomos conversando sobre esta ação deste nosso amigo. Como que uma pessoa com tão pouca estrutura econômica,  sem apoio, apenas com uma ideia e suas capacidades artística pode fazer diferença no mundo? Como nós podemos aproximar para aprender? O que podemos fazer para fortalecer redes onde estas iniciativas possam recebem apoio econômico para poder continuar a cuidar da vida desta juventude?

E a partir daí, por onde passamos o Jon veio conosco, todo lugar o assunto era o projeto da Comunidade Artística. Como podemos aprender para aproximar da juventude? O que os jovens da periferia que vive na condição de excluído do sistema, que são exterminados, buscam para se organizar? Como a arte pode ser um caminho para a expressão de suas vozes para a transformação do mundo?

Emanuel me presenteou um disco Mc Vira Lata com várias músicas. Agora volto, ainda no avião, desejo partilhar esta experiência, quero continuar levando o Jon com sua coragem, com sua simplicidade e com sua capacidade criativa para pensar novos caminhos. Agradecer estas pessoas que comigo estiveram nesta aventura de aprendizagem.

Caso desejem conhecer e saber mais sobre a Comunidade Artística bastam curtir a página deles no face. Comunidade artística - curta  ajudem a divulgar.
06 de maio 2015, viagem a Manaus, carregada de encontros e descobertas, Carmem Lucia Teixeira



quinta-feira, 7 de maio de 2015

Fórum virtual sobre a Redução da Maioridade Penal


 

 

Fórum Temático


Em 2015, diante de tantos desafios políticos, o CEBI Virtual se propõe a discutir a temática da redução da maioridade penal. No fórum, onde são bem vindas opiniões favoráveis ou contrárias à redução, o objetivo é a conscientização e  construção de uma imagem positiva da juventude, oferecendo subsídios para um melhor posicionamento na família, comunidade e relações de amizade, diante da polêmica. Venha participar conosco!
Gostou da ideia?
Quer fazer parte dessas reflexões?
Então se achegue e seja muito bem vindo e bem vida!
Inscrições até 15 de Maio de 2015 através do link: Inscrição.
Quanto custa?
Se você puder contribuir com R$ 10,00 ou mais, dentro das suas possibilidades será muito bem vinda a sua contribuição para nos ajudar com os gastos da estrutura do CEBI Virtual.
Para fazer a contribuição faça a sua inscrição e selecione o valor a doar. Caso não tenha condições de doar, se inscreva também!
O mundo carece de bons espaços de reflexões sobre temas que são fundamentais para a construção de um outro mundo possível, queremos fazer dos espaços virtuais um lugar fértil para esse tipo de diálogo e contamos com você para essa conversa.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

CARTA MANIFESTO: Goiás Contra a Redução da Idade Penal

Para: Deputados/as e Senadores/as Brasileiros/as

CARTA MANIFESTO
Goiás Contra a Redução da Idade Penal


O “Goiás Contra a Redução da Idade Penal”, uma articulação que reúne coletivos, movimentos sociais, entidades civis que atuam na promoção e defesa dos Direitos Humanos, avalia que a sociedade vivencia um momento histórico-político em que as posições conservadoras e reacionárias se fortalecem em diversos campos. No Congresso Nacional, inicia-se a legislatura de perfil mais reacionário desde 1964, priorizando na agenda parlamentar uma campanha de retirada de direitos e retrocessos nas conquistas sociais, materializada em projetos de lei e emendas constitucionais como o da precarização do trabalho, da revogação do estatuto do desarmamento e da redução da idade penal.

A defesa da redução da maioridade penal ou o prolongamento do tempo de internação de crianças e adolescentes em medidas socioeducativas tem sido uma bandeira de grupos que ignoram todas as estéticas, estudos e opiniões de especialistas no tema da infância e juventude e tentam manipular a opinião pública vendendo uma falsa ideia de que reduzir a idade penal é reduzir a violência. Ora, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef-ONU), apenas 1% dos homicídios registrados no Brasil é cometido por adolescentes entre 16 e 17 anos, e, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública, divulgados recentemente pelo Ministério da Justiça, estima-se que somente 0,9% do total de crimes praticados no País têm participação de adolescentes.

Por outro lado, os meios de comunicação têm instalado um clima de pânico e de terror para associar a violência aos adolescentes e jovens, criminalizando-os/as. É preciso estar alerta para esta manipulação que coloca em risco a vida dos/as jovens, já tão ameaçada e vulnerabilizada. É também importante saber que os/as adolescentes já respondem plenamente perante um sistema previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, podendo, inclusive, ter como pena a privação da liberdade. Em um País que mata em média 56 mil pessoas por ano – dessas, 30 mil jovens e, entre eles, 77% negros –, não se pode, em hipótese alguma, estabelecer a cadeia e a morte como destino para sua juventude.

A aprovação da PEC 171/94, na CCJ da Câmara dos Deputados, desrespeita a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e as Convenções Internacionais, pois representa um duro golpe contra os adolescentes e jovens e surge na contramão dos movimentos de direitos humanos e de toda a sociedade brasileira. É preciso reagir com força e coragem em defesa da democracia e da vida segura da juventude.

Nesse sentido, convidamos todos/as vocês a se somarem na luta “Goiás Contra A Redução da Idade Penal”, revelando na escola, na comunidade, na sociedade, em todos os espaços, o retrocesso que a aprovação desta pauta significa para a sociedade brasileira.


Agentes de Pastoral Negros – APNS
Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Assessoria Municipal de Direitos Humanos (Prefeitura de Goiânia)
Associação de Psicologia e Desenvolvimento Social
Centro Acadêmico Carlos Marighela (UFG Cidade de Goiás)
Centro Acadêmico de Psicologia (UFG Regional Catalão)
Centro Acadêmico de Psicologia XII de Maio (PUC Goiás)
Centro Acadêmico XI de Maio (UFG Cidade de Goiás) – CAXIM
Centro Cultural Eldorado dos Carajás
Centro de Juventude CAJUEIRO
Centro Salesiano do Adolescente Trabalhador – CESAM
Cerrado Assessoria Jurídica Popular
Circo Laheto
Coletivo de Direitos Humanos do Cerrado
Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro
Coletivo Fluidez
Coletivo Pagu (Faculdade de Direito da UFG)
Coletivo Quilombo
Coordenação de Direitos Humanos (Universidade Estadual de Goiás)
Comissão de Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/GO
Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente
Conselho Regional de Psicologia de Goiás – CRP/GO
Conselho Regional de Serviço Social de Goiás – CRESS/GO
Diretório Central dos Estudantes (Universidade Federal de Goiás) – DCE/UFG
Diretório Municipal do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL Goiânia
Especialização Interdisciplinar em Patrimônio, Direitos Culturais e Cidadania (NDH/UFG)
Faculdade de Educação (Universidade Federal de Goiás)
Fórum Goiano de Mulheres
Insurgência / Tendência Interna do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL
Movimento de Meninos e Meninas de Rua – MMMR Goiás
Movimento dos Técnicos Administrativos MUDE-UFG
Movimento Terra Livre
Observatório de Juventudes na Contemporaneidade
Programa de Estudos e Extensão Afro Brasileiro (PUC Goiás) – ProAfro
Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (Universidade Federal de Goiás)
Rede de Adolescentes em Ação
Rede de Atenção a Crianças, Adolescentes e Mulheres em Situação de Violência
Rede Ecumênica de Juventude - REJU Goiás
RUA – Juventude Anticapitalista
Secretaria Municipal de Assistência Social – Prefeitura de Goiânia
Ser-Tão - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade (FCS/UFG)

domingo, 26 de abril de 2015

Maioridade Penal na ordem do dia - Flávio Munhoz Sofiati




Novamente o tema da redução da maioridade penal entra na pauta do debate nacional. Agora o risco eminente de aprovação no Congresso é fato. Coincidentemente em um momento em que grande parte dos políticos eleitos para representar os cidadãos estão com sua popularidade em cheque em vista das muitas denúncias de corrupção.

São inúmeros os argumentos contra esta “política pública” perversa, mas do ponto de vista dos que defendem a redução o argumento central é a luta pela diminuição da violência. Argumento que não se sustenta, visto que não há experiência no mundo que comprove tal fato. Por exemplo, em Nova Iorque a política da “Tolerância Zero” fez com que a prisão de jovens empobrecidos de bairros da periferia se tornasse um rito de passagem na adolescência. O projeto apenas estigmatizou ainda mais os moradores de áreas desprivilegiadas e não conseguiu diminuir a violência.

José Machado Pais, sociólogo português especialista em juventudes, condena a interpretação da “delinquência juvenil” baseada na perspectiva da criminologia funcionalista. Para ele a lógica de entender o jovem como um potencial criminoso, em vista de uma natural incapacidade em se ajustar às normas sociais, compromete a própria integração das juventudes em seus mais variados contextos.

No caso do Estado brasileiro, por exemplo, há um déficit histórico de políticas sociais para com a classe trabalhadora e sua juventude. Os índices são predominantemente desfavoráveis para esse segmento social: são os com maior número de desempregados, com escolarização precarizada, acesso a esporte e lazer limitado e a participação cultural reduzidíssima.

Helena Abramo, que coordenou a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira,  constata que o Brasil carrega uma enorme dívida social para com o seu povo. Ela afirma que o país ainda não se revelou capaz de satisfazer as necessidades básicas de milhões de brasileiros. A política de inclusão pelo consumo, desenvolvida nos últimos anos, não foi suficiente para integrar de forma efetiva os empobrecidos. A chamada Classe C, ou nova classe média, encontra-se hoje endividada e com seu potencial de compra reduzido.

Diante disso, constata-se que a resolução das questões criminais envolvendo a juventude só é possível de ser encaminhada com o avanço de políticas sociais e econômicas. O Governo precisa com urgência mudar radicalmente a sua política econômica, ressignificar conceitos e transformar o que é chamado hoje pelos liberais de gastos sociais em investimentos para o futuro, política de prevenção e inclusão social de fato. Inclusão pelo trabalho, com criação de novos postos e mecanismos de diminuição do desejo desenfreado de acúmulo dos capitalistas.

No entanto, isso exigiria do Governo uma total mudança de opção de classe, considerando que o Estado brasileiro está predominantemente a serviço dos ricos. Na atual conjuntura, um Estado a serviço dos pobres significaria melhoria da qualidade de vida para a maior parte da sociedade. A redução da violência, o aumento da mobilidade, saúde e educação pública e de qualidade são benefícios que atingem não somente à classe trabalhadora, mas também a classe média se beneficia destes investimentos sociais.

Tratar o moleque da “perifa” como eterno suspeito é, além de uma prática preconceituosa, o caminho equivocado para a tão sonhada cultura da paz. Paz só se for sem fome e essa juventude tem fome de inclusão social. Almejam, como todos, os postos mais respeitados e valorizados do mercado de trabalho. E merecem oportunidades para serem bem-sucedidos. A sociedade tem a obrigação de dar oportunidades para esse segmento social. Caso contrário, o tráfico, lamentavelmente, continuará sendo mais interessante enquanto possibilidade de inserção.

Flávio é professor de sociologia da UFG e da Coordenação do Observatório Juventudes na Contemporaneidade, membro do Centro de Juventude Cajueiro.