quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O QUE VIMOS E OUVIMOS, NÓS O ANUNCIAMOS




Crônica sobre o Dia Nacional da Juventude
Santa Maria/RS 2014
Hilário Dick


Quando Simone, Silon, Dudu e eu pegamos a estrada para Santa Maria, sabíamos que nos esperava muita chuva, buracos, horizontes imensos, bobagens, risos, curiosidades, informações turísticas e muita curiosidade em ver quem se encontraria no Dia Nacional da Juventude dos grupos de jovens da Pastoral da Juventude do Rio Grande do Sul. E assim se fez.

- Logo mais vamos pegar chuva! dizia Silon.

- Dudu, primeira vez que vais a uma “coisa” dessas?

- Já passamos aqui – dizia Simone.

Eu, quase não falava. Admirava as curvas, chamava a atenção para o buraco que já passáramos e sonhava:

- O que será este Encontro?

Os grupos haviam refletido o lema “Feitos para sermos livres e não escravos” e estavam indo para muitas estradas que levam a Santa Maria, pensando com Jeremias que é preciso praticar a justiça e o direito e livrar o oprimido das mãos do opressor.

- Coitada dessa gurizada que vai viajar de 5 a 6 horas, no meio de baldes de chuva! dizia a Simone.

- Assim que é bom, respondia Dudu. Jovem gosta é de aventura...

No meio da chuva acompanhada de raios e trovões, chegamos. A Tauana até fora falar com o motorista do ônibus, perguntando se tudo estava bem. Não ficou claro se quem tinha medo era a Tauana ou o motorista...

A coordenação da Pastoral da Juventude havia solicitado que eu falasse algo do sentido e da história do Dia Nacional da Juventude. Quando vi a meninada, reunida naquele espaço grande, fervilhando como abelhas alegres por se encontrarem, pensei:

- Como fazer que me escutem?

Senti que todos estavam alegres, mesmo não tendo eles e elas dormido a noite toda, viajando em meio aos raios. Não sabia quando era para falar, mas a Débora veio e me disse, quando a meninada ainda não sabia que talvez tivessem que escutar alguém:

- Venha, diga umas palavras de saudação...
E ela acrescentou:

- Bem curtinho.

Débora é minha confessora... Depois de uns quantos, falei dois minutos. Logo após, debaixo de guarda-chuvas e com muita disposição, a meninada foi encaminhada para o santuário de Nossa Senhora Medianeira. A igreja cheia... Um e outro mais adulto olhava arregalado para toda esta meninada e não acreditou que uma missa com jovens poderia ser tão bonita. Cantos, palmas, dança, bispo falando, jovens falando.

- Que bem que falou este menino! dizia aquela senhora para o seu marido.



E assim foi. E a missa, sempre abençoada pela chuva da Medianeira, acabou e voltamos para aquele espaço grande, desviando das águas correndo na rua. Quem ficou nervoso, então, fui eu:
- Será que tenho que falar mesmo?

Veio Betina, veio Débora, veio Carlos, veio Alberto, vieram vários e disseram:

- Vai ser agora...

Emocionado, tentei começar a minha fala. Até cantei gregoriano para ver se aquele enxame enorme, vindo de quase todas as dioceses do Rio Grande do Sul, se aquietava. E ele se aquietou. Iniciei dizendo que é mais feliz quem é dono de sua história. Aliás, acentuei dizendo que “é feliz quem sabe a sua história”. Me lembro que disse que precisamos ser bíblicos, cultivando a memória. Aliás, foi o que aprendi do Papa Francisco. Claro que falei a frase de Che Guevara: “Um povo sem memória é um povo sem coluna vertebral”. Contudo, recordar a história do Dia Nacional da Juventude em nível de Brasil e de Rio Grande do Sul não é só lembrar um evento, mas recordar um processo vivido com subsídios, liberação de jovens, escolas de juventude, instituições de formação, com milhares de grupos se encontrando de diversas formas, em muitos lugares.

A celebração do Dia Nacional da Juventude, no Brasil, começou em 1985, em grande parte por reação com a forma como a TV Globo quis celebrar o Ano Internacional da Juventude. Tomando nas mãos problemáticas concretas vividas pela juventude, os temas dos DNJ´s sempre foram missionários: a Nova Sociedade, a Terra, a Educação, o Trabalho, a Cidadania, as Políticas Públicas de Juventude – assuntos que nem sempre agradavam algumas autoridades.

No Rio Grande do Sul celebrou-se o DNJ durante os 29 anos de sua existência em nível de paróquia, de diocese e de Estado. Em nível de Estado, houve cinco encontrões, nestes anos, sempre com muita juventude. Na média 45 mil. Era bonito de se ver... Valia a pena comer muita poeira para a gente se encontrar em Passo Fundo, em Santa Cruz do Sul, em Santa Maria e em Canoas... O que valia era a união de fé e vida; de fé e política, de realidade social e espiritualidade. Enfim, somos um povo que caminha em sua integralidade. Deus não nos fez para rezarmos somente nas sacristias...

Por isso não deixei de falar que o DNJ é uma expressão do modelo de Igreja que a Pastoral da Juventude acredita; uma Igreja que quer ser encarnação do Reino e inserção na realidade, também através do testemunho e da celebração. Não é a Igreja que deve ficar na sacristia, mas é preciso que a sacristia se desloque para o mundo. Sendo tema desse Dia a Defesa da Vida, precisamos dar-nos conta de que assim como cresce a consciência da dignidade humana, cresce igualmente a possibilidade da maldade onde o outro se torna, cada vez mais, objeto, especialmente através do capitalismo e do neoliberalismo. Para quem defende a vida, ninguém pode ser usado como objeto.

Após muitas recordações, cochiladas; após ver muita água; após encontrar tanta gente; após ter podido viajar nos mares da vida e celebrar uma juventude que é e sabe ser muito bonita; após confirmar-nos que a juventude é coisa de Deus, Silon, Simone, Dudu e eu chegamos aos abraços e agradecimentos pela convivência. A Kaká foi bem espontânea:

- E vocês já voltaram?

obs. imagens DNJ2014 - Diocese de Goiás

DNJ 2014: O caminho é Jerusalém, é a doação da vida! Memórias e reflexões a partir do DNJ.


Luis Duarte Vieira

            A vida da gente é caminho. Caminhamos nos passos de Jesus. Caminhamos movidos pela utopia do Reino. Fazemos esse caminho na paixão pela juventude. O caminho é mais intenso, belo, místico e misterioso quando o fazemos em Comunidade. 

            Todo o caminho, mais ou menos hora, se inunda de surpresa, de beleza, de encanto. Se inunda de uma teimosa esperança que arde, que explode. Se veste de abraço, de sorriso, de olhar. Mesclam-se causa, amor e compromisso. Se inunda de novidade. Explode de amor e de compromisso. A alegria invade tudo (Lc 10, 17). E marcados por isso, não resta dúvida: o caminho é Jerusalém! O caminho é Jerusalém, nos passos Dele e com Ele decididamente (Lc 9, 52). O caminho é a doação da vida, com amor, com causa e com esperança. Amar incondicionalmente. Doar a vida (Jo 13, 15). Defender a vida, até as últimas consequências (Jo 13,1). Guardando e cuidando sempre da esperança, sem a heresia do desânimo. Assim foi o DNJ 2014 da Diocese de Jataí, celebrado em Caçu/GO.

            Depois de quase três anos fora da Diocese, meu coração ardeu e a alegria e a esperança invadiram-me de modo incrível no DNJ. Estava morando fora de meu chão natal, mas com meu retorno ao solo cerradeiro fui celebrar a vida da juventude com minha diocese. O coração arde, pulsa, queima. A paixão e o compromisso com a vida a juventude se renova e se fortalece.

            O DNJ de 2014 se fez um banho de novidade, de causa e de esperança. De novidade, porque muitos dos rostos ali presentes (quase todos na verdade) eram novos para mim. O que significa que a caminhada dos grupos de jovens tem dado frutos na diocese, encantando outros/as jovens, chegando a outros/as. Novidade e esperança porque muitos grupos de jovens nasceram nesses anos em que estive fora, mesmo com a morte e a desarticulação de outros, infelizmente. De esperança, porque vi com meus olhos que os grupos de jovens não morreram. É por isso mesmo que não posso e não podemos aceitar que o direito de viver em grupo seja tirado da juventude. É preciso, mais que nunca, seguir nucleando e acompanhando os grupos de jovens. De esperança, porque a Pastoral da Juventude está mais viva que nunca. Precisamos sim, fortalecer a caminhada da PJ na Diocese. Mas, ela segue mais viva que nunca. De esperança porque há bonitas lideranças surgindo. Poderia dizer de muitas lideranças surgindo, mas não guardei todos/as os nomes, por isso, digo apenas do Uilicem, do Paulo, da Sandra, da Vanessa, do Marcos e do Fernando. De causa, porque celebrar a vida da juventude em nossa diocese renovou em mim e nos presentes a causa da juventude. Não há como sair do DNJ sem renovar o compromisso com a vida da juventude. É uma profissão de fé que faço: seguirei gastando minha vida na causa da juventude!

            Igualmente Caçu foi lugar de amizade. O abraço de Dom Vinícius, OSB me acolhendo. O encontro e re-encontro com amigos/as. As novas amizades nascendo. Aqui  poderia dizer muitos nomes, mas trago o nome do Ailton, do Pablo, do Igor, da Vanessa, do Uicilem, do Fernando. Como não ser tocado pelo mistério da Amizade, mistério da juventude e da Trindade?

            O DNJ ainda foi um lugar de fortalecer a certeza do valor da formação integral e do processo de educação da fé. A caminhada da PJ e dos grupos de jovens ao percorrer seu caminho com a juventude atenta á formação integral gera mais vida e muitos frutos na vida da juventude. Ver o Fernando coordenando e animando o DNJ 2014, por exemplo, é ter uma comprovação viva do bem que a formação integral gera na vida da juventude. Por isso, é preciso gastar tempo e força na formação processual com a juventude. Essa é a melhor resposta que podemos dar nos passos de Jesus e no serviço a juventude. De fato, a formação integral é um caminho de discipulado, que forma homens e mulheres comprometidos/as com a vida e com o Reino. Homens e mulheres que optam por fazer o caminho rumo á Jerusalém.

No DNJ éramos quase quatrocentos jovens, de todos os distritos da Diocese, acolhidos pelo grupo de jovens JUMP e pela Paróquia de Caçu. Celebrando a vida da juventude, em momentos de conversa, palestra, mesa de debate e teatros, saímos convictos que “somos feitos para a liberdade e não para a escravidão” e que por isso mesmo é preciso dizer, com nossas vidas, “chega de violência e extermínio de jovens”! Igualmente saímos fortalecidos na alegria, que vem da Boa-Nova de Jesus Cristo. Boa-Nova que celebramos nos momentos de oração, adoração e na Eucaristia. Alegria vivida na partilha da vida, nas amizades firmadas e na animação durante o DNJ. Dos momentos mais marcantes dentro do que vivemos no DNJ quatro me tocaram mais. O primeiro foi quando os/as presentes ficaram inquietos/as diante da quantidade de jovens que morrem assassinados/as em nossas cidades e em nosso estado. O segundo foi o momento de silêncio que fizemos em memória de tantos/as jovens vítimas da violência e do extermínio. O terceiro foi a Eucaristia, celebração de nossa utopia e de nossa esperança. O quarto foi o encerramento do DNJ, com muito vento e com a chuva (que nos alcançou nas estradas de volta para casa) depois de dias de muito calor no estado. Sem dúvida, esse vento e essa chuva são sinais da presença amorosa da Trindade, presença que tateamos no encontro com o Divino presente e cada jovem.

Uma das marcas fortes do DNJ foi ver o trabalho e a doação da vida dos/as jovens do grupo de jovens JUMP. Gostaria de trazer o nome de todos/as, mas isso me é impossível. Esses/as jovens não mediram esforços na acolhida e na realização do DNJ. Vale a pena gastar tempo na vida em grupo, no caminho do seguimento em grupo e em Comunidade. Sigo tocado pelo esforço deles, pelo testemunho de cada um/a. Por isso, minha palavra de gratidão a esses jovens do JUMP, à Paróquia de Caçu, à coordenação diocesana do Setor Juventude e da PJ e aos/às jovens que participaram do DNJ por aquilo que o DNJ significou na minha vida e na vida da juventude de nossa Diocese. Gratidão igual a tantos/as jovens e assessores/as (leigos/as, religiosos/as e padres) que fazem parte da história da evangelização da juventude na Diocese de Jataí. De fato, a caminhada de hoje não é de hoje, mas é parte de um caminho maior e mais longo, trilhado por tantos/as. É preciso conhecer e cuidar de nossa memória. Tantos nomes me passam pela mente e pelo corpo. Alessandro, Hellen, Cláudia, Ir. Ana Paula, Karlos, Edina, Pe. Chico, Dom Heriberto, Suzana, Dom Vinícius, Murilo, Sidenil, Keila, Bruna, Suellen, Márcio, Denner, Daiana, Ir. Rosilda, Higor, Luiz Rogério, Tássia, Gedeone, Ângela, Jaime, Ir. Terezinha, Dom Miguel, Pe. Vicente, Pe. Luismar, Camila e Paula.  Fica um pedido perdão porque essa lista de nomes é infinitamente maior do que esses poucos lembrados.

Ainda uma palavra especial de gratidão ao Dom Vinícius, OSB.  Um amigo (e como sou feliz de ser amigo do Dom Vinícius) que doa sua vida no compromisso com a juventude. Há anos nos conhecemos nesse caminho de serviço aos/às jovens e sempre me impressiono vendo sua doação e seu compromisso. Durante o DNJ tivemos a oportunidade de conversar um pouco, partilhar a vida. E em muitos momentos fiquei olhando esse amigo junto da juventude. De fato, temos um grande amigo, assessor, acompanhante e cuidante da juventude. Sem dúvida, precisamos ter pessoas que amam a juventude e que doam suas vidas no acompanhamento. É preciso gastar tempo preparando homens e mulheres (leigos/as, religiosos/as e padres) para o ministério da assessoria e do acompanhamento. Pessoas que estejam nesse ministério por amor.

            Ao retornarmos para casa, voltamos, eu e os presentes, convictos de que o caminho que devemos percorrer como seguidores/as do Mestre, é ir para Jerusalém com Jesus e em seus passos. O caminho é a doação da vida pela vida da juventude, pelos pobres e pelo Reino.

Rio Verde/GO, 20 de outubro de 2014.
Na memória da vida da vovó Maria Helena, que me ensinou o amor.
Ainda muito marcado pelo vivido no DNJ.

            

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Processo de preparação para o dia 10 de dezembro - 66 anos da Declaração dos Direitos Humanos

 
 
 
A coordenação do Projeto Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, juntamente com o Processo de Articulação e Diálogo - PAD, FIAN-Brasil, Instituto Brasil Central - BRACE, Cajueiro - Centro de Formação, Assessoria e Pesquisa em Juventude, RECID, HABITAT, Comissão Pastoral da Terra, Centro de Referencia em DH, Anistia Internacional, e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Goiás, Diocese de Goiás, Programa de Direitos Humanos da UEG buscando avançar na agenda de realização da audiência estadual de monitoramento dos Direitos Humanos, convida todas as organizações e entidades que trabalham com o tema de direitos humanos, a participarem da audiência que acontecerá
 
dia 10 de dezembro (data em que se comemora os 66 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos), 
no auditório da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás – UFG, na Praça Universitária, Goiânia, 
com abertura às 08:00 horas.
 
 
E, para subsidiar no desenho inicial do cenário, e contribuir com os debates, elaboramos um questionário que visa levantar a situação de violação dos Direitos Humanos no Estado, e a implementação do PIDESC pelo Estado brasileiro. Assim, convidamos a todos a responderem o questionário online, que se encontra no endereço: CLIQUE AQUI pedimos que enviem suas respostas do questionário online, e a confirmação de participação na audiência, até o dia 25 de novembro.
 
Caso tenha problema em responder o questionário, entrem em contato com Nazareno, pelo e-mail: naza.santos@gmail.com, ou pelos telefones (62) 3225-5918.
 
 
Próximo à data de realização da audiência enviaremos programação detalhada da mesma.
 
A participação de todos e todas fortalecerá a luta pela garantia dos Direitos de Todxs nós.
Atenciosamente
 
Instituto Brasil Central

domingo, 12 de outubro de 2014

Folder do Centro de Juventude Cajueiro


O Centro de Juventude Cajueiro lança o seu folder com as informações em PDF com o objetivo de divulgar para todo canto o projeto de servir à juventude empobrecida.

Também, convidamos você para plantar uma árvore em sua região, organizar um serviço que atenda a formação, a assessoria e a pesquisa em juventude para que a defesa da vida dos/as jovens possam se concretizar cada dia.

Contamos contigo no movimento Sou Cajueiro para que esta árvore se sustente e produza sempre flores e frutos para que encha de sabor e de fortaleza o caminhar da juventude neste continente.

Conheça nosso projeto e comente, envie mensagens para o grupo. Leiam as informações e enviem suas sugestões. 
Folder_Cajueiro Centro de Juventude

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Curso SUPERA - uso e abuso de drogas oferecido pela SENAD - Gratis


A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) abriu as inscrições
para 10 mil vagas na 7ª edição do Curso SUPERA - "Sistema para detecção do Uso abusivo e
dependência de substâncias psicoativas: encaminhamento, intervenção breve, reinserção social
e acompanhamento".

O curso, totalmente gratuito, visa capacitar profissionais das áreas da saúde e assistência
social para identificação e abordagem dos usuários de álcool, crack e/ou outras drogas, com
a apresentação de diferentes modelos de prevenção e intervenção e encaminhamento.

A capacitação é desenvolvida na modalidade de Educação a Distância (EaD), com carga horária
de 120 horas e tem a duração de três meses. Os alunos que concluírem o curso receberão
certificado de extensão universitária emitido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Os alunos receberão o material didático no endereço residencial e terão acesso às novas
tecnologias de EaD, incluindo Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), portal específico do
curso, acompanhamento por tutores especializados e telefonia gratuita para dúvidas e orientações.


Inscrições gratuitas
www.supera.senad.gov.br

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Eu sei, mas não devia Marina Colasanti

Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti

 
texto - aqui em PDF
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. 

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti 1972 -nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. 


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Encontro de Memória e Compromisso com a vida - da CEPA das PJs


O encontro pretende reunir pessoas que pessoas que atuaram nas Pastorais de Juventude. Esta ideia nos chegou de Onivaldo Dyna, Sandra Procópio, Marcio de Oliveira e outros/as amigos/as  para um encontro de partilha e celebração da vida.

O encontro está marcado para janeiro de 2015, nos dias 15 a 20 de janeiro, em Hidrolândia/GO. Os dias 16 a 18 são os dias centrais do encontro. Está aberto para pessoas que participaram das PJs e suas famílias.

O objetivo é partilhar a vida e construir caminhos para uma sociedade do "Bem Viver".

A Casa dos Franciscanos Capuchinhos em Hidrolândia/Goiás é um espaço muito agradável e simples. Muitos espaços verdes, piscinas, espaços para churrasco.

Reserve desde já a sua participação e já faça o depósito de 30% do valor da hospedagem.  A inscrição é feita CLIQUE AQUI E PREENCHA OS DADOS

A mística que nos move está na CEPA que nasce a flor, da flor nasce Maria e de Maria o Salvador. 


Organização: Sandra Procópio, Marcio Oliveira, Carmem Lucia Teixeira, Lourival Rodrigues da Silva e Onivaldo Dyna.

Vagas limitadas

Diária/hospedagem - R$ 110,00 - 16 a 18 cobra-se duas diárias. Crianças até 7 anos não pagam, de 7 a 12 anos, pagam 50%. (incluso no pagamento - hospedagem, alimentação e roupa de cama).

Tragam - um valor para organizarmos  um churrasco e uma cerveja, sucos, refrigerantes...

Pagamento - 30% antecipado e  será depositado na seguinte conta: Banco Bradesco. Agencia 638 / Conta Corrente: 669-6 – o nome que vai aparecer no depósito é ORCAP.

Endereço - Casa de Retiro São Leopoldo Mandic. Rodovia GO 414, Km 1, S/n – C.P. 1 75340-000 – Hidrolândia-GO.  Como chegar - A Rodovia passa ao lado da cidade. Fácil de encontrar a Casa – também conhecido como Seminário ou Casa dos padres. . Quem vai do Sul deve entrar em Goiás por Itumbiara. Chegando em Hidrolândia a Casa está numa entrada principal à Esquerda para quem chega de São Paulo e a direita para quem chega de Goiânia. Na Praça da Bíblia tem ônibus circular para Hidrolândia. 

Na casa tem piscina. Trazer roupas de banho. Tempo de chuvas, porém é calor. 

Nós do Centro de Juventude Cajueiro estamos a disposição para informações sobre o local - centrojuventude@cajueiro.org.br 




Mortes precoces - Frei Betto

Jovens negros sofrem o risco três vezes maior de serem assassinados que brancos da mesma faixa etária
23/09/2014
Por Frei Betto

O Brasil é o 6º país em mortes de jovens no mundo. Aqui eles são mortos pela polícia, por balas “perdidas”, pela guer­ra entre traficantes e por acidentes de moto ou carro. O dado é da UNICEF. Em números absolutos, o Brasil teve, em 2012, mais de 11 mil homicídios de pessoas entre 0 e 19 anos de ida­de, atrás apenas da Nigéria, que teve 13 mil.

Aqui ocorrem 17 assassinatos em cada 100 mil jovens. E 10% das meninas com menos de 19 anos já fizeram sexo for­çado. Em geral, a pedofilia ocorre no próprio âmbito familiar.

A UNICEF pesquisou 190 países. À frente do Brasil em as­sassinatos de jovens estão El Salvador (27/100 mil), Guate­mala (22), Venezuela (20), Haiti (19) e Lesoto (18).

Jovens negros sofrem o risco três vezes maior de serem as­sassinados que brancos da mesma faixa etária. Nossa polícia, com raras exceções, não é treinada para agir sem preconceito racial e com respeito à cidadania dos mais jovens.

Segundo o UNICEF, a violência cresceu “dramaticamen­te” nas grandes cidades brasileiras nos últimos anos. Isso se deve à desigualdade social, ao acesso facilitado às armas de fogo, ao alto consumo de drogas e ao crescimento da popu­lação jovem.

“O homicídio é a primeira causa de morte entre homens de 10 a 19 anos no Brasil, no Panamá, na Venezuela, na Gua­temala, na Colômbia, em El Salvador e Trinidad y Tobago”, afirma o relatório.
Em 1/5 dos assassinatos no mundo as vítimas têm me­nos de 20 anos. Em 2012, essas vítimas precoces somaram 95 mil!

Uma em cada 10 meninas em todo o mundo já sofreu al­gum tipo de ato sexual forçado. Os abusos costumam ser pra­ticados por pais e parentes. E 6, em cada 10 crianças entre 2 e 14 anos, são regularmente agredidas por seus pais. Estes ig­noram que criança surrada tende a ser adulto revoltado, ca­paz inclusive de crimes hediondos.

Entre cada dez adultos, três acreditam que castigos físicos são necessários para criar os filhos. Em 58 países, 17% dos menores sofrem “graves formas de castigos físicos”, índice que sobe para 40% em países como Egito e Iêmen.

É urgente os governos adotarem políticas em relação à violência infantil, que não é normal nem tolerável. Em ju­nho, a presidente Dilma Rousseff sancionou o projeto que criou a Lei da Palmada, para punir adultos que submetam menores a castigos que resultem em sofrimento físico. A lei determina que as crianças sejam educadas sem castigos físi­cos ou “tratamento cruel ou degradante como forma de cor­reção ou educação.”

O relatório do UNICEF, de 206 páginas, indica que cerca de 120 milhões de meninas e adolescentes de menos de 20 anos (ou uma em cada dez) já sofreram violência sexual.

Metade das jovens entre 15 e 19 anos consideram justificá­vel que o marido bata na mulher “em determinadas circuns­tâncias”. A proporção chega a 80% em países como Afega­nistão, Jordânia e Timor Leste. A violência doméstica é en­coberta pelo medo das vítimas de denunciarem o agressor, o que agrava o problema.

Quem bate não ama. Quem abusa é tarado. Quem mata merece cadeia.

Frei Betto é escritor, autor de Alfabetto – autobiografia infantil (Ática), entre outros livros.
Publicado no Jornal Brasil de Fato.jornal Brasil de Fato

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Encantar.... encantamento ... desencantar.... desencantamento

 Hilário Dick, publicou no facebook 15/09/2014.

Nos últimos tempos estou pensando muito no encanto e no desencanto. Procura ser uma observação objetiva, também pensando em juventudes. Aí vai uma reflexão auxiliada por um teólogo e um economista. A preocupação central é encanto e desencanto.

O teólogo e economista Jung Mo Sung afirma que “muitas das análises que fazemos da globalização econômica ou das situações sociais não levam em conta um aspecto fundamental do capitalismo: o seu poder de sedução, de fascinação. As luzes das propagandas brilham e fascinam pessoas de todas as partes do mundo”. Este autor também afirma que “as nossas críticas ao capitalismo não são capazes de reconhecer esse poder de fascinação dele”. 

Desmascarar essa fascinação também não é suficiente. Como diz o povo: "um amor antigo só se esquece com um novo”. A fascinação provocada de forma muito consciente e planejada pelo marketing preenche algo na vida das pessoas e se simplesmente criticamos essa fascinação provocada pelo que Marx chamou de "fetiche da mercadoria” e não somos capazes de oferecer outra fonte de fascinação ou de sentido mais profundo para a vida, o vazio será preenchido novamente por um novo tipo de sedução do capitalismo. O segredo do poder do capitalismo não está na sua força bruta ou no seu poder econômico, mas na sua capacidade de fascinar o povo e, a partir de e em nome dessa fascinação, justificar e até fazer invisíveis as injustiças sociais e as mortes dos pobres. Fascinação que vem acompanhada de injustiças e mortes, sacrifícios, tem a ver com as características centrais da noção de sagrado.

 Imagens das famílias e dos jovens - Chacina de 6 jovens no Rio

O capitalismo, com seu poder de fascinação sacrificial, formata o modo como as pessoas veem a realidade social. Por isso, a maioria das pessoas pode criticar a desigualdade social que não lhes permite consumir como os mais ricos, mas não fazem um questionamento mais sério do próprio sistema capitalista. Eles veem o capitalismo com as estruturas de pensamento fornecido pelo próprio capitalismo. E essa estrutura fundamental está perpassada por essa fascinação, esse desejo de consumir mais para poder ser mais.

Jung Mo Sung conclui sua reflexão dizendo que “se não formos capazes de desvelar o caráter sagrado do mercado capitalista, com seu sacrificialismo e sua espiritualidade de consumo e de acumulação, e de oferecer uma espiritualidade alternativa baseada em uma noção não-sacrificial de Deus e da vida, as nossas críticas terão muita dificuldade de convencer pessoas a assumirem a difícil tarefa de ir contra a "maré” e de lutar por uma sociedade mais justa e humana”, isto é de estar encantado.
 IMAGENS E MARCAS - ENCAMENTO DA JUVENTUDE - PESQUISA NA PSICOLOGIAmo-de-imagens-de-marca-e-seu-impacto-na-construcao-da-subjetividade-dos-jovens&catid=28%3Avolume-ii-edicao-i-2011&Itemid=54&lang=pt

Obs - as imagens são do arquivo Cajueiro e os link são sugestões nossas para ilustrar o texto.

domingo, 14 de setembro de 2014

Desafios para o Observatório Juventudes na Contemporaneidade



Ontem era para ter sido um dia histórico. O Observatório da Juventude de Goiás foi instalado na FCS (UFG) com apoio e participação do nosso Diretor, professor Dijaci, e diversos docentes e discentes da UFG. Fruto do empenho e trabalho coletivo de pesquisadores e ativistas sociais de diferentes instituições (UFG, UEG, PUC, Institutos Federais, CAJUEIRO), este projeto tem seu início marcado pela colaboração de experientes analistas da realidade juvenil, entre eles Luis Groppo, um dos principais sociólogos da juventude do Brasil, e Hilário Dick, talvez o primeiro estudioso do tema no país.

Todavia, era para ter sido um dia histórico, mas não foi. Isto porque dois casos de mortes violentas de jovens em Goiás nos abalaram profundamente.

O primeiro foi o caso do jovem Bruno que morreu de embolia pulmonar no Hospital Hugo. O rapaz, que trabalhava de entregador, deu entrada na segunda-feira após sofrer um acidente de moto. Ele estava com a perna quebrada e tudo indica que a demora no atendimento foi o principal motivo de sua morte nesta quinta-feira. Ausência do Estado!

Um dia antes, na quarta-feira, outro caso inaceitável.  Trata-se do assassinato do jovem Antonio em Inhumas (veja manifesto do Ser-tão em www.sertao.ufg.br). O menino foi torturado e morto. Dentre os motivos apontados pela polícia, a homofobia. Mais um caso de ódio e desrespeito com o diferente. Ausência da Sociedade!

Estas duas mortes são exemplos concretos da difícil realidade em que vivemos. A falta de consciência social, de respeito e tolerância, acompanhada do profundo desmonte do Estado brasileiro nos coloca em uma situação de quase desespero. Mas não podemos nos acomodar. É preciso dar respostas.

O Observatório Juventudes na Contemporaneidade não não pode desconsiderar essa realidade e deve desde seu nascimento se posicionar firmemente em defesa dos interesses dos grupos sociais desfavorecidos. Especial atenção é dada aos jovens que são na maioria das vezes as primeiras vitimas das crises sociais e desarticulação dos serviços públicos.

O Observatório precisa ser espaço de análises profundas da realidade social do país, de Goiás, a partir do cotidiano da juventude. Chega de preconceitos da sociedade e desmonte do Estado, temos que municiar a opinião pública com análises adequadas acerca da sociedade. Assim, certamente daremos uma contribuição para as necessárias e urgentes transformações sociais.


Flávio Munhoz Sofiati


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Observatório da Juventude na Contemporaneidade


Flávio Munhoz Sofiati 


Os desafios de compreensão da realidade social dos jovens se expressam nos preconceitos presentes no cotidiano do brasileiro. Soluções fáceis e violentas são constantemente defendidas por auto-proclamados sabidos do assunto. Entretanto, entender a situação da juventude é um processo complexo e peça chave de análise do mundo contemporâneo. Isso porque esse segmento social é quase sempre o primeiro a sentir os efeitos das crises acompanhadas da ineficiência de ação do Estado.
Nestas eleições de 2014, por exemplo, há diversos candidatos, principalmente a deputado Estadual e Federal, que defendem a redução da maioridade penal com mecanismo de diminuição da violência e criminalidade. Muitos destes candidatos sabem que tal medida não resolve este grave problema social, mas defendem a redução por objetivos eleitoreiros, considerando que parte da população apóia estas iniciativas. Entretanto, se prender e matar resolvesse algo, já se teria resolvido, visto que a principal política pública de juventude dos Governos é o próprio sistema prisional. 

As estatísticas oficiais indicam que a população majoritária dos presídios brasileiros é composta por jovens do sexo masculino, de pele negra e classe social desfavorecida. Este mesmo público é a principal vítima de mortes violentes no país. Luiz Eduardo Soares, especialista no tema da violência, chega a afirmar que essa população no país morre em quantidades maiores do que sociedades em guerra.

Há, portanto, um processo de extermínio de jovens no Brasil. Os que não morrem são encarcerados. Isso ocorre há décadas, mas a situação não melhorou. E os jovens continuam sendo abordados pelas grandes redes de comunicação, que influenciam a opinião pública, como protagonistas de violência e criminalidade. Porém, as pesquisas também mostram que eles são as principais vítimas dessa situação.

Tudo isso indica que é preciso fortalecer os estudos sobre a condição atual da juventude brasileira para que, entre as diversas necessidades, as políticas públicas do setor sejam adequadas e visem resolver de fato o problema. Diante deste desafio, um grupo significativo de pesquisadores em Goiás, participantes de diversas instituições de ensino e pesquisa, ativistas sociais e interessados no assunto, deu início ao processo de instalação do Observatório da Juventude na Contemporaneidade.
Gestado há mais de dois anos, o Observatório tem com objetivo articular, estimular e viabilizar estudos acerca da realidade do jovem brasileiro e principalmente goiano. Esta iniciativa se inspira nas experiências de Minas Gerais e Rio de Janeiro que possuem Observatórios ativos e com papel importante nas pesquisas sobre as juventudes.

A instalação será feita nesta quinta-feira, 11 de setembro, na UFG (Faculdade de Ciências Sociais – CAMPUS II – Auditório Lauro Vasconcelos), em seminário que contará com a participação dos pesquisados envolvidos no Observatório e interessados no assunto. Além disso, haverá a conferência com o Prof. Luis Groppo, citado entre os principais pesquisadores de juventude no Brasil. Contaremos também com a presença de Hilário Dick, padre jesuíta e um dos primeiros estudiosos do tema no país.

Com o funcionamento do Observatório, além de pesquisas, pretende-se colaborar com as políticas e programas voltados para o público juvenil no Estado. Espera-se que esta iniciativa diminua o preconceito e a desinformação acerca da realidade do jovem. Pois o mais importante é compreender que lugar de jovem é na escola e não na cadeia.

Flávio Munhoz Sofiati é doutor em sociologia pela USP e professor da UFG.