sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Curso de formação virtual - EAD - calendário 2015


O Projeto Caminho de Esperança é uma proposta de formação de jovens e adultos na modalidade à distância. Um esforço de dois anos que propõe a formação integral aplicada a prática pastoral.

Apresentamos a você o caminho de 2015 da formação integral.

Maiores informações: virtual@cajueiro.org.br

INFORMAÇÕES SOBRE O CURSO VIRTUAL - EAD

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Mensagem do Papa Francisco à PJ Nacional no seu XI ENPJ



Mestre onde moras?
Vinde e vede! (Cf. Jo 1,38-39)
Estimada Aline e meu querido Alberto, que a graça do Jovem de Nazaré permaneça sempre com vocês, e nessa saudação quero abraçar a todos os jovens e adultos que estão participando do XI Encontro Nacional da Pastoral da Juventude nas benditas terras amazônicas.

É com grande alegria que me dirijo a vocês por meio desta singela mensagem, obrigado por deixar-me participar deste grande e bendito encontro.

Gostaria de começar dizendo que fiquei muito feliz ao rezar e meditar a iluminação bíblica e o lema do encontro.
Essa pergunta habita no coração humano. A respeito de tudo e em todas as circunstâncias. Atesta-o a experiência pessoal, documenta-o a história, confirma-o o relato bíblico. O rosto da pergunta surge no alvor das origens com aquele célebre: “Adão, onde estás? Que fizeste do teu Irmão?”; no templo de Silo no diálogo do jovem Samuel com o sacerdote Helí, nas proximidades do rio Jordão com dois discípulos de João a Jesus de Nazaré: “Mestre, onde moras”? Jo 1, 35-42.

Também, hoje, a pergunta bate “à porta” da nossa consciência: Que queres da vida? Que sentido dás ao tempo? Como geres o instante no todo na tua história pessoal? Tens presente o teu futuro definitivo?
E o teu contributo para o bem de todos? Cada um de nós saberá continuar a lista sem dificuldade.

Toda a pergunta tem resposta. “Vinde e vede”, a resposta de Jesus fica como modelo e pedagogia para todos os peregrinos da verdade. Eles vão e ficam na sua companhia. Deixam-se “moldar” pelo modo de ser do Mestre. Mais tarde serão enviados em missão. E, como outrora, também agora, somos convidados a conviver com Ele, a partilhar a sua vida, a acolher o seu olhar penetrante, a deixar-nos atrair e a “agarrar” pela experiência gratificante que dá resposta aos anseios mais profundos do coração humano.

Os discípulos, na companhia do Mestre, aprenderam os modos de realizar a missão: curar doentes e alimentar famintos, partilhar e viver na alegria sincera, deixar-se conduzir pelo amor universal e generoso, que Deus nos tem, acolher os mais débeis e afastados das fontes da vida. E partem pelos “quatro cantos da Terra” a anunciar a vocação sublime de todo o ser humano, a apreciar e a cuidar a dignidade do seu corpo (toda a sua pessoa), a construir relações na base da regra de ouro “tudo o que queres para ti, fá-lo aos outros”, a reconhecer que só a civilização do amor manifesta, o melhor possível, a convivência sustentada em sociedade e redimensionada na cultura, a vocação de toda a humanidade.

Essa mesma vocação que nos convida a partilhar “A vida, o pão e a utopia”. De que serviria dizer que somos seguidores de Cristo se somos indiferentes às dores dos nossos irmãos? “Mostra-me tua fé sem obras que pelas minhas obras te mostrarei a minha fé” lembra-nos o apostolo Thiago.

Meus queridos e minhas queridas jovens, tenho muita esperança em vocês que dão testemunho com as suas vidas desse Cristo libertador. Esse Cristo que “olhou ao jovem com misericórdia e o amou”, a Igreja também ama vocês e por isso os peço que não se deixem abater pelas coisas que possam chegar a ouvir da juventude, em todo tempo histórico se falou pejorativamente dos jovens, mas também em todo tempo foi essa mesma juventude que dava testemunho de compromisso, fidelidade e alegria.

Nunca percam a esperança e a utopia, vocês são os profetas da esperança, são o presente da sociedade e da nossa amada Igreja e por sobre todo são os que podem construir uma nova Civilização do amor.
Joguem a vida por grandes ideais. Apostem em grandes ideais, em coisas grandes; não fomos escolhido Que o bom Deus abençoe sempre seus passos e seus sonhos e que a Nossa Senhora aparecida os cubra sempre com o seu manto sagrado.

Com minha benção apostólica.

Vaticano, 21 de Janeiro – Dia de Santa Inês – de 2015.
+ Francisco

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Encontro de Memória e Compromisso com a Vida – Vela Cepa da PJ


Reunidos em Hidrolândia, Goiás – terra das águas, localizada na região central do Brasil, de 16 a 18 de janeiro de 2015, em comunhão com o encontro nacional da PJ em Manaus, cujo lema é “no encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia”. Com alegria, sentimos que estamos sambando na cara do capitalismo ao nos encontrarmos.

Nestes dias fomos animados pelo belo filme sobre Dom Pedro Casaldáliga “Descalço sobre a terra vermelha", que remeteu a nossa memória ao centro da gestação, nascimento e crescimento da PJ. Reafirmamos nosso compromisso com a opção preferencial pelos pobres e pelos jovens dentro das lutas de classe. Viemos do amor pela humanidade, somos herdeiros de lutas, somos fazedores de sonhos, somos comunidade alternativa...

Partilhamos sobre os vários ciclos da vida e acolhemos com imenso carinho o momento em que cada um vivencia. Reafirmamos nosso compromisso com as juventudes e, de modo especial, com a PJ do Brasil. Também reanimamos nosso compromisso com o seguimento de Jesus.


Emanamos, daqui de onde estamos reunidos, nosso sentimento de luz e paz em vossas vidas. Força na luta e resistência como aquelas ervinhas que teimam em brotar em plena dureza do asfalto... Gente simples, em lugares simples, fazendo coisas pequenas, podem transformar a face da terra!
 




Observação:
Pedro Casaldáliga é bispo emérito e nasceu na província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928, e vive no Brasil desde 1968. Ingressou na Congregação Claretiana em 1943, sendo ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Foi nomeado administrador apostólico da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) no dia 27 de abril de 1970. O Papa Paulo VI o nomeou bispo prelado do município em agosto de 1971.
 


Estiveram presentes no encontro: Padre Onivaldo Dyna, Sandra Procópio, Ademir Azevedo Camila Bonfim, Lourival Rodrigues da Silva , Gilcelio Peres, Guilherme José Gomes Carvalho, Mara Tavares e passou aqui Carmem Lucia Teixeira, Ciron, Flávio Sofiati e pai Antonio Sofiati. Conversamos com nossa amiga Ana Cláudia König diretamente da Alemanha via Skype. Passou também Alexandre Pereira Rangel, Maira, Dandara e Manu. As crianças Arthur, Hélder e Inácio, e Adilson, companheiro da Mara.

Publicado por Onivaldo Dyna 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Utopia necessária como o pão de cada dia - Pedro Casaldáliga






“A utopia é necessária porque a desigualdade entre ricos e pobres aumenta, segundo a ONU, inclusive em países do Primeiro Mundo. Nossa América, segundo a OEA, é a região mais injusta, por essa desigualdade sistemática.

 Há mais riqueza na Terra, mas há mais injustiça. África tem sido chamada "o calabouço do mundo", uma "Shoá" continental. 2,5 bilhões de pessoas sobrevivem, na Terra, com menos de 2 euros por dia e 25 mil pessoas morrem diariamente de fome, segundo a FAO. A desertificação ameaça a vida de 1,2 bilhão de pessoas numa centena de países. Aos emigrantes lhes é negada a fraternidade, o chão debaixo dos pés. EEUU constrói um muro de 1.500 Km contra a América Latina; e Europa, ao sul da Espanha, levanta uma cerca contra a África. Tudo isso, além de iníquo, é programado. Um imigrante africano, numa comovedora carta escrita "atrás dos muros de separação", adverte: "Peço-lhes que não pensem que é normal que vivamos assim, porque, de fato, é o resultado de uma injustiça estabelecida e sustentada por sistemas desumanos que matam e empobrecem... Não apoiem esse sistema com seu silêncio".


Mas a Humanidade "se move"; e está dando uma virada para a verdade e a justiça. Há muita utopia e muito compromisso neste Planeta desencantado. Alguém já recordou que o Século XX "foi um imenso cemitério de impérios: o britânico, o francês, o português, o holandês, o alemão, o japonês e o russo". Fica, balançando, o império estadunidense, que vai cair também. América Latina se distancia da tutela dos Estados Unidos e Ásia deu também as costas aos Estados Unidos, na primeira cúpula organizada pela ASEAN. A UNESCO declarou Patrimônio da Humanidade a Diversidade Cultural. O Século XXI -que já sabemos que será um século místico- será também o século do Meio Ambiente. O diálogo ecumênico e o diálogo inter-religioso crescem em vários níveis, como um novo paradigma da fé religiosa e da paz mundial. As Igrejas, as Religiões, vão se encontrar necessariamente e terão de fazer a paz para a paz do Mundo. Na Igreja Católica, dentro de uma monótona continuidade oficial, que já se esperava, muitas comunidades e muitos coletivos de reflexão teológica e de pastoral sabem ser simultaneamente fiéis e livres. Vamos aprendendo a ser Igreja adulta, una e plural. Se rechaçamos a ditadura do relativismo, também rechaçamos a ditadura do dogmatismo. Não permitiremos que o Concílio Vaticano II seja um "futuro esquecido"; e até urgimos o processo de preparação de um novo Concilio, verdadeiramente ecumênico, que contribua a partir da fé cristã na tarefa maior de humanizar a Humanidade”.

Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Felix do Araguaia/MT

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Escola de Educadores/as de Adolescentes e Jovens - Cajueiro 2015



A proposta de um caminho de formação de jovens e adultos/as como educadores/as de processos populares com adolescentes e jovens nasceu em 1997. O projeto foi fruto de mais de 10 anos de estudo de um grupo que realizou seminários, estudos pessoais e grupais para chegar a esta síntese.

Este ano estamos celebrando 18 anos de acúmulo com a realização em várias modalidades. Em 2015/2016 será realizada com uma Congregação de Irmãs Lurdinas em três módulos: Janeiro, julho e janeiro.

O primeiro módulo acontece em Niterói/RJ. Estará assessorando Carmem Lucia Teixeira, mestre em Ciências da Religião, pesquisadora de juventude; Vanildes Gonçalves dos Santos, mestre em Sociologia, professora da Universidade Católica de Brasília e Rezende Bruno de Avelar, mestre em Ciências da Religião e Doutor em Sociologia.

Os temas trabalhados serão: a pessoa do/a educador/a, o sujeito jovem destinatário da ação e o processo de formação.

Estarão participando 50 irmãs de alguns países do continente latino americano;Brasil, Chile, Bolívia. Irmãs que estão em diversos serviços e fase da formação.

O Objetivo da Congregação é oferecer uma formação que prepare pessoas comprometidas com o carisma que tem como fonte a vida da juventude.


Jovem Comunica! Cajueiro 2015



O projeto de Comunicação Jovem tem como objetivo provocar a criação de agrupamentos juvenis para a construção de oportunidades de comunicação e, ainda, fazer ressoar a voz da juventude sobre a sua realidade a partir dos diversos lugares vitais.

Capacitar para o uso dos veículos de comunicação que estão a disposição e das Redes Sociais, assim como, trabalhar a leitura de mundo de modo a posicionar-se como sujeitos jovens.

Impulsionar a Campanha "A Juventude quer Viver" construindo pautas sobre as políticas que promovem os direitos que geram uma vida segura para a juventude empobrecida.

Refletir as situações da vida da juventude para encontrar caminhos novos para posicionar-se criando fatos para chamar a atenção da sociedade sobre fatos que impactam a vida da juventude.

Construir com isto uma pauta, um caminho para o grupo produzir a comunicação que chame atenção da juventude e da sociedade.

Realizar três encontros durante o ano de 2015: 1/03; 21/06 e 24/10.

A ideia é construir um caminho com à juventude empobrecida. O primeiro encontro será de planejamento do ano, com a pauta dos temas a ser trabalhado no ano.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Encontro da Mística - sabor e resistência - lugar bíblico Jerusalém


Alimentar-se da mística da resistência, reconhecer o sabor produzido pelo Cajueiro em nossas vidas. Será um tempo para cultivar a amizade entre nós e o compromisso com a vida da juventude empobrecia e suas causas.

O encontro está previsto para os dias 30, 31 e 1 de fevereiro de 2015. No dia 30 chegada. Finaliza com o almoço no dia 1/02.

O local será na cidade de Goiás, na sede da Fraternidade da Anunciação.

O valor das diárias R$ 140,00 reais.
Levar roupa de cama e banho.

Quem puder apoiar outras pessoas a participar fazendo suas doações que podem ser em dinheiro e, também, em materiais de uso no encontro.

Vamos rezar, partilhar a vida como amigos/as que acreditam no projeto de vida.

Padre Hilário Dick estará nos apoiando na reflexão. Será um encontro de construção coletiva.

Faça sua inscrição. Temos 40 vagas.

As pessoas que desejam colaborar com o encontro podem fazer através da conta:Banco Bradesco
Ag. 1222-0
CC: 3524-6
Em nome de Aurisberg Leite Matutino e Carmem Lucia Teixeira. 

E as inscrições pode ser feita aqui  http://goo.gl/forms/SByyTCqGaX .

sábado, 10 de janeiro de 2015

O meu nome é MEDO - Frei Betto



Meu propósito é dominar corações e mentes. Incutir em cada um o medo do outro. Medo de estender a mão, tocar em cumprimento a pele impregnada de bactérias nocivas.


Medo de abrir a porta e receber um intruso ansioso por solidariedade e apoio. Com certeza ele quer arrancar-lhe algum dinheiro ou bem. Pior: quer o seu afeto. Melhor não ceder ao apelo sedutor. Evite o sofrimento, tenha medo de amar.


Quero todos com medo da comunidade, do vizinho, do colega de trabalho. Medo do trânsito caótico, das rodovias assassinas, dos guardas que intimidam e achacam. Medo da rua e do mundo.


Convém trancar-se em casa, fazer-se prisioneiro da fragilidade e da desconfiança. Reforce a segurança das portas com chaves e ferrolhos; cubra as janelas de grades; espalhe alarmes e eletrônicos por todos os cantos.


Faça de seu prédio ou condomínio uma penitenciária de luxo, repleta de controles e vigilantes, e no qual o clima de hostilidade reinante desperte, em cada visitante, uma ojeriza ao prazer da amizade.


Tema o Estado e seus tentáculos burocráticos, os pesados impostos que lhe cobra, as forças policiais e os serviços de informação e espionagem. Quem garante que seu telefone não está grampeado? Suas mensagens eletrônicas não são captadas por terceiros?

O mais prudente é evitar ser transparente, sincero, bem humorado. Sua atitude pode ser interpretada como irreverência ou mesmo ameaça ao sistema.


Fuja de quem não se compara a você em classe, renda, cultura e cor da pele; dos olhos invejosos, da cobiça, do abraço de quem pretende enfiar-lhe a faca pelas costas.


Tenha medo da velhice. Ela é prenúncio da morte. Abomine o crescimento aritmético de sua idade. Jamais empregue o termo “velho”; quando muito, admita “idoso”.


Tema a gordura que lhe estufa as carnes, a ruga a despontar no rosto, a celulite na perna, o fio branco no cabelo. É horrível perder a juventude, a esbeltez, o corpo desejado!


Tenha medo da mais terrível inimiga: a morte. Ela se insinua quando você fica doente. Saiba que ninguém está interessado em sua saúde. Em seu bolso, sim. Basta adoecer para verificar como haverão de humilhá-lo os serviços médicos e os planos de saúde.

Não se mova! Por que viajar, abandonar o conforto doméstico e se arriscar num acidente de ônibus, navio ou avião? Nunca se sabe quando, onde e como os terroristas atacarão. Quem diria que numa bucólica ilha da pacífica Noruega o terror provocaria um genocídio?


Meu nome é medo. Acolha-me em sua vida! Sei que perderá a liberdade, a alegria de viver, o prazer de ser feliz. Mas darei a você o que mais anseia: segurança!


Em meus braços, você estará tão seguro quanto um defunto em seu caixão, a quem ninguém jamais poderá infligir nenhum mal, nem mesmo amedrontá-lo.

Autor: Frei Betto


publicado na página do AMAIVOS.








Jovens negros morrem 2,5 vezes mais que os brancos

Publicado na Revista Isto é por Antonio Carlos Prado e Elaine Ortiz Estudo feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a pedido do governo federal, aponta:   - Jovens negros no Brasil correm, em média, 2,5 vezes mais risco de morrer se comparados aos jovens brancos; - Na região Nordeste esse índice é o dobro: 5 vezes mais risco de morte 30 mil jovens foram assassinados recentemente no País: 76,5% eram negros ou pardos; - Nos últimos anos o índice de homicídios de jovens brancos caiu 5,5%; o de jovens negros aumentou 21,3%; ISTOÉ,  Edição:  2354 -  09.Jan.15 -

sábado, 27 de dezembro de 2014

Desde Samaria – reconhecer e conviver com a juventude – até Jerusalém



Essa é a tenda de Deus com as pessoas. Ele vai morar com eles.
Eles serão o seu povo e ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus.”
[Apocalipse 21, 3]


Estamos finalizando mais um ano. Parece ser clichê fazermos esses discursos de encerramento de ciclos... Mas, para nós da Pastoral da Juventude a memória é algo sagrado e por isso nesse caminho de revitalização da Pastoral da Juventude no continente, se configura também num momento importante. Em 2014 vivemos a mística de Samaria no caminho de Jesus e da juventude. Foi tempo de beber da mesma água que o Mestre, saciando nossa sede e encontrando nela mais força para nos lançarmos a Jerusalém, no próximo ano. Na beira do poço nos encontramos e de lá somos enviados/as á Jerusalém, para a consumação da vida na doação máxima, com amor até o fim pela juventude e pelos/as pobres.
Samaria, nesse caminho, nos provocou a dois movimentos desde Jesus em direção à juventude:
1) Reconhecer a juventude – no processo da Samaritana que lemos no capítulo quarto de João e também no texto do Bom Samaritano, capítulo dez de Lucas (entre outros textos...), percebemos um caminho de, aos poucos, irmos entendendo a presença sempre nova dos/as jovens na Igreja e no seu lugar social. Reconhecer essa presença exige antes de tudo uma nova postura. Não é só um reconhecer de quem observa de fora, fazendo ciência – mesmo que isso seja muito importante – para além disso é um reconhecer-se junto deles/as. Reconhecer entre a juventude. E, de maneira especial, reconhecer os/as jovens silenciados/as, esquecidos/as e escondidos/as. Nesse sentido, o convite a reconhecer se torna profecia na medida em que desvela algo que intencionalmente está apagado pelo sistema capitalista. Reconhecer a juventude na Igreja significa dar voz, vez, espaço nos conselhos, celebrações, muito para além de trabalhos como arrumar as mesas para a festa da comunidade. Reconhecer também é “conhecer de novo”. Por mais conteúdos que podemos ter sobre os/as jovens, nunca saberemos tudo. Ainda mais num tempo de mudanças rápidas e significativas, de novos conceitos, conhecer se torna uma tarefa cotidiana de quem estuda e de quem ama, de quem come junto e se encontra diversas vezes. Como temos percebido esse reconhecer a juventude no lugar onde estamos? Quais passos são necessários? O que nosso grupo ou eu como jovem posso contribuir na continuidade desse caminho?
2) Conviver com a juventude – Como é bom comer com quem a gente gosta. A comida fica mais saborosa. O rosto fica mais alegre. Os/as companheiros/as são aqueles que comem o mesmo pão, mesmo quando não há pão. Nesse sentido, fomos provocados/as a conviver diretamente com a juventude para também reconhecê-la. Estar junto... Aproximar-se... Na mística do poço de Samaria, chegar perto, ouvir, dialogar, conviver intensamente para deixar-se inebriar pelo cheiro, pelo gosto, pelo olhar, pelo corpo-alma-espírito da juventude. Conviver também é rezar junto. Rezar a espiritualidade juvenil do Divino que nasce do meio deles/as, da festa, da alegria, da fidelidade, do compromisso, da luta, da justiça, da Civilização do Amor. É a mesma atitude do Deus de Jesus, que monta a Sua tenda entre nós: “Essa é a tenda de Deus com as pessoas. Ele vai morar com eles. Eles serão o seu povo e ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor...” (Ap 21, 3-4). É divino ser aberto, ser tenda, habitar no meio da juventude para transformar profeticamente as realidades necessárias.
Sabemos que há, na mística de Samaria, muito o que dizer ainda. Não temos intenção de dizer tudo. Apenas algumas provocações. Isso foi o que buscamos fazer ao longo desse caminho à beira do poço. Agora o caminho vivido nos lança a Jerusalém – o ponto culminante do nosso processo de revitalização, de nossa vida de seguidores/as de Jesus, porque Jerusalém é o lugar para onde marchamos com Jesus. Se somos seguidores/as de Jesus, não podemos fugir de Jerusalém, da Jerusalém da cruz e da morte. Da Jerusalém da Ressurreição e da vida plena. Convidamos todos/as a fazer esse caminho conosco, deixando-se invadir pela radicalidade da opção do Nazareno pelo Reino de Deus que quer ser nossa radicalidade na opção pela vida juventude.
Em 2015 não faremos mais textos de reflexão, mas roteiros de encontros de grupos de jovens para vivermos mais intensamente esse tempo. Pensaremos um roteiro de encontro, na mística de Jerusalém. Dentro desse roteiro teremos uma reflexão, a partir de uma passagem bíblica, refletindo as seguintes temáticas:
Janeiro – De Emaús a Jerusalém
Fevereiro – De Belém a Jerusalém
Março – De Nazaré a Jerusalém
Abril – De Betânia a Jerusalém
Maio – De Samaria a Jerusalém
Junho – De Cafarnaum a Jerusalém
Julho – Da região Siro-Fenícia a Jerusalém
Agosto – A experiência da Paixão – Morte - Ressurreição nas comunidades de Marcos
Setembro - A experiência da Paixão – Morte - Ressurreição nas comunidades de Mateus
Outubro - A experiência da Paixão – Morte - Ressurreição nas comunidades de Lucas
Novembro - A experiência da Paixão – Morte - Ressurreição nas comunidades de João
Dezembro – Síntese do caminho vivido desde 2011, desafiando-nos para próximos passos.
Nesse caminho de produção, edição, partilha, organização contaremos com a ajuda do nosso querido Thiesco Crisóstomo, de Marabá/PA, que acolhemos com muita alegria.
Que as águas bebidas no poço de Samaria nos enviem para Jerusalém, para a consumação da doação da vida radicalmente a serviço da juventude, dos/as pobres e na construção da Civilização do Amor.
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Hino de encerramento e celebração do ano de Samaria
Composição e Música - Cladilson Nardino
Interpretação - Liége Santin Xavante-Casaldáliga e Cladilson
Edição do vídeo - Maycon Fritzen


Um longo caminho percorremos
Viemos de Belém para Samaria
Reconhecemos as belezas dessa vida
Bebemos da água de nosso mestre
Caminhamos com fé e gratidão
Em Samaria,
Encontramos cuidado e compaixão
Em Samaria...

Com dialogo e com amor
Da exclusão Ele nos tirou
Acolheu o ferido sem medo
E curou bem de suas feridas
Seu testemunho nos alegra
E nos inspira a anunciar
Com sorrisos, lutas a causa.
Em Samaria...

Samaria é construir comunidade
Nos encontrando com o Senhor
Samaria, lugar sagrado,
Samaria, onde está o outro,
Samaria, lugar pastoral.
Em Samaria...

Vemos no povo oprimido
Nos feridos, no pobre, nosso irmão
Caminhando buscamos vida nova
Inspirados na memória
Memória que alimenta a esperança
Em Samaria... (2x)

Caminhamos rumo a Jerusalém
Dando voz, vez e espaço
Chegar perto, ouvir e olhar...
No jovem ver o divino
Comer do mesmo pão.
Mesmo quando não há pão
E Nos lançar...
À Jerusalém.
Jerusalém
Da cruz e da vida
Jerusalém... (2x)




Cladilson Nardino – Estudante de Engenharia Civil e membro da coordenação arquidiocesana da PJ de Curitiba/PR
Luis Duarte – Militante da PJ
Maicon A. Malacarne – Padre e assessor da PJ de Erexim/RS


domingo, 21 de dezembro de 2014

DECRETOS DE NATAL de Frei Betto



 
     Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes junto aos famintos e excluídos, como propõe o papa Francisco. Papai Noel será malhado como Judas e, lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do Menino Jesus. 
 Fica decretado que encantaremos as crianças de mistérios ao professar o Deus que se fez homem entre nós. Não mais recorreremos ao velho barbudo de sorriso ridículo, e sim aos relatos bíblicos que narram o mais singular de todos os fatos históricos: em Belém, Deus se tornou humano para que possamos nos tornar divinos.
  Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves; trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais; renas e trenós por carroças repletas de alimentos não perecíveis; e se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e sandália.
Fica decretado que, cartas de crianças, só as endereçadas ao Menino Jesus, como a do meu sobrinho Lucas, de 6 anos, que escreveu a ele convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; e propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer, e todos nós vivermos para sempre. 
Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus.
      Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone celular e, recolhidos à solidão e ao silêncio, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.
     Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecerão ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão.
     Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza.
     Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seu custo convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal da pessoa que a serve.
     Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar que ele é “Pai Nosso” se o pão também não for de todos, e não privilégio da minoria abastada. 
  Fica decretado que toda dieta  reverterá em benefício de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou mera formalidade. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços.
     Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém.
     Fica decretado que, como os reis magos, haveremos de reverenciar, com a prática da justiça, aqueles que, como Maria e José, foram excluídos da cidade e, como uma família sem terra e teto, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança. 

 Frei Betto é escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.