segunda-feira, 8 de maio de 2017

AMAR E MUDAR AS COISAS NOS INTERESSA MAIS





No dia 06 de maio de 2017 o grupo de Educação Popular do Cajueiro esteve reunido na Caravídeo para participar do encontro com o tema Análise de Conjuntura, o Lugar da Educação Popular hoje. O encontro foi assessorado pelo Dennis Lucas Gonçalves, do Movimento Camponês Popular (MCP) e da coordenação nacional da Frente Brasil Popular (FBP). O encontro foi conduzido pela Ângela Cristina e Arilene Martins, ambas do Cajueiro.

O encontro iniciou com um bate papo no café da manhã ao som de Belchior. Às 9h iniciou-se a mística, onde os participantes colocaram em tarjetas com formato de pés suas esperanças e desencantos e sobre os quais explanaram posteriormente na plenária. Após esse momento, ouvimos a música Alucinação de Belchior enfatizando que essa foi uma semana de memória dos lutadores da nossa caminhada: Dom Tomás, Paulo Freire, Lourival e Belchior.

A metodologia da análise de conjuntura teve como referência o livro Como se faz Análise de Conjuntura do Herbert de Souza, cujo princípio diz que análise de conjuntura só tem sentido ser feita com o intuito de agir. Nessa metodologia, considera-se quatro categorias da análise de conjuntura:
 Acontecimentos, Cenários, Atores e Estrutura. 

Ao analisar a Estrutura, enfatizou-se a crise política (descontentamento político e  surgimento de representantes fora do convencional), econômica (falência bancárias de instituições tradicionais nos USA em 2008, resultando em concentração de riqueza), social (devido a concentração de riqueza sem o processo de ascensão social da base, resultando em inúmeros protestos), ideológica (ausência de alternativa clara para saída dessa conjuntura, sequer de cunho neoliberal) e ambiental.


Em relação aos atores, observou-se uma  polarização, destacando-se, no Brasil, três tendências na disputa eleitoral de 2014. A reversão neoliberal personificada na candidatura do Aécio Neves, baseado no combate ao inchamento do Estado e corrupção, a candidatura da Dilma Roussef, com o tema Muda Mais, afim de avançar na política de inserção social, e o grupo que defendia a Refundação do Sistema Político. Com a vitória da Dilma Roussef, o governo se aproximou mais do primeiro campo (ajuste fiscal e corte de gastos), não considerado suficiente pelo mercado, resultando no impeachment.

Em relação aos acontecimentos, destacou-se as Reformas Previdenciária e Trabalhista, os ajustes fiscais, a criminalização dos movimentos sociais e o golpe em curso e que têm como cenário as Ruas, o Congresso, o Judiciário  e os Meios de Comunicação.

Nas Ruas destacou-se dois movimentos, as marchas contra a corrupção, com pauta única e fundamental para consolidar o golpe, e as atuais lutas de massa que estão se destacando nos últimos meses. Outros cenários: o Congresso, considerado o mais conservador após a ditadura de 1964, o Judiciário, conservador e que não sofre influência do anseio popular, e os meios de Comunicação, que tem a função de orientar as massas populares.

Diante dessa conjuntura, acredita-se na necessidade da aglutinação das forças de esquerda, que é a proposta da Frente Brasil Popular. 

Após a fala do assessor, a plenária se manifestou com mais cenários de esperança que desencantos e, ao final, em círculo, recitou-se falas do Paulo Freire (Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo) Dom Tomás (Direitos Humanos não se pede de joelhos, exige-se de pé), Belchior (Mas eu não estou interessado em nenhuma teoria. Amar e mudar as coisas me interessa mais). Denise recitou a poesia do livro “Versando Rebeldia” intitulado Declaro Guerra e relembrou-se o testemunho do Lourival.

Denise e Marcia Mascarenha


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