quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O ENCERRAMENTO DO JORNAL MUNDO JOVEM – 53 anos



O Papa Francisco tem-nos provocado para sermos uma Igreja em movimento e tomarmos posição em defesa dos/as pobres e oprimidos/as. Nesse espírito, olhando para a juventude e a Bíblia, viemos a público repudiar o fechamento do Jornal Mundo Jovem, comunicado pela PUC-RS/Maristas no dia 27 de outro de 2016. 

Os direitos da juventude e, tristemente, de modo violento, dos adolescentes do ensino médio, têm sido duramente ameaçados e negados nos últimos dias. Recentemente foi publicada, sem nenhum diálogo com professores/as e estudantes, a MP do Ensino Médio, que o altera profundamente. Há ainda a PEC 241, aprovada na Câmara dos Deputados, em tramitação no Senado, que congela os investimentos em educação, saúde e políticas públicas por 20 anos. Trata-se do maior retrocesso nas políticas públicas na história do país. A redução da maioridade penal segue tramitando e sendo posta em prática, a todo vapor. Além isso, há inúmeros direitos negados todos os dias aos/as os/as jovens, em especial à juventude empobrecida. A violência e o extermínio juvenil não param e seguem crescendo no país. No entanto, essa realidade parece não sensibilizar a PUC-RS/Maristas ao fechar um instrumento histórico de reflexão das juventudes, a revista Mundo Jovem. Trata-se do encerramento de uma importante obra que, em seus 53 anos, pautou a defesa da vida e dos direitos, ajudando milhares de pessoas no acesso à informação e formação educacional de qualidade. 

Novamente a Igreja, dessa vez representada na figura da PUC RS, vira as costas para essa juventude. Se, de um lado, o documento 85 da CNBB e o documento Civilização do Amor – Projeto e Missão traçam orientações para a evangelização da juventude e reafirmam a opção da Igreja pela Juventude, de outro lado, parece que a juventude só interessou à Igreja no período da Jornada Mundial da Juventude no Brasil... O fechamento do MJ é parte de um processo de omissão e de distorção pedagógica e teológica eclesial para a juventude, em especial para a juventude mais comprometida socialmente. Jovens e adultos choram a perda do Jornal MJ, mas recentemente choraram também a perda e fechamento dos CMJs – Centros Marista da Juventude, da CAJU – Casa da Juventude Pe. Burnier/Jesuítas e do IPJ RS – Instituto de Pastoral da Juventude (várias congregações). É um desmonte que corta corações. 

Publicamente, manifestamos por isso nossa indignação pela decisão se tratando de uma obra tão importante da envergadura de uma Jornal que chegou a mais de 100 mil assinaturas. São 53 anos e milhares de pessoas formadas e informadas lendo os textos apresentados. Várias escolas, em todo o Brasil, utilizaram esse material como subsídio importante para a sala de aula. Centenas de grupos, eclesiais e sociais, utilizaram a revista para pautar suas formações. Mas, nada disso foi tomado em consideração, assim como o pobre parece não ter mais peso em nossas preocupações evangelizadoras. O MJ foi fechado e o bem que era feito sequer foi considerado em tempos que todos buscamos canais eficazes de comunicação com a juventude.


Ver a juventude ocupando milhares de escolas contra a MP do Ensino Médio e a PEC 241 enche-nos de esperança. Apesar de não termos mais o MJ seguiremos na causa das juventudes, formando grupo e articulando redes em defesa da vida. É neste contexto que solicitamos à Congregação dos Irmãos Maristas, que tem como carisma fundante o trabalho com a juventude, que analise, retome, considere com espírito profético esta decisão em favor das juventudes.

Nós, responsáveis de várias instituições dedicadas ao bem das juventudes, com diversos instrumentos, assinamos e esperamos uma resposta pública dos responsáveis que vá além de possíveis justificativas.
Final de outubro de 2016.

Deixe a sua assinatura pessoal ou institucional para posicionar e solicitar revisão desta decisão:

3 comentários:

  1. Não consigo acreditar que vamos perder as poucas iniciativas que já foram tomadas em prol da juventude ! Por favor repensem !

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  2. Patricia é muito triste ainda mais com a história do Mundo Jovem, sendo de uma congregação cujo o carisma é jovem. Não dá para acreditar. Desta vez os Maristas ficaram devendo.

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  3. Assinei o Mundo Jovem por um longo tempo. Infelizmente nesses últimos anos fiquei sem o acesso. Agora estava me organizando com um grupo de colegas professores para fazer a assinatura. Fiquei pasmo com a iniciativa de seu fechamento. Só lamento. É um retrocesso.

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