quinta-feira, 17 de março de 2022

Curso de Preparação para o ENEM - TrilhaUni - inscrições até o dia 25/03

 


O TrilhUni - Na Trilha da Universidade, é um projeto de formação destinado à juventude empobrecida, com atenção às mulheres e os/as  jovens negros/as oriundos de escolas públicas.

É  um espaço de formação que visa capacitar jovens entre 17 e 30 anos, para a entrada e permanência na Universidade e para o mundo do trabalho, através de um processo de formação de sujeitos críticos e intelectualmente  capazes de realizar as provas do ENEM.

Como será realizado o TrilhaUni?

As atividades de formação acontecerão a partir de 4 eixos: Linguagens, Sociedade, Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias. Estes eixos serão trabalhados a partir de aulas aos sábados, trabalhos de aprofundamentos com grupos de estudo específicos durante a semana e tempos para refletir projetos de vida.   

DATA DE REALIZAÇÃO:  02/04 a 25/06

LOCAL: Centro Cultural Caravideo, Sede do Cajueiro- Rua 83, Nº 361 Setor Sul - Goiânia - GO.

HORÁRIO E FUNCIONAMENTO DO CURSO TRILHAUNI: atividades todos os sábados, 13h   às 17:30h. E  grupos de estudos por disciplinas específicas durante a semana, das 18:30 às 20:30.

COMO ENTRAR NO TRILHAUNI?

PROCESSO DE SELEÇÃO – Para participar é necessário fazer um caminho:

INSCRIÇÃO DO DIA 25/02 a 25/03  – inscrição pela ficha

online CLIQUE AQUI E FAÇA A SUA INSCRIÇÃO

ENTREVISTA E SELEÇÃO : 21/03 a 25/03  - Entrevista para conhecer o jovem e apresentá-lo às especificidades do projeto

HORÁRIO: Será comunicado  diretamente com o entrevistado.

LOCAL: Centro de Juventude Cajueiro está situado  Rua 83, n. 361 - Setor Sul - Goiânia/GO -

DIVULGAÇÃO DO RESULTADO: 29/03

MATRÍCULA E INÍCIO DAS AULAS: 02/04 entrega dos documentos/ matrícula e início das aulas.

COLABORAÇÃO: R$ 10,00

Maiores Informações:  e-mail: trilhaunicajueiro@gmail.com

O Projeto é organizado por uma rede de grupos e instituições, dentre elas:  Cajueiro -  Centro de Formação, Assessoria em pesquisa em Juventude é uma organização não governamental, da sociedade civil, com presença de educadores/as  com formação diversa. Situado em Goiânia/Goiás. Responsável pelo projeto.

Promenor  - uma instituição da Espanha que se dedica a apoiar jovens empobrecidos  para a entrada na Universidade.

Observatório Juventudes na Contemporaneidade é uma organização de universidades  e o Cajueiro, com sede na Faculdade de Ciências Sociais/UFG.

Centro Cultural Cara Vídeo - um grupo de pessoas que se dedicam a comunicação e oferecem o espaço para a realização do curso.

Floris,Frutos e Rosas - É um grupo de militantes, pessoas que se organizam a partir de sua experiência como Pastoral da Juventude, hoje profissionais que atuam em diversas áreas, mantém o vínculo de amizade.

Sou Cajueiro - Campanha de apoio aos projetos do Cajueiro - É formado por pessoas e grupos que fazem doação de valores, alimentos, serviços, materiais didáticos. Se você quer entrar nesta ciranda e apoiar este projeto pode fazer isto através do SouCajueiro  pode escrever para indicar em que pode ajudar trilhaunicajueiro@gmail.com    ou fazer a sua doação . Entregue sua doação no Centro de Juventude Cajueiro no Centro Cultural Caravideo Rua 83 n. 361 Setor Sul, Goiânia/GO pode ser em espécie ou em material didático, materiais de limpeza ou de alimentos para o lanche). você pode ser uma pessoa que colabora com as atividades do  Cajueiro https://cajueiro.org.br/sou-cajueiro/

maiores informações podem acessar as redes sociais:

Instagram - @trilhaunicajueiro

Instagram  - @centrodejuventudecajueiro

blog - https://cajueirocerrado.blogspot.com

Site/página - https://cajueiro.org.br/

youtube - canalcajueiro  https://www.youtube.com/channel/UCGGQccVCPVrVtFiGiCSiFeA

facebook - https://www.facebook.com/centrocajueiro

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Nota de Secretários Nacionais de Juventude e Presidentes do CONJUVE em relação à posição da atual SNJ, que defendeu a redução da maioridade penalEs

 


Nota  publicada na folha de São Paulo,  no dia
17.dez.2020 às 23h15 na coluna da Mônica Bergamo. Nós do Centro de Juventude Cajueiro apoiamos e assinamos junto este manifesto.

A Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) foi criada no ano de 2005, resultado das lutas coletivas e sociais da juventude brasileira, e desenvolvida com a afirmação e ampliação dos direitos dessas juventudes. Nos seus 15 anos de atuação, dialogou com organismos internacionais, espaços governamentais e com o parlamento; e formulou e fundamentou suas diretrizes em potentes espaços de diálogo e escuta, como o Conselho Nacional da Juventude e as Conferências Nacionais.

Neste ano, porém, a SNJ, diante da Proposta de Emenda à Constituição nº 32/2019, de autoria do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), elaborou uma nota técnica (nº 132/2020) favorável à proposta de redução da idade penal. Com esta posição, a Secretaria rompe com sua tradição histórica e democrática e com a perspectiva de direitos conquistada desde a sua criação e, inclusive, antes mesmo dela, com o pacto social construído na CF de 1988.

As conquistas no campo das políticas de juventude passam pela aprovação de uma PEC incluindo os jovens no artigo 227 da Constituição e a sanção, em 2013, do Estatuto Nacional da Juventude pela Presidência da República, que, entre seus preceitos, assume a complementariedade ao ECA e defende de forma intransigente a doutrina de proteção integral às crianças e adolescentes. Com esse parecer, a atual titular da pasta trai um legado construído por milhares de jovens do país.

A pauta da redução da maioridade penal não é novidade no Brasil. Desde 1993, parlamentares tentam, sem sucesso, incluir uma emenda à Constituição que busca ampliar os mecanismos punitivos e o endurecimento penal para adolescentes. Uma argumentação que não se sustenta em pesquisas e estudos qualificados, mas em matérias da grande imprensa que trazem um tom alarmista e provocam medo e sensação de insegurança na população. Essa política, agravada com a eleição de Jair Bolsonaro, se sustenta em uma agenda de ódio, de fragilização de direitos e de desmonte de políticas públicas por meio de estratégias racistas e patriarcais e da promoção do caos como tática de permanência no poder.

Trata-se assim de uma proposta inconstitucional que fere direitos fundamentais, que viola cláusula pétrea da constituição (art. 60, § 4º CF) e que atinge pontos basilares da Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), ratificada pelo Governo Brasileiro em 1990, e outros Tratados Internacionais de Direitos Humanos dos quais o Brasil é signatário, como o Pacto de San José da Costa Rica (1969) e a Declaração da III Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação, a Xenofobia e a Intolerância (2003). A proposta de reduzir a idade penal no Brasil já foi reconhecida como inconstitucional pela própria Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que, em fevereiro de 2014, rejeitou matéria que visava reduzir a imputabilidade para 16 anos.

A redução da maioridade penal não passa de uma medida de agravamento da seletividade racial do sistema penal e de aprofundamento do genocídio, que ao longo dos anos tem sido responsável pela morte de milhares de crianças, adolescentes e jovens negros no país. Vale lembrar que a tentativa de ampliar o controle sobre corpos negros de ainda menor idade é uma prática típica de grupos autoritários, preocupados em controlar e reprimir a presença da população negra no espaço público.

A Nota da SNJ desrespeita e ignora a proposta mais votada do espaço mais importante de participação social das juventudes, a 3ª Conferência Nacional (2015), que elegeu a proposta “Não à redução da maioridade penal, pelo cumprimento efetivo das medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente”, com 2.600 delegados em Brasília, em um processo que envolveu mais de 600 mil jovens no país.

É preciso reconhecer que os direitos previstos no ECA desde 1990 e, mais recentemente, os direitos do Estatuto da Juventude, estão longe de ser uma realidade para a maioria dos jovens brasileiros. Milhões de jovens de 15 a 17 anos estão fora da escola, estão desempregados e não contam com acesso ao lazer, à cultura e ao esporte. É uma geração marcada pelas desigualdades sociais, exposta à violência e assediada por mecanismos de acesso à renda marcados pela exploração e ilegalidade. Não é à toa que a grande maioria dos jovens que cometem atos infracionais, ou que morrem por homicídio, estava fora da escola e nem chegou a concluir o ensino fundamental.

Em que pese a tentativa dos setores conservadores de colocar os adolescentes e jovens como autores da violência, o que os dados nos mostram é que, na realidade, eles são vítimas e são os que mais morrem com a violência que assola o Brasil. Segundo o Atlas da Violência, em 2017, de 65.602 mortes por homicídios registrados no Brasil, 54,54% desse total eram jovens, que representam apenas 25% da população brasileira e, ainda, 75,5% das vítimas eram negras.

Outro equívoco nessa discussão é de que os atos cometidos pelos adolescentes são de extrema violência, o que não é possível ser comprovado. Segundo o Conselho Nacional de Justiça, em 2015, o Brasil tinha cerca de 22.640 adolescentes privados de liberdade, acusados de terem cometido algum ato infracional. Desse total de adolescentes que estão em unidade de internação, o que corresponde aos casos mais graves, 46% foram classificados como roubo, 24% tráfico de drogas e 10% homicídios. Se considerarmos a totalidade dos atos infracionais, os crimes hediondos representam apenas 2% desses atos.

As teorias da educação moderna argumentam em favor da maior efetividade do princípio socioeducativo em relação às medidas punitivas para tal aprendizado. As experiências internacionais que têm diminuído a criminalidade se organizam a partir de políticas de desencarceramento, reinserção do autor na sociedade e em penas em meio aberto para casos de delitos pequenos e não graves. As condições precárias dos presídios brasileiros e o domínio do crime organizado são evidências que nos apontam a ineficiência dessa alternativa para adolescentes e jovens brasileiros.

Por fim, não custa afirmar que seguiremos defendendo a efetivação dos direitos de crianças, adolescentes e jovens. A defesa que fazemos se sustenta em medidas socioeducativas em meio aberto, voltadas a criar mecanismos que visam reinserir os jovens na sociedade com oportunidades de trabalho e desenvolvimento. Apostamos no caráter pedagógico das políticas e na construção/reconstrução de projetos de vida que visam romper com a prática do ato infracional por parte de jovens e adolescentes.

 

Ângela Guimarães

presidenta do Conselho (2012 e 2014)

 

Beto Cury

secretário nacional (2005-2010)

 

Daniel Souza

presidente do Conselho (2015-2017)

 

 

Danilo Moreira

presidente do Conselho (2008 e 2010)

 

Davi Barros

presidente do Conselho (2009)

 

Ellen Linth

presidenta do Conselho (2007)

 

Gabriel Medina

presidente do Conselho (2011-2012)

secretário nacional (2015-2016)

 

Jefferson Lima

secretário nacional (2016)

 

Regina Novaes

presidenta do Conselho (2005-2006)

 

Severine Macedo

secretária nacional (2011-2014)

 

sábado, 26 de setembro de 2020

Nossa rede de proteção buscará desenvolver qual proteção?

 


Ao final do Seminário do Bem Viver – Tecendo Redes de Proteção à vida os/as participantes do mesmo foram convidados a refletir sobre as redes de proteção que estamos construindo, também esse seminário. Para refletir, foram convidados/as a responder algumas perguntas. Abaixo apresenta-se cada uma das questões e a síntese das respostas partilhadas até a presente data.

 Nossa rede de proteção buscará desenvolver qual proteção?

 A proteção que a Rede pretendente efetivar é a proteção integral da vida de jovens e adolescentes, que têm sido constantemente vítimas de uma sociedade que ceifa e extermina vidas e sonhos.  Nossa proteção é integral (ecoar, conscientizar, denunciar, garantir etc.), visando a libertação de todes/as/os. E para tal, desenvolvemos uma compreensão de proteção baseada nos marcos regulatórios internacionais e nacionais existentes específicos para a proteção de adolescentes e jovens.

  

Quem serão os/as protegidos/as?

 

· Os/as jovens e adolescentes mais vulneráveis, pobres e periféricos. A referência à periferia aqui não é apenas à periferia das grandes cidades e centros urbanos, mas abarca a periferia  do campo, dos territórios indígenas e dos demais rincões ameaçados pelo Capital.

· As crianças e suas famílias.

· A nossa casa comum, a natureza e o planeta Terra.

· As mulheres, os migrantes, os/as camponeses/as, os LGBTQIA+, os/as indígenas e os/as negros/as.

  

Protegido/a de que ou de quem?

 

Serão protegidos/as ...

 · de todas as formas de opressão, violações de diretos;

· do sistema capitalista ultraliberal;

· das violências, das drogas e da desilusão de não ser alguém quando crescer.  

· da falta de acesso aos direitos, da ausência de saúde, de ações que não promovem o cuidado com a casa comum;

· da manipulação dos meios de comunicação;

· das injúrias desse país ainda colonial;

· do patriarcado, machismo, elitismo, racismo e homofobia;

· da violência das redes sociais;

· da falta de autocuidado pessoas;

· de pedófilos, aliciadores, rede de prostituição, traficantes de drogas;

· da inoperância do próprio Estado.

 

Como o sujeito protegido é compreendido?

O/a sujeito protegido/a é compreendido/a como ...

 · agente de transformação, protagonista;

· sujeito de direitos;

· como uma pessoa única com suas características, peculariedades, necessidades e individualidade.

 

Além das relações pessoais, quais seriam os maiores desafios para pensar uma pactuação de trabalho em rede para proteção à adolescentes e jovens?

 

Muitos são os desafios para a atuação em Rede, mas detaca-se:

 · Ativação das secretarias juvenis nas cidades e estados;

· Emancipação das políticas já existente da proteção de jovens e adolescentes;

· Entender a complexidade social, cultural e política;

· Superar o consumismo; o individualismo; o bombardeio informacional e as fakenews;

· Chegar em um pleno funcionamento de todos os eixos, que envolve as redes;

· Mover as pessoas à uma conscientização mais aguçada;

· Renovar os projetos, técnicas e métodos de atuação para responder à realidade atual;

· Promover ações articuladas, com eixo de defesa, controle, participação ativa;

· Enfrentar o sistema capitalista;

· De fato, trabalhar em Rede;

· Articular a comunicação e atuação dos diferentes setores e instituições de forma conjunta, prática e concreta;

· ter um espaço de encontro efetivo, de diálogo permanente e qualificado para socialização de experiências, sejam elas positivas ou negativas e troca de experiências/vivencias

· Superar o ativismo;

· Encontrar agenda para as pautas comuns;

· Gerar processos de cuidado/autocuidado/

· Cuidar de quem cuida.

· Enfrentar os ciclos de violência contra as mulheres;

· Garantir Formação humana e pedagógica do educador preparado que trabalhem com jovens e mulheres.

· Amadurecer a formação para além da rede;

· Manter o trabalho a partir da pedagogia libertadora;

· Acompanhar as lutas por territórios;

· Manter e fortalecer a opção pelos/as pobres e excluídos/as;

· Reafirmar o compromisso com a vida; a educação popular, a educação do campo;

·  Criar mecanismos com dados de denúncia e violação de direitos. Um mecanismo de denuncia e promoção de justiça para os/as jovens e mulheres;

· Fortalecer a mística que move o trabalho do despertar a paixão o encanto com o trabalho com as mulheres e jovens;

· Dar continuidade no desenvolvimento dos intercâmbios, espaço de troca e partilhas das experiências bem como celebrar o caminho percorrido;

· Avançar num caminho de gestão e relações de proximidade para fincar o trabalho em rede nos diversos territórios do Brasil, nos quais nossas instituições estão presentes;

· Realizar sempre uma escuta qualificada;

· Mapear as realidades e suas necessidades;

· Aproveitar as possibilidades de suporte, fomento e aliança.

· Dar voz para que as próprias juventudes possam denunciar e promover ações de transformação dessa realidade, sendo efetivamente protagonistas nesse processo, tendo seus anseios e identidades respeitadas.

· Não perder de vista a sociedade que queremos construir, esse é o nosso horizonte: a sociedade do Bem-viver;

· Não assumir o papel do Estado ou de outras instituições, mas compreender e criar processos de integração, de potencialidade das “incompletudes” institucionais. Fortalecer os nós;

· Construir políticas “de, para e com” a juventude;

· Compreender os processos históricos, sociais e culturais que reproduzem violências.

· Desenvolver a solidariedade;

· Romper o individualismo, egocentrismo e imediatismo.