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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Os temas que precisam ser aprofundados na formação

 


 

Os/as participantes do Seminário Bem Viver – Tecendo Redes de Proteção à Vida identificaram, ao longo do seminário, temáticas e assuntos que precisam ser melhor estudados e aprofundados em vista de ações mais qualificadas e que gerem maiores transformações nas realidades. Abaixo apresenta-se uma síntese das temáticas elencadas pelos participantes.

Há uma grande necessidade de compreender melhor a diferentes realidades (26), de modo a refletir melhor e mais coerentemente a conjuntura (6). É preciso, compreender, estudar e refletir a vida das mulheres (6), dos/as indígenas (6), dos/as negros/as (8) dos povos tradicionais (5), do povo do campo (7), da população LGBTQIA + (3), dos/as adolescentes (7) e dos/as jovens (36) para não ser indiferente ante suas vidas. O cuidado com a Casa Comum (3), ecologia (2) e meio ambiente (2) e natureza (2) também precisa ser pauta do estudos e ações.

Evidencia-se também a necessidade de conhecer e entender profundamente os processos de desigualdade (13), racismo (8), patriarcado (2), xenofobia (2), colonialismo (5), machismo (4), homofobia (2) e as demais violências (42) para combate-las e erradicá-las. Nessa mesma direção, os/as participantes do Seminário, recordam a necessidade de compreender metodologias (3), processos e mecanismos do trabalho em Rede (6) para que a defesa da vida (35) e sua proteção (6) sejam efetivadas.

Por isso mesmo, temas como relações sociais (12) e interpessoais (4), feminismo (3), relações de gênero (8), sexualidade (4), justiça social (8), justiça restaurativa (2), migração (1), bem viver (9), moradia (2), saúde (2), libertação (2), educação popular (6), Deus (5), espiritualidade  (4), teologia (3), memória (2), psicologia (2) e  mundo do trabalho (8) também são assuntos pertinentes e que pedem processos formativos.

Além disso, as temáticas envolvendo as políticas (33), as políticas públicas (18), o controle social (2), a participação popular (4), a mobilização popular (2), direitos (8) e direitos humanos (5) também tem importância e pedem aprofundamento teórico.  

Os participantes do seminário evidenciam a necessidade de contínuos processos formativos em diferentes áreas do conhecimento e saberes para que as ações em vista da defesa da vida sejam sempre mais qualificadas e eficazes. A necessidade de estudo também se faz para que não sejamos indiferentes à vida concreta das pessoas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

"Memórias Pejotianas". Eu, "terra de bacuri"! Odalice Gonçalves

 

Interpelada, instigada, estimulada...acabei me sentindo motivada a "puxar" na memória fatos, fases, momentos, acontecimentos que deram corpo a minha história, especialmente nos tempos em que, cronologicamente, integrava a fase mais fértil da humanidade -juventude, "terra de bacuri".
Na verdade, a história da juventude de muitos de nós, "frutos", teve início um pouco antes de existir a Pastoral da Juventude na diocese. A minha assim o foi. Ingressei, na minha adolescência, numa "comunidade" jovem chamada CAJU e depois na COMIC, que era a Comunidade Iporaense Cristã, de jovens. A nível diocesano existia o TLC (Treinamento de Liderança Cristã) e uma coordenação diocesana da juventude da qual eu fazia parte quando aqui chegou, no início de 1981, Pe. Florisvaldo (Floris) com uma nova proposta para a nossa juventude.


A grande novidade trazida por Pe. Floris era a formação de pequenos grupos de base com uma nova metologia de atuação. Nossa cultura era de "comunidades jovens" que eram formadas por um grande número de participantes. Aliás, a eficácia, o sucesso de uma comunidade jovem eram medidos, essencialmente, pelo numero de integrantes da mesma. Pe. Floris chega propondo formação de pequenos grupos na base utilizando a metologia VER-JULGAR-AGIR-AVALIAR. Aquele novo jeito de trabalhar, de ser jovem, a princípio enfrentou uma certa resistência mas, aos poucos, foi despertando uma maior consciência da realidade, do papel que o jovem exercia e o desejo de ser agente da própria história.


Foram 10 meses de cansativas reuniões com nossa pequena, insegura, despreparada (ao menos diante daquela"novidade") e, por que não confessar, relutante equipe (Brito, Simair, Manoelino, Gildo e eu, se não me falha a memória). Naquele período Pe. Floris ia conhecendo a região e iniciamos "experiências piloto" de formação de pequenos grupos em algumas paróquias. Preparamos o TRECO (Treinamento de Coordenadores) visando também a avaliação do trabalho até então desenvolvido em preparação à primeira Assembleia Diocesana de Jovens que aconteceria em março de 82. Aquela Assembleia definiu um Primeiro Plano Diocesano de Pastoral da Juventude, para dois anos, tendo como prioridades: criação e acompanhamento de pequenos grupos de base; capacitação de coordenadores e formação.


A capacitação de coordenadores naquele ano, em nível diocesano, se deu através de dois cursos. O primeiro deles assessorado por Hilário Dick, então assessor nacional da PJ.Aqui gostaria de abrir um parêntese para relatar uma "situação desesperadora" e uma experiência desafiadora enfrentada pela guerreira ECD (Equipe Central Diocesana). Curso agendado, assessor contactado, coordenadores convidados, Pe. Floris viaja (não saberia dizer ao certo, mas creio que por uma questão pastoral) e enquanto se encontra fora ocorreu-lhe um problema de saúde. Comunicou-nos que não voltaria até a data do evento e que deveríamos assumir a preparação e realização do mesmo. Desespero total! O curso aconteceu sob a luz do Espírito Santo.


Outro acontecimento marcante para mim, não sei se trágico, cômico, pitoresco, constrangedor...ocorreu numa das nossas famosas Caminhadas Jovens. É que, certamente por falta de outra opção, eu assumia nos cursos, encontros, assembleias, caminhadas...a animação dos cantos. Desta feita, em cima de um caminhão de som, com microfone em punho "puxei" o canto: A verdade vos libertará, libeeeertará...de maneira tão desafinada que foi a maior "gafe". Imagine 5 mil jovens reunidos mais a população de São Luis quase toda e eu passando por aquele vexame. Tudo pelo Reino.


Não poderia deixar de mencionar aqui a idealização, criação, redação, distribuição do Força Jovem. Com o objetivo de ser instrumento de comunicação, intercâmbio, formação...para a juventude diocesana e até nacional ele surgiu. Uma equipe de jovens de Iporá (todos meus irmãos a integrava) assumiu esse trabalho. Experiência enriquecedora, mas exigia muito de nós. Chegávamos, em muitos momentos, a pensar em "deitar com a carga". Trabalhávamos com recursos mínimos - vale lembrar que não existia celulares, computadores e, claro, internet. Nosso equipamento mais avançado era uma máquina de datilografia (velha). O trabalho era artesanal e entrava madrugada a dentro. Das muitas memórias, destaco o fato de eu redigir, corrigir textos, ilustrar...amamentando uma filha e embalando outra no carrinho com o pé.


Enfim, posso afirmar com toda segurança que sou uma consequência da PJ. Se não tivesse tido essa "escola" certamente seria outra pessoa. Não ouso dizer se melhor ou pior mas, diferente, com certeza. A verdade é que a PJ teve uma influência muito grande em minha vida (até contribuiu para o término de um namoro de sete anos e meio, creiam). Colaborou, princialmente, para a formação do senso crítico, do desejo de ser protagonista da história e de colaborar na construção do Reino.


Confesso que, não raras vezes, tenho me sentido um peixe fora d'agua na igreja. Percebo uma forte tendência para uma ação mais voltada para o "combate espiritual" com ênfase no silêncio, na oração, na meditação, na adoração, na espiritualidade...bem ao gosto do capitalismo.Oxalá tenhamos a coerência do Papa Francisco - coloque a teologia em tom menor para que a libertação ressoe em tom maior: consolação para os oprimidos e apelo às consciências dos poderosos. Que tenhamos a consciência de João Batista e que o lema dele seja o nosso: "é necessário que Ele cresça e eu diminua" (Jo 3,30).
E assim vamos nós. Afinal, sabemos que "estamos unidos por um laço eterno". Então, cantemos,mesmo que desafinadamente: A verdade vos libertará, libeeeeertará...
Até breve!

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Leitura do Levantamento sobre a dimensão técnica - Curso virtual da Rede Caminho de Esperança




Como trabalhar a capacitação técnica
ou a metodologia no grupo de jovens?

            O levantamento foi realizado de setembro, outubro e novembro de 2017 com o objetivo de escutar jovens e pessoas adultas que atuam com jovens nos diversos ambientes e atividades eclesiais para a revisão do programa de formação de lideranças “Caminho de Esperança” realizado de modo virtual pelo Cajueiro e parceiros.

            Respostas
Responderam 145 pessoas de 19 Estados e DF e de quatro países de língua espanhola (México, Colômbia, Equador e Paraguai).  É uma amostra que auxiliará para rever o curso de capacitação técnica que situada no lugar Bíblico Emaús. As pessoas que responderam são: AC (7), AM (9), BA (2), CE (8), DF (9), ES (4), GO (28), MA (6), MG (3), MT (5), PA (7), PE (3), PR(1), RJ(3), RO(4), RS(5), SC(23), SE(1), SP(9). Não tivemos participação dos Estados: AP, RR, MS, TO, RN, PB, AL, PI. Das 27 unidades, 19 responderam e 8 não participaram. Podemos dizer que há uma ausência das regiões nordeste e norte.

            Faixa etária
As pessoas que responderam ao levantamento estão organizadas pela seguinte faixa etária:
15 a 18 anos –  5,5%, sendo 8 respostas, 19 a 24 anos – 17,9%; sendo 26 respostas; 25-29 anos 17,9 sendo 26 respostas; 30 - 40 anos, 26,9%, sendo 39 respostas; 40 – 50 anos - 22,8% sendo 33 respostas; mais de 50 anos, foram 9% sendo 13 respostas. 60 das respostas vieram de pessoas abaixo de 29 anos e 85 das respostas das pessoas acima de 30 anos.  A ideia era escutar jovens e adultos das diversas faixas etária, a amostra de cada grupo é significativa.

            Trabalho com jovens
Nas experiências de trabalho com a juventude, o levantamento conseguiu escutar grupos significativos. A pessoa poderia marcar mais de uma opção em sua resposta. Com experiências em Pastorais de Juventudes foram 103 pessoas, 71,5%; Pastoral Vocacional ou Serviço de Animação Vocacional foram 22 pessoas, 15,2%. Grupo de Jovens foram 83 pessoas, 57%; Crisma foram 43 pessoas, 26%; jovens nas comunidades, 51 pessoas, 35,4%; juventude missionária, 8 pessoas, 5,6%. Outros grupos: MEJ, Articulação das Juventudes Salesianas, Caminho Catecumenal, Catequistas, Secretaria Regional da Pastoral Juvenil, Jovenes en situaciones críticas, PJMP, CRAS, Curso de Teologia Pastoral, Escola Bíblica, Escola Pública, Escola Diocesana, Pequenos Agricultores/Assentados da reforma agrária (3), Grêmio Estudantil, Maristas, Pastoral Juvenil Marista, Coordenação de Comunidades, Coletivos Jovens Com Vida, Centro de Convivência, Movimentos Jovens, Universitário e Setor Juventude. Nas experiências de trabalho com a juventude nota-se um acento das Pastorais de Juventudes e dos grupos de jovens; porém as diversidades de presença em vários espaços dão um colorido especial para este levantamento.
            Tempo de inserção
Quando o grupo foi perguntado sobre o tempo de trabalho com a juventude, 109 afirmaram que tem mais de 5 anos de trabalho; alguns indicaram 20 anos, 25 e até 50 anos, sendo 70%, até 5 anos (9 pessoas);3%; 4 anos, significando 7 pessoas, 4,9%; 3 anos 9 pessoas, 6,3; 2 anos - 4 pessoas, 2,8%; 1 ano, 5 pessoas, 3,5% e menos de 1 ano 2 pessoas, 1,4%. O tempo de trabalho com a juventude e sua organização pode ter duas situações: a primeira é que a experiência pode nos ajudar com as questões trazidas, porém o tempo pode ajudar também, na repetição sem buscar algo novo. É sempre um risco porque a realidade é sempre carregada destas possibilidades. Ler estes dados exigirá atenção e cuidado para que possamos compreender as necessidades da juventude e, também, as práticas pedagógicas exercidas pelas pessoas que buscam a formação.

            Funções exercidas
As respostas sobre a função que exercem as pessoas que responderam qualificam o resultado pela variedade do grupo, garantindo a diversidade das tarefas e dos grupos que acompanham jovens e suas organizações. Vejam as suas funções: coordenação de grupo (30), Coordenação Diocesana (17), Coordenação Regional (15), Coordenação do trabalho com juventude nas congregações (3), Assessoria diocesana/Regional (23), Animação Vocacional ou Serviço de Animação Vocacional (12), Animação da Juventude Missionária (5), Coordenação Pastoral Escolar (1), Instituto de Juventude (1), Secretaria Regional da Pastoral Juvenil (1), Diretor de Escola Católica (1), Animação do CEBI, Catequista de crisma, Coordenação da CRB/Regional, Acompanhamento, Animadora de projetos, Acompanhamento de grupo de mulheres, Militantes, membro do grupo de jovens, Membro da RACJ, acompanhamento vocacional, Educador socioambiental, professor, animação paroquial, Referência da PJ Diocesana, Catequista, Coordenação Nacional, Coordenação pedagógica, assessoria da área missionária, assessoria de formação,  assessoria de paróquia. Espaços distintos desde o grupo de jovens, espaços de serviços de coordenação e assessoria, assim como acompanhamento e atuação em grupos variados de jovens.

            Dificuldades
Na pergunta sobre as dificuldades no serviço com a juventude as pessoas que responderam apontam: Cuidar da formação integral (74) 51, 4%; Trabalhar a motivação para evitar a evasão do grupo de jovens (68) 47,2%; Acompanhar as questões pessoais (42) 29,2%; Planejar as ações que envolvam os participantes (41) 28,5%; Tratar temas em uma sequência (26) 18,1%; Saber coordenar (18) 12,5; Tratar tema do interesse dos jovens (32) 22,2%; saber como coordenação e com assessorar o trabalho (17) 11,8%; Planejar as ações (24) 16,7%; Trabalhar o tema do Projeto de Vida e Vocacional (20) 13,9%; tratar o tema da Missão (9) 6,3%; e ainda, a proximidade com a realidade juvenil, trabalhar a afetividade e sexualidade, formar para a militância, coordenar e compreender o papel da assessoria; resistência ao modelo eclesial clerical; acompanhar as contínuas mudanças, compreender a sistemática  campanha contra  a identidade e organização da PJ; trabalhar o diálogo entre as expressões juvenis. O que significa que as dificuldades apontam as preocupações para a formação? Como atender todas estas dificuldades?

            Dúvidas
Quanto às dúvidas sobre o tema a ser tratado o grupo apontou  o papel da assessoria/animação vocacional/missionária (60) 50,4%; Diferença entre Coordenação e Assessoria(38) 31,9%; papel da Coordenação (12) 10,1% e, ainda nas respostas abertas: como animar os grupos constituídos em ambiente escolar, como coordenar sem tirar a responsabilidade dos demais, como a CRB pode acompanhar a formação inicial a partir dos interesses da juventude, como trabalhar o conjunto, como trabalhar as demandas pessoais e realizar um caminho integral de formação, trabalhar temas a partir do interesse dos jovens, lidar com as mudanças, manter o acompanhamento e integrar família, sociedade e Igreja, trabalho com a juventude indígena, ministério da assessoria. Aqui nas dúvidas o acento está maior para a questão da assessoria e a preocupação com a diferença entre este dois papeis, porém, há uma preocupação em acompanhar à juventude nos diversos ambientes.

            Instrumentos
A pergunta que fala dos instrumentos a serem trabalhados no Curso pergunta pelo que deve conter esta proposta: textos de orientações e reflexões (107) 73,8%; videos com depoimentos de jovens e assessores (68) 46,9%; vídeo-aulas (48) 33,1%; apresentação de eslaides (30) 20,7% e, ainda: atividades missionárias, trabalhar a realidade, trabalhar a escuta, rodas de conversas (2), música, acompanhar as atividades diocesanas, bibliografia, dinâmicas (6), intercâmbio de experiências (3), dinâmicas bíblicas, trabalho em grupo, visitas, vivências, teatro do oprimido, oficinas de escuta da realidade.
            Nome
Como deve ser chamado este curso de capacitação técnica? As respostas foram: Escola de Juventude Emaús (49) 34%; Caminho de Emaús (47) 32%; Escola de Coordenadores e assessores (29) 20,1% e nas respostas abertas foram: Escola de Formação Juvenil – caminho de Emaús, Escola do Caminho, Entrando no Caminho de Emaús, Formação técnica para o trabalho com a juventude, Escola Peregrina de Emaús, Curso de capacitação caminho de Emaús, Herramientas para el acompañamiento, CCJUVS – Caminhada da Capacitação da Juventude, Redes de Saberes, Emaús escuta da juventude, Caminho de Emaús- Curso de capacitação técnica,  Formação em metodologia para facilitar os coletivos jovens, formação de lideranças de juventudes- caminho de Emaús, formação de lideranças – caminho de Emaús, Escola de Formação de formadores jovens, comunidade de jovens Emaús, Escola de Aprendizagens do Caminho.
            Material a usar
As pessoas que responderam ao levantamento usam que tipo de material na coordenação e assessoria? Respostas: Textos em geral (87) 61,3%, Na Trilha do Grupo de Jovens (70)49,3%, Material produzido pela CNBB, Regionais e Diocese (70) 49,3%, \Nenhum deste citados (8) 5,6% e ainda, apontaram outros na questão aberta: Material do CEBI (3), exploração do lúdico, material do RICA e Liturgia, Bíblia (3), ODJ (2), Metodogia y espiritualid de la revisión de vida, Sou Igreja Jovem, CDL I e II, Educação da Fé, Materiais das PJs, CAJU, Vídeos bíblicos, textos das questões ambientais, natureza, símbolos e cores, cartas a Neotéfilo e outros livros, por uma cultura de paz da justiça restaurativa, uso estes materiais adaptados.

            Participação
Na pergunta se já participou de formação o “sim” (133) 92,4% e o “não” (10) 7,6% e na questão aberta sobre como contribuiu no trabalho responderam 114 pessoas : despertou para o trabalho com a juventude no acompanhamento aos grupos nos vários âmbitos (grupo, paróquia, diocese e regional), a experiência de quem fala e o testemunho dão sentido ao trabalho e animo para o caminho, a formação integral colabora na integração da fé e da vida e colabora para o amadurecimento da fé comprometida;  aponta para maior aprofundamento e novas leituras,  a questão juventude aparece várias vezes (a sua realidade, aproximar da suas linguagens, as suas demandas, os desafios do dia a dia, aproxima mais da juventude, melhora a escuta) também, falam da juventude e seu engajamento: CEBs, grupo de jovens, Pastorais da Juventude, catequese, do CEBI, IPJ, CAJU, Cajueiro). Há um destaque para o grupo de jovens (cuidado, espaço de crescimento, espaço de articulação com outras instancias, dia a dia da realidade) assim como das estratégias do acompanhamento como a escuta, a acolhida, o respeito ao caminho feito pelo jovem a partir de sua realidade, amizade, das experiências comunitárias, para as dinâmicas, leitura crítica da realidade, a questão do compromisso cristão engajado e missionário, de catequeses mais dinâmicas e envolvendo melhor os jovens, a compreensão da formação integral aparece pela a ideia da pessoa mais realizada, integrada na fé, comprometida na transformação, na percepção da diversidade da cultura juvenil, do planejamento, vida em grupo, articulação dos grupos, acompanhamento. A questão da formação de outras pessoas. Pode-se dizer que participar de uma formação abre novas perguntas e o grupo que respondeu está atento ao público destinatário porque a repetição da palavra juventude, grupo, formação integral. O que indica que o caminho da formação a partir da integralidade, da opção pela educação popular, que parte da realidade, das questões trazidas pelos participantes é um caminho a ser aprimorado na revisão do material.

            Cursos virtuais
Quando perguntado sobre a participação em cursos virtuais 70 pessoas disseram que sim (50%) e outras 70 disseram que não (50%). Sobre a questão da participação temos a metade do grupo que não participou e as pessoas que participaram das respostas foram 98, claro que algumas delas para dizer que não têm nenhuma observação ou que não participaram. As facilidades estão no tempo do curso, no uso do tempo de modo flexível, na praticidade, nos conteúdos sucintos, na organização do estudo dentro do tempo pessoal, na qualificação da ação; o tempo poupado pelo deslocamentos, facilidade de acesso de mais pessoas, o curso é prático e relevante para a capacitação de pessoas, o acesso em qualquer lugar e hora, a possibilidade de organizar o estudo e a exigência de disciplina e a comunicação entre as pessoas e com outras de lugares diferenciados, a possibilidade de ampliar o conhecimento de outros grupos, unir a juventude. Estas facilidades se repetem e o que mais aparece é a questão do tempo como fato importante para a formação.
Enquanto que as dificuldades a avalição traz a troca de ideias, o acesso à internet (computador ou lentidão ou ausência de conexão com a rede), a disciplina em organizar o tempo para o estudo e a harmonização  do trabalho, o estudo acadêmico e aponta como um dos fatores negativos a falta de disciplina para o estudo, provocada pela dinâmica da realidade, pela capacidade de leitura e pela interpretação ou a dificuldade de construir argumentos dentro do debate,  gerando desânimo ou medo de se expor; muitas desistências dos participantes, ausência de um debate que envolva os participantes, ou de um horário para que o grupo possa se encontrar no espaço virtual, pessoas para o acompanhamento com capacidade de atender as dúvidas e necessidades do participantes, manter o tempo do curso  segundo  as demandas e atividades, manter a motivação para o estudo solitário, falta a mística do encontro com as pessoas. Nas dificuldades, a questão do tempo retorna pelo acúmulo de tarefas ou pela falta de organização do mesmo; há dificuldades que são operacionais de acesso com qualidade ao curso e, também, pela falta de hábitos de leitura e estudos pessoais, pelas dificuldades decorrentes do sistema escolar e, também, em agregar novas formas de formação a seus hábitos já constituídos.
            Na questão sobre a organização de formação para outras pessoas a resposta “sim” oi de 113 e 79% de não, com 21% que não respondeu.
Nas sugestões apontadas para a revisão há uma insistência na modalidade semipresencial, em uma maior divulgação e envolvimento dos jovens e dos grupos responsáveis pelo projeto de formação, manter uma comunicação em outros meios para motivar e lembrar a participação no curso, trabalhar o fortalecimento dos grupos de jovens, manter em cada texto uma bibliografia e sugestões de textos para o aprofundamento, inserir vídeos, depoimentos e links de estudos, que sejam plurais, integrais e dinâmicos, insistir no fortalecimento e na criação de grupos e seu acompanhamento e não somente em instâncias mais amplas, que seja leve e prazeroso, tenha um espaço somente para dúvidas, explicitar bem a diferença entre assessoria, animação e coordenação, indicar os momentos que a assessoria pode e deve intervir e momentos que precisam estar na escuta e na sistematização, que seja possível uma organização de uma formação local a partir da proposta da formação virtual,  realizar congresso para aprofundamento, criar um espaço e conteúdo que possam gerar interatividade entre os participantes, disponibilizar o material para ser impresso pelos participantes ou organizar o material impresso do curso, organizar equipes locais para trabalhar de modo presencial a proposta do conteúdo, capacitar melhor as coordenações das pastorais, estudar um caminho para inserir nos cursos as pessoas que não tem condições financeiras de contribuir com a plataforma, propor ações comuns para sentir-se unidos, ficar atentos a diversidade de participantes buscando incluir a diversidade da juventude, confeccionar alguns materiais em oficinas com a juventude e na elaboração estar atentos a formação integral com suas dimensões e processos.
Outras questões
Na última questão, aberta para outras sugestões, 60 pessoas responderam e as questões trazidas foram agregar as realidades do campo e da cidade, despertar para a participação nas questões políticas e sociais, contemplar as diversas realidade (jovens em conflito com a lei, jovens que estão fora do ambiente eclesial, entre outros), trabalhar dinâmicas de grupo, construir um aplicativo para facilitar o acesso, trabalhar a questão da responsabilidade e o compromisso com o curso pela dificuldade apresentada nos cursos virtuais, que a linguagem seja para a diversidade das juventudes. Nestas sugestões pode-se notar uma preocupação com a juventude nos diversos ambientes e com a linguagem. Também, aponta para ficar atento às expressões juvenis e termos que tem sido explorado na dinâmica do trabalho com a juventude.


Conclusão
Ao ler todo o levantamento sobre as questões referentes à formação integral com foco na dimensão técnica ou metodológica, pode-se formular várias questões. Quais tipos de leitura de textos você aponta? A capacidade de coordenar e de acompanhar grupos nos diversos ambientes, tanto eclesial, social ou político tem sido prática dos grupos e instituições? Há um discurso recorrente sobre o protagonismo, ou seja, formar sujeitos históricos capazes de intervir em sua realidade e espalhar o bem, a vida, ou seja, cuidar do bem comum. Ao ler as respostas tanto fechadas como abertas pode-se dizer que há um desejo desta formação, porém a pergunta que permanece para os grupos e instituições se refere ao interesse em preparar sujeitos críticos e capazes de ler a realidade e posicionar-se nela tendo como referência os princípios evangélicos, ou seja, expressar pela vida e pela prática os sinais do Reino?
Há uma diferença entre capacitação que envolve conceitos, compreensão dos termos aplicados pelas propostas de trabalho com a juventude que podem ocorrer de modo presencial ou virtual e outros modelos de encontros que se perdem nos seus objetivos e ficam somente em tempos para encontros, passeios ou festas, não que tudo isto não seja importante. Nesta dinâmica da vida algumas situações são justificadas como pauta única. Como trabalhar o estudo pessoal, a leitura, o debate em grupo de temas que tocam a vida dos jovens, ou a ação pastoral, social ou política?
O levantamento aponta várias possibilidades de revisão do conteúdo do curso oferecido e sugere metodologias inovadoras. Aponta problemas já percebidos na execução do curso como a questão do tempo, tanto no aspecto que favorece a formação, como no que dificulta a organização da formação virtual. Aponta para a questão presencial como constituído de mística e de fortalecimento de vínculos e indica que deve ser em localidades mais próximas como fruto do trabalho dos que estão inseridos no curso virtual. Há muito que aprofundar neste caminho a ser construído por esta Rede Caminho de Esperança.

Texto construído por Carmem Lucia Teixeira, pesquisadora do Cajueiro, professora de escola pública, e Hilário Dick, pesquisador de juventude, padre jesuíta.
08 de dezembro de 2017.